
Além do Tech Bro: repensando o culto a heróis nas criptomoedas
Índice
- Introdução
- Pessoas que fazem, pessoas que não fazem
- A ascensão do broletariado e do maximalismo Chad na tecnologia
- Rompendo o teto de vidro com mãos de diamante
- Heróis (des)centralizados: o problema do culto à personalidade nas criptomoedas
- Indo além: o poder das ideias
- Eu trabalho para você e para mim; somos todos líderes em perfeita harmonia
- Da base, emergimos
- O caminho a seguir
Agradeço a Mert, Brady e Chase pela revisão das versões anteriores deste artigo.
Introdução
O mundo cripto está repleto de figuras fascinantes. De seu criador benevolente e anônimo aos muitos clones de Madoff, não faltam exemplos. Suas personalidades se tornaram sacrossantas — faróis a serem seguidos cegamente rumo a um novo futuro prometido. Embora seja descentralizado, o universo cripto tende a se centralizar em torno dessas personalidades, especialmente as conhecidas por liderar a inovação, cultivar ideias e inspirar as pessoas a acelerar o desenvolvimento das criptomoedas. Ou, de forma mais simples, aquelas que prometem que “o dinheiro só sobe”. À primeira vista, isso pode ser generalizado para outros aspectos da vida. Na história, por exemplo, figuras como Alexandre, o Grande, Winston Churchill e Napoleão são baluartes da grandeza — a história pode ser vista como o resultado das ações de grandes pessoas. No mundo cripto, não é diferente. Onde estaríamos sem as contribuições de Satoshi? De Vitalik? De Chaum? De Finney? Ou de Szabo?
Há uma ideia randiana atraente e inata de que as coisas que realmente são feitas na vida podem ser explicadas, em grande parte, pelas ações de um pequeno grupo de figuras carismáticas. Tendemos a nos centralizar em torno dessas figuras, criando cultos à personalidade. No entanto, raramente a história, o universo cripto ou a natureza das coisas podem ser explicados com precisão por uma pessoa, uma teoria ou um culto.
Este artigo explora a tensão entre a influência individual e a ação coletiva na construção da inovação. Embora figuras carismáticas muitas vezes atuem como catalisadores e símbolos de mudança, o verdadeiro progresso e a inovação surgem de uma interação complexa entre líderes visionários e os movimentos sociais mais amplos que eles inspiram e pelos quais, consequentemente, são moldados. O mundo cripto tem um problema de culto à personalidade, e este artigo tenta mudar essa narrativa.
Pessoas que fazem, pessoas que não fazem
Existe uma ideia randiana inata de que todos podem ser classificados em dois grupos: pessoas que fazem e pessoas que não fazem. Na vida, é fácil atribuir o progresso ao trabalho de um pequeno grupo. Foi Steve Jobs quem lançou o iPhone. Satoshi Nakomoto lançou o Bitcoin. Alan Turing decifrou o código Enigma. Essa visão simplista do progresso apresenta realidades inequívocas sem a especificidade e as nuances em que esse progresso realmente ocorreu. É claro que Jobs não foi a única pessoa que trabalhou no iPhone. Satoshi se apoiou nos ombros de gigantes da criptografia. Alan Turing foi um entre muitos criptoanalistas brilhantes, além de líderes, na Hut 8.
Essa abordagem simplista do progresso não é novidade. A Teoria do Grande Homem é uma abordagem ao estudo da história proposta pelo ensaísta, historiador e filósofo escocês Thomas Carlyle. Segundo ele, a história pode ser explicada, em grande parte, pelo impacto de grandes homens. Esses homens são indivíduos únicos e altamente influentes, com um efeito histórico decisivo devido às suas capacidades naturais. Eles possuíam habilidades extraordinárias de liderança, coragem heroica, intelecto superior ou inspiração divina, o que lhes permitiu gravar seus nomes nos anais do tempo.
Por exemplo, Guilherme, o Conquistador, fundou o poderoso reino anglo-normando, que produziu profundas mudanças políticas, administrativas e sociais nas Ilhas Britânicas. Sem seu governo, o francês normando não teria se tornado o idioma da corte, do governo e da classe alta, transformando profundamente a língua inglesa e a maneira como você teria lido este artigo. Seu governo introduziu na Inglaterra o feudalismo, os sobrenomes, o sistema senhorial, os castelos, a aristocracia e a governança centralizada. Sem ele, a civilização ocidental seria completamente diferente. É claro que Guilherme, o Conquistador, não foi a única pessoa a exercer um impacto decisivo sobre a história. Para citar alguns exemplos: Martinho Lutero, Abraham Lincoln, Rainha Vitória, Átila, o Huno, Mahatma Gandhi, Gêngis Khan, Nelson Mandela, Cleópatra e Leonardo da Vinci tiveram um grande impacto.
Essa teoria sustenta que certos indivíduos possuem características extraordinárias que tornam sua ascensão à liderança quase inevitável. Embora atributos como carisma, coragem e intelecto se destaquem, Mark Twain ofereceu uma perspectiva diferente. Ele sugeriu que os líderes não surgem apenas por sua própria grandeza, mas devido a uma covardia moral generalizada. Twain a chama de característica dominante na constituição de 9.999 entre 10.000 homens — nenhuma revolta contra a infâmia pública ou a opressão na história do mundo jamais foi iniciada senão por um homem ousado, enquanto os demais esperam timidamente e aderem com relutância.
Essa dinâmica talvez seja ilustrada de forma ainda mais contundente na análise de Ian Kershaw sobre a grandeza “negativa” de Hitler. Em Hitler, 1889-1936: Hubris, Kershaw contesta a Teoria do Grande Homem ao afirmar que Hitler era uma pessoa comum. Em vez disso, suas habilidades de liderança e seu impacto histórico vieram da forma como os outros o viam e de sua capacidade de projetar autoridade carismática — um conceito explorado por Max Weber em seu trabalho sobre liderança. Isso sugere que a “grandeza” ou, para nossos fins, a capacidade de ser historicamente decisivo, não está necessariamente ligada a qualidades nobres inatas, mas à capacidade de catalisar movimentos de massa por meio da influência carismática.
A psicologia moderna transformou ainda mais essa compreensão da liderança carismática ao definir o carisma em termos de resultados práticos. Ou seja, líderes carismáticos são eficazes. Assim, a visão predominante de liderança evoluiu de uma qualidade inata, quase mística, proposta por Carlyle para algo que produz resultados mensuráveis e, portanto, exerce um impacto decisivo sobre o ambiente ao redor e, em última instância, sobre a própria história. Mais uma vez, o binário randiano entre “os que fazem e os que não fazem” persiste nessa linha de raciocínio. Talvez ele não seja hoje mais proeminente em nenhum outro lugar do que na mitologia do Vale do Silício, onde a capacidade de promover mudanças se tornou a principal medida de liderança.
A ascensão do broletariado e do maximalismo Chad na tecnologia
Seguindo essa tradição de progresso de cima para baixo, o binário de Rand encontrou sua expressão máxima na cultura tecnológica, onde a capacidade de “agir rápido e quebrar coisas” se tornou a característica definidora que separa quem faz do restante da humanidade. Os líderes de tecnologia são os protagonistas da civilização, construtores arquetípicos que, e somente eles, possuem a visão e a capacidade de remodelar a realidade que os outros apenas ocupam. Líderes de tecnologia são figuras singulares cuja determinação transcende o progresso.
Uma nova geração de “grandes homens” surgiu no Vale do Silício. Seus campos de batalha são threads no Twitter e salas de reunião, em vez dos verdadeiros campos de guerra aos quais muitas das figuras de Carlyle estavam acostumadas. Entra em cena o tech bro — uma pessoa com uma combinação peculiar de ambição sem remorso, machismo casual e evangelismo tecnológico que beira a arrogância. Como acontece com os líderes carismáticos de Weber, sua autoridade não vem de credenciais ou conhecimentos tradicionais, mas da percepção de sua capacidade de materializar o futuro pela pura força de vontade. De desenvolvedores 10x a CEOs, eles representam uma nova forma de maximalismo que mede o valor exclusivamente pela produção e pelo impacto. O progresso não acontece por meio de deliberação cuidadosa ou esforço coletivo, mas pelas ações ousadas de visionários que se atrevem a pensar diferente. Naturalmente, esses visionários se apresentam como Chads.
A era dos nerdolas acabou. Chegou a vez do Chad.
Embora “Chad” tenha surgido como gíria para um homem atraente e confiante, o termo evoluiu para algo mais nos círculos de tecnologia. Ali, ele se apresenta como uma exibição performática de sucesso masculino que vai além de construir empresas lucrativas. Os líderes de tecnologia atuais cultivam personas grandiosas, combinando proeza tecnológica com ideias hipermasculinas.
Veja Mark Zuckerberg, por exemplo. Ele incorpora esse maximalismo Chad com seu novo corte de cabelo, suas roupas novas e os vídeos que circulam dele praticando wakeboard enquanto bebe cerveja e segura uma bandeira dos Estados Unidos. Também temos Jeff Bezos, que, nos últimos anos, deixou de ser o fundador intelectual da Amazon para se tornar um magnata musculoso posando em um superiate com sua nova namorada. Temos ainda as intensas rotinas de bem-estar de Jack Dorsey e a busca vampiresca de Bryan Johnson pela imortalidade. Cada tech bro elaborou demonstrações de proeza física e otimização do estilo de vida para se tornar uma expressão moderna do arquétipo do Grande Homem.
Ainda assim, o arquétipo do Chad transcende a mera aparência física. Veja Elon Musk, por exemplo. Embora não seja conhecido por sua beleza convencional — e até tenha virado meme por fotos sem camisa em um iate em Míconos —, ele figura como um Chad no panteão dos tech bros. Ele é o principal inovador rebelde. Aqui, ser Chad significa incorporar um tipo específico de sucesso assertivo e sem remorso. Inegavelmente, Elon tem aura — ele está enviando pessoas a Marte enquanto figura entre os 20 melhores jogadores de Diablo, em uma fusão de ambição com a nerdice esperada de um tech bro.
Rompendo o teto de vidro com mãos de diamante
É claro que o maximalismo Chad tem sua contraparte feminina na mitologia da girl boss na tecnologia. Esse neologismo designa alguém “cujo sucesso é definido em oposição ao mundo empresarial masculino no qual ela nada contra a corrente.” Embora o arquétipo da girl boss tenha surgido com figuras como Paris Hilton, Sarah Michelle Gellar e Gwyneth Paltrow, ele ganhou um significado especial na tecnologia. Aqui, a girl boss precisa ser disruptiva o suficiente para ser levada a sério pelos outros bros, ao mesmo tempo que mantém uma imagem perfeita para o Instagram que prove que ela pode “ter tudo”.
O resultado é mais uma performance cuidadosamente elaborada de empoderamento que reduz a complexidade da inovação e da liderança a uma espécie de marca pessoal. No mundo cripto, líderes mulheres muitas vezes enfrentam um escrutínio maior sobre suas credenciais técnicas, ao mesmo tempo que se espera delas uma forma específica de liderança feminina. Veja figuras influentes como Katie Haun, ex-procuradora federal que alcançou uma posição de destaque no capital de risco, ou Laura Shin, que molda continuamente a narrativa do universo cripto por meio do jornalismo investigativo. Líderes como Meltem Demirors e Christine Moy fizeram contribuições substanciais para a adoção institucional. Todas são figuras poderosas. No entanto, a mídia tende a se concentrar na capacidade delas de entrar no clube do bolinha, em vez de em seu trabalho e suas inovações reais.
A imitação deliberada de Steve Jobs por Elizabeth Holmes, das golas altas pretas à voz artificialmente engrossada, representa o extremo desse fenômeno. Holmes evidencia a pressão para adotar traços de liderança tradicionalmente masculinos sem abrir mão do apelo feminino. Sua persona de “finja até conseguir” revela uma pressão maior e mais ampla sobre as mulheres na tecnologia para demonstrar constantemente competência técnica e autenticidade feminina. Mesmo quando bem-sucedidas, essas girl bosses precisam navegar por um cenário complexo em que suas redes sociais são examinadas de maneira diferente das de seus equivalentes Chad — elas precisam selecionar cuidadosamente sua imagem para equilibrar acessibilidade e autoridade. A inovação e a liderança ficam em segundo plano diante da necessidade de manter as aparências públicas.
Apesar dos evidentes tons sexistas e elitistas, essa fusão do Chad e da girl boss no panteão do maximalismo tech bro aponta para uma verdade maior: seja seguindo arquétipos abertamente masculinos ou femininos propagados na tecnologia, essa obsessão por narrativas heroicas individuais continua ofuscando a natureza colaborativa do progresso. Embora esses indivíduos sejam impressionantes, a mitologia do visionário solitário perpetua uma narrativa perigosa de que o progresso resulta apenas do gênio individual, e não do esforço coletivo. Isso dá origem a intensos cultos à personalidade.
Heróis (des)centralizados: o problema do culto à personalidade nas criptomoedas
A crença de que o progresso resulta do gênio individual, e não do esforço coletivo, gera cultos ferozes à personalidade. Esses cultos, resultantes de esforços sistemáticos para criar imagens idealizadas e heroicas de líderes por meio da adulação absoluta, fincaram raízes na cultura tecnológica. Vemos personas grandiosas anunciarem mudanças reais e, seja pelo desejo de viver indiretamente por meio delas ou de imitar seu modo de vida na esperança de melhorar o nosso, nós nos agarramos a elas como ídolos a serem venerados.
Essa deificação assumiu novas formas. Tweets são tratados como evangelho. Anúncios de produtos são revelações divinas compartilhadas online com fervor evangelizador. Essa dinâmica é amplificada pelo sentimento tecno-utópico predominante, segundo o qual qualquer obstáculo a esses líderes visionários impede o próprio progresso. Os titãs da tecnologia impulsionam o avanço para todos os demais, e qualquer tentativa de desacelerar seus planos é um obstáculo às oportunidades. Dos primeiros cypherpunks da década de 1980, que defendiam identidades não rastreáveis para escapar da interferência governamental, ao manifesto pró-progresso de Marc Andreessen, It’s Time to Build, que denuncia a ineficiência burocrática, a narrativa é consistente: o inovador Chad precisa estar livre de amarras para promover mudanças reais e impulsionar o progresso verdadeiro. Esse sentimento de inovação irrestrita apenas reforça os cultos à personalidade.
Embora não seja algo novo — historicamente, cultos à personalidade se formaram por meio da mídia de massa, da propaganda, do espetáculo e de manifestações organizadas pelo Estado —, a Internet potencializou esse fenômeno. As plataformas de redes sociais e o ciclo de notícias de 24 horas permitem a disseminação rápida de personas cuidadosamente elaboradas. Os cultos modernos à personalidade são narrativas seculares da mídia de massa, geralmente centradas em homens, que têm como alvo qualquer pessoa popular online.
É claro que, quando se considera o grupo de pessoas mais cronicamente online e posicionado na vanguarda do progresso, essa dinâmica é ampliada a níveis sem precedentes. Em nenhum lugar ela é mais evidente do que no mundo cripto. Embora as blockchains prometam um futuro descentralizado, o ecossistema, paradoxalmente, tornou-se cada vez mais centrado em um pequeno grupo de figuras carismáticas. Fomos rápidos demais em apoiar as incontáveis personas grandiosas que ganharam notoriedade nas redes sociais. Todas as CEXs que colapsaram em 2022 tinham um líder jovem e impetuoso cuja influência desproporcional — não em virtude de intelecto ou talento econômico — vinha de sua persona online. Do Kwon era um troll notório; antes do colapso da Terra, publicou diversos tweets famosos por sua arrogância. Su Zhu tem um repertório de tweets lendários do bullrun de 2021 que envelheceram como leite desde a falência da 3AC.
Talvez o exemplo mais emblemático do problema do culto à personalidade nas criptomoedas tenha sido Sam Bankman-Fried (SBF), o jovem prodígio brilhante e desalinhado que construiu cuidadosamente uma persona voltada a conquistar a confiança institucional. SBF criou deliberadamente a imagem de representante de um segmento confiável e cumpridor da lei no mundo cripto, focado na proteção de investidores e clientes — além dos lucros. No entanto, a realidade estava longe disso. Como líder de fato da Alameda Research Ltd e da FTX, SBF ignorava rotineiramente a proteção dos investidores e fazia diversas apostas de alto risco com os fundos dos clientes. Ele buscou o endosso de celebridades — desculpe, Tom Brady — para reforçar a ideia da FTX como uma exchange segura e confiável. Mas, é claro, todos sabemos como isso terminou.
Alex Mashinsky, fundador da Celsius Network LLC, também se destaca. Anunciada como uma instituição de crédito cripto e um “banco”, a Celsius concedia empréstimos totalmente garantidos, que eram, portanto, apostas seguras. No entanto, sem o conhecimento de seus depositantes, também concedia diversos empréstimos com garantias insuficientes e fazia apostas arriscadas em outros empreendimentos cripto, além de apostas direcionais. Em meio a negócios obscuros com a Almeda e ao fato de nunca ter realmente queimado os tokens não vendidos em sua ICO, a Celsius entrou em colapso. Durante todo esse período, Mashinsky permaneceu como figura pública e realizou vários AMAs. Mesmo enquanto a Celsius desmoronava, Mashinsky respondia no Twitter aos críticos. Em 11 de junho de 2022, em resposta aos rumores de que a Celsius estava restringindo saques, ele perguntou, em um tweet que ficou famoso, se alguém conhecia uma única pessoa que tivesse tido problemas para sacar da Celsius. No dia seguinte, a Celsius “pausou” os saques dos investidores.
Mesmo depois que a Celsius declarou falência, Mashinsky colocou os dedos para trabalhar no Twitter a fim de combater as alegações “falsas” contra a Celsius. Da mesma forma, SBF continuou o debate público após o colapso da FTX, apresentando desculpas e justificativas curiosas. Ambos usaram suas personas para se apresentar como vítimas, e não como responsáveis. Eram apenas empresários bem-intencionados, com inimigos tentando derrubá-los, e esses inimigos eram a causa verdadeira de seu infortúnio. A corrida pública da Binance contra a FTX causou seu colapso, obviamente não as declarações fraudulentas e a imprudência criminosa de seu benevolente CEO. Os vendedores e short sellers de CEL fizeram o ativo entrar em uma espiral da morte. Em ambos os casos, destaca-se a noção de que o crime econômico é racionalizado como um simples empréstimo de dinheiro sem intenção de roubar. “Não sou criminoso”, lamentaram, “eu só queria pegar emprestado!”
Esse sentimento é problemático porque, no nível organizacional, indica a normalização do desvio dentro da organização. Isso se assemelha aos operadores com informações privilegiadas de Wall Street na década de 1980, quando um ambiente permissivo levou à deterioração da cautela. No mundo cripto, não é diferente, pois a maioria das jurisdições não dispõe de marcos regulatórios adequados. A falta de uma regulamentação eficaz sugere aos funcionários que as ações supostamente ilegais que recebem ordens para executar em nome da descentralização são toleradas por quem está no poder. A ideia é que o CEO tech bro, com sua sabedoria infinita e seus contatos nas altas esferas, sabe como maximizar as oportunidades de lucro enquanto navega pelas zonas cinzentas da legalidade.
Esses cultos à personalidade elevam os tech bros a uma condição de quase celebridades, atribuindo a eles competência de liderança de mercado e capacidade de entregar resultados bem-sucedidos. A FTX não tinha conselho de administração, e por que precisaria de um quando tinha SBF como líder benevolente? Como Kilby cita em Controlando a fraude no Velho Oeste das criptomoedas, “a FTX é o casamento de vários esquemas de fraude na era das Kardashians”. Os investidores ficam tão fascinados por personalidades impactantes e por todo o brilho e glamour; por que precisariam fazer a devida diligência?
O mundo cripto é uma esfera socioeconômica na vanguarda do progresso, avançando muito além do que os reguladores conseguem monitorar. Ele sintetiza, em sua forma mais pura, o mantra de agir rápido e quebrar coisas. Quando todos ao seu redor dizem “Sim, essa é uma ótima ideia!” e têm uma crença irrestrita em suas capacidades, seu cotidiano deixa de ser examinado por completo. Você se torna o próprio sistema de freios e contrapesos. E, quando começa a acreditar em tudo o que dizem sobre você, forma-se uma lógica circular — sua decisão deve ser a decisão correta porque é sua decisão, e você é alguém que toma boas decisões. Ninguém é perfeito. O problema não é tomar a decisão errada; é não haver ninguém para corrigir o rumo.
O culto à personalidade da indústria de tecnologia é prejudicial porque a deificação dos líderes tem consequências reais. Proliferamos personas grandiosas que exacerbam a obsessão da mídia por celebridades. Em resposta, ficamos obcecados por tech bros que alcançaram uma condição quase divina. Acreditamos que pessoas bem-sucedidas têm algum tipo de poder e autoridade que impõe respeito. E que, se seguirmos essas pessoas, estaremos no caminho certo. Precisamos de algo que nos ajude a determinar nosso lugar neste mundo. Naturalmente, aqueles vistos na linha de frente da transformação em benefício da humanidade tornam-se guias em nosso mundo secular.
Essa dinâmica é perigosa no mundo cripto — o que está em jogo vai além da mera inovação tecnológica e alcança todo o sustento das pessoas. A promessa da descentralização levou à concentração de poder nas mãos de poucos. Líderes carismáticos podem movimentar mercados com seus tweets, lançar projetos da noite para o dia e eliminar as economias de uma vida inteira com uma única tecla. O paradoxo é marcante: a tecnologia criada para eliminar o intermediário gerou uma nova classe de oráculos confiáveis.
Talvez a solução esteja em retornar à promessa original do universo cripto de sistemas sem confiança e governança coletiva. O Bitcoin tem resistido de maneira extraordinária ao problema do culto à personalidade nas criptomoedas. É claro que o desaparecimento inesperado de Satoshi, a especulação sobre seu possível retorno e a transformação de Roger Keith Ver em “Jesus do Bitcoin” carregam conotações religiosas explícitas. E o fato de o mundo cripto exibir as marcas clássicas de um culto — apocalipticismo, promessa de utopia para os fiéis, condenação mordaz de dissidentes internos (por exemplo, mais recentemente, Max Resnick deixando a Terra plana para a perfeitamente redonda terra da Solana), rejeição de críticos externos — prejudica essa linha de raciocínio. No entanto, não existe um “líder” claro do Bitcoin. O resultado é um ecossistema robusto, descentralizado e meritocrático. Claro, houve dificuldades de crescimento, mas a visão do Bitcoin foi concretizada sem uma figura nominal no comando. Temos um sistema que funciona não porque confiamos em seus administradores, mas porque não precisamos confiar.
O relativo sucesso do Bitcoin sem uma figura central aponta para algo mais fundamental: o poder das ideias sobre os indivíduos. Embora a história do progresso esteja entrelaçada com arquétipos que dão origem a cultos à personalidade, os projetos cripto mais duradouros são construídos sobre ideias poderosas que transcendem seus criadores. Os conceitos centrais que impulsionam o universo cripto — descentralização, ausência de confiança, transparência e soberania individual — mostraram-se mais resilientes do que qualquer líder isolado.
Indo além: o poder das ideias
V de Vingança (2005) é um dos meus filmes favoritos. É um filme distópico de ação política que acompanha V, um anarquista e combatente mascarado da liberdade, sob um regime britânico fascista e totalitário (não, não é você, Lizz Truss). Um dos temas centrais explorados por Alan Moore é como as ideias podem sobreviver a seus criadores. “Por trás desta máscara, há mais do que carne. Sob esta máscara, há uma ideia, Sr. Creedy, e ideias são à prova de balas.” Isso oferece uma estrutura sólida para reimaginar o futuro do universo cripto — ele pode perdurar independentemente de qualquer figura individual.
Isso não é apenas teoria. Veja como o desenvolvimento open source e a governança descentralizada criaram sistemas resilientes que não dependem de líderes carismáticos. Considere a Ethereum, por exemplo. Vitalik é adorado por suas contribuições, mas sua palavra não é lei. A Ethereum evoluiu para além de sua visão original, impulsionada por comunidades em vez de um único indivíduo. É claro que a comunidade escuta quando Vitalik fala, mas não o segue cegamente. A Ethereum é famosa por debater e testar ideias. Essas ideias são avaliadas por mérito, não pela origem. Ainda assim, a Ethereum não é perfeita, com sua panelinha de podcasters e seus sentimentos hostis contra determinadas comunidades. Porém, reduzida à sua verdadeira essência, em sua forma mais pura, ela é um sistema descentralizado baseado em ideias.
V de Vingança também nos alerta sobre o poder corruptor das ideias. Ideias podem criar sua própria perspectiva e seu próprio contexto. Por exemplo, *alerta de spoiler* a tortura de Evey. Quando o espectador acredita que Creedy — isto é, o chefe da polícia secreta — está torturando Evey — isto é, uma aliada de V —, seu aprisionamento é visto como violento e cruel. Porém, quando se revela que era V o tempo todo, isso é visto como uma ferramenta dura, mas necessária, para prepará-la para se rebelar contra o mundo cruel em que vivem. O perigo é que a ação e sua moralidade não mudaram, apenas a nossa perspectiva. Mesmo quando comparamos o Alto Chanceler Sutler — isto é, o líder do regime fascista e totalitário da Grã-Bretanha — e V, vemos dois homens tão arraigados em suas crenças que qualquer dano colateral é um sacrifício aceitável. Eles são maiores do que um homem; incorporam uma ideia, seja ela a ordem e a segurança em um mundo destrutivo ou a liberdade diante da tirania.
Quando uma ideia se torna o centro das atenções, tão gravada em nossas retinas que só conseguimos enxergar o objetivo final, justificamos os meios. Ideias têm um poder incrível e nos impelem a agir; elas sempre geram ação. Manifesto de um Cypherpunk não apenas articulou um conjunto de princípios — ele inspirou uma geração de construtores a criar ferramentas de privacidade e liberdade. O whitepaper de Satoshi não era meramente teórico — ele forneceu um plano em torno do qual as pessoas poderiam se mobilizar, implementar e aprimorar sua visão inicial.
O desafio do mundo cripto não é a falta de ideias — é encontrar maneiras de cultivá-las sem cair novamente na armadilha dos cultos à personalidade. Precisamos começar a reimaginar a própria liderança. Em vez de procurar o próximo messias, precisamos de estruturas fluidas que adotem os princípios fundamentais das criptomoedas. O futuro do universo cripto não é a ausência de líderes, mas sua abundância.
Eu trabalho para você e para mim; somos todos líderes em perfeita harmonia
Descentralização não significa ausência de líderes, mas abundância deles.
Muitas vezes, pensamos na descentralização como fragmentação — tarefas e decisões estão dispersas e desconectadas entre pessoas, lugares e blockchains. No entanto, a verdadeira descentralização envolve uma estrutura coesa em que autonomia e colaboração se encontram em harmonia. Quando feita corretamente, ela pode até reduzir os fatores que causam a fragmentação e levar a decisões mais rápidas.
O mundo corporativo está começando a entender isso. Os boomers estão migrando de estruturas operacionais fossilizadas para modelos mais ágeis e orientados por tecnologia — só mais uma sprint, bro, prometo que vale a pena. Por exemplo, a e& é um grupo global de tecnologia e investimentos que opera em 32 países, com cinco verticais distintas e inúmeras subsidiárias. A gestão hierárquica tradicional entraria em colapso sob o peso da coordenação entre vários países, culturas e fusos horários. Em vez disso, a adoção de decisões e operações digitalizadas e descentralizadas permitiu que o grupo crescesse. Cada vertical mantém sua autonomia enquanto contribui para o todo — um microcosmo de como a liderança descentralizada funciona em escala.
Essa mudança vai além das estruturas corporativas e alcança a própria forma como pensamos sobre o trabalho. As pessoas estão adotando modelos descentralizados de contratação para construir empresas de tecnologia mais orientadas ao crescimento. Não se trata daquela bobagem de contratação fracionada em que a alta gestão trabalha meio período — é uma reformulação fundamental de como as equipes colaboram. É um modelo que busca nivelar hierarquias e criar um senso mais profundo de interdependência, em vez de autoridade, entre líderes e equipes. Nos próximos cinco anos, 52% da força de trabalho adulta dos EUA estará trabalhando ou já terá trabalhado como profissional independente. Além disso, 63% dos executivos afirmam que se tornariam profissionais independentes se tivessem a oportunidade. Atualize-se, velhote. Estamos entrando em um novo paradigma de liderança — flexível, não centrado em localização, remote-first, que abre mão do controle e coloca ideias criativas em primeiro plano. A descentralização gera uma cultura de tomada de decisões. Por que esperar dez dias úteis — se você tiver sorte — para o chefe do chefe do seu chefe dar uma opinião sobre uma decisão que já poderia ter sido tomada?
No entanto, descentralização não significa a morte da centralização. Não podemos eliminar todas as formas de coordenação central e esperar ter sucesso. Ainda precisamos de alinhamento — orientação clara, estratégia abrangente e plataformas de colaboração. É por isso que a descentralização é descrita como uma abundância de líderes. Precisamos de uma pluralidade de líderes que defendam os ideais do universo cripto que todos aprendemos a amar, cada um com suas especializações e contribuindo para o todo. O segredo é encontrar o equilíbrio certo sem dar poder demais a uma só pessoa, independentemente de quanto ela seja descolada no Twitter.
Esse equilíbrio é alcançado da melhor forma quando os projetos crescem organicamente pelas pessoas e para as pessoas. A Uniswap começou como um simples formador de mercado automatizado, mas se tornou um protocolo conduzido pela comunidade por meio da participação popular. Na Solana, talvez tenhamos a forma mais pura de liderança descentralizada com a MetaDAO — um coletivo de intelectuais e livres-pensadores que busca reformar a coordenação sob uma governança conduzida pelos mercados. Também podemos olhar para a MonkeDAO e sua abordagem inclusiva e capacitadora à governança, que se tornou o padrão de fato para DAOs na Solana. Ela conta com um processo rigoroso de discussão, análise e votação formal, além de uma equipe de liderança rotativa, para que nenhuma pessoa consiga impor decisões à força. A MonkeDAO também tem uma rede global de embaixadores que abrange América do Norte, Europa e Ásia. Em vez de uma única figura liderando a comunidade, há uma ideia do que significa ser um monke. E ideias são à prova de balas.
Não precisamos mais depender cegamente de uma figura nominal e quase divina para nos conduzir à grandeza. Temos projetos cripto duradouros liderados por inúmeras pessoas que extraem força de uma visão compartilhada. Esses movimentos — ou seja, esses movimentos de base — criam sistemas descentralizados capazes de sobreviver a qualquer colaborador individual. E não, isso não é nenhum papo furado de marketing comunista paz e amor. É a concretização do sonho libertário do indivíduo soberano defendido pelo universo cripto. Eu trabalho para você e para mim; somos todos líderes em perfeita harmonia.
Da base, emergimos
A força dos movimentos de base está em sua abordagem autêntica de baixo para cima. Essas comunidades extraem seu poder da ação coletiva e de um propósito compartilhado. A liderança surge organicamente por meio da contribuição, e não por nomeação, criando sistemas naturalmente descentralizados e resistentes a cultos à personalidade. A Superteam é um exemplo apropriado.
A Superteam é uma comunidade. É uma visão de futuro em que a Solana é liderada por pessoas talentosas e com ideias semelhantes em todo o mundo. É uma cooperativa de criadores, desenvolvedores, investidores e colaboradores que compartilham um objetivo comum: facilitar a contribuição das pessoas e “sair do caminho”. Embora reconheça que toda grande empresa ou projeto contou com a orientação de um bom líder, ela busca criar mais líderes capazes de entregar valor ao mundo, usando os recursos da comunidade como plataforma de lançamento para dar vida às suas ideias. A liderança é fluida e efêmera. O poder flui para quem cria valor, e a autonomia criativa de seus projetos é primordial. E, se surgir alguma discordância, faça um fork da Superteam e comece algo novo.
A Superteam é um movimento de base exemplar. Ela usa a auto-organização para incentivar os membros da comunidade a contribuir e assumir responsabilidade por ela. Sua visão fluida, e não fossilizada, da liderança é genuína, não uma tentativa medíocre de uma DAO fabricar apoio popular para chegar aos holofotes. O poder vem das pessoas — aquelas que comparecem aos eventos, participam de hackathons, trabalham juntas e se divertem construindo ao lado de seus colegas criptonianos.
Isso contrasta fortemente com a mentalidade de culto à personalidade que dominou o mundo cripto. Enquanto os tech bros constroem cuidadosamente suas personas por meio de uma presença calculada nas redes sociais e de demonstrações performáticas de seu lado Chad, comunidades como a Superteam obtêm legitimidade pelo envolvimento genuíno da comunidade e pelo impacto mensurável. A inovação nem sempre precisa de um líder carismático para ter sucesso. Claro, eles ajudam. A Helius não teria o impacto que tem sem Mert. Mas Mert não teria o impacto que tem sem a equipe de elite formada pelos intelectuais que trabalham na Helius. É uma via de mão dupla. Os movimentos de base nos lembram de que os projetos mais resilientes surgem desse delicado equilíbrio entre iniciativa individual e sabedoria coletiva. Uma liderança forte pode coexistir com conhecimento especializado distribuído. Embora ter um líder visível ajude a articular a visão e mobilizar recursos, a verdadeira magia acontece quando essa liderança abre espaço para que os outros brilhem.
Esses tipos de movimento naturalizam o equilíbrio. Eles promovem um ambiente em que a contribuição importa mais do que a influência e criam oportunidades para que vários líderes surjam organicamente. O resultado é um ecossistema mais robusto, sustentado pela força conjunta de muitos. Pense nele como um jardim, não como um monumento. Não precisamos de monólitos ameaçadores que exijam atenção. Precisamos de uma interação complexa e bela entre vários elementos — um ecossistema cuidadosamente equilibrado com girassóis, ervas delicadas, nenúfares, árvores, tulipas e trepadeiras. Plantas diferentes florescerão em estações diferentes. O inverno virá e passará, mas continuaremos dinâmicos, responsivos e resilientes. O universo cripto precisa de mais jardineiros e menos construtores de monumentos — pessoas que entendam que cultivar um ecossistema importa muito mais do que erguer um edifício dedicado à grandeza de um indivíduo. Sim, o reconhecimento é importante, mas não a ponto de criar intensos cultos à personalidade.
Essa mudança em direção à gestão responsável não é apenas filosófica, mas prática. Nenhuma pessoa sozinha pode nos salvar. Os desafios enfrentados pelo universo cripto são grandes demais para qualquer visionário isolado, não importa quão Chad ele seja ou quão inegável seja sua aura. Precisamos da combinação dos conhecimentos de desenvolvedores, economistas, filósofos, usuários, investidores e construtores de comunidades trabalhando em harmonia. Os movimentos de base oferecem o solo fértil para criarmos raízes e florescermos.
“[Q]uem não tem a capacidade de participar de uma comunidade, ou não precisa fazê-lo por sua [própria] autossuficiência, não faz parte da cidade e, como resultado, é uma fera ou um deus” — Aristóteles, Política, 1253a29 (esse cara mandava muito)
O caminho a seguir
Isto não é um chamado para eliminar a liderança — trata-se de reimaginá-la. Como vimos com a Superteam e com o respaldo dos inúmeros outros exemplos culturais analisados ao longo deste artigo, o futuro deve abraçar a fluidez e adotar uma abordagem multipolar. Essa é uma alternativa poderosa aos arquétipos tradicionais que assombram os espectros do progresso, chegando ao tech bro moderno e a seus respectivos cultos à personalidade. Ao cultivar essas abordagens orgânicas e conduzidas pela comunidade, em vez de depositar fé cega em uma pessoa para resolver todos os problemas da vida, podemos construir algo mais sustentável do que qualquer líder carismático conseguiria realizar sozinho.
No fim das contas, tudo se resume a esse desejo humano intrínseco de pertencimento ou, talvez, de sermos um pouco melhores do que fomos ontem. Acreditamos, para o bem ou para o mal, que, se seguirmos aqueles que têm sucesso, alguma forma de autoridade ou uma sensação de poder, estaremos no caminho certo. Precisamos de algo que nos ajude a entender nosso lugar neste mundo. À medida que referências tradicionais como a religião perderam destaque na sociedade, buscamos orientação e significado em outros lugares. É por isso que temos Swifties, TMZ e seu apresentador favorito de talk show noturno moldando o debate popular. Na tecnologia, isso se manifesta nos fanboys de Elon, nos usuários fanáticos do Xbox e nos inúmeros outros guerreiros tribais de plataformas. Pertencer é realmente importante. E, no universo cripto, ampliamos essas necessidades e desejos a níveis sem precedentes, sem qualquer orientação moral. Criamos cultos fervorosos em torno daqueles que afirmam “saber” navegar por essa fronteira selvagem — uma fronteira na vanguarda do progresso — e, em última instância, saber navegar pelo mundo.
O futuro do universo cripto não precisa de mais messias ou de personas online cuidadosamente elaboradas. Você realmente quer outra FTX? Precisamos de mais jardineiros — pessoas dispostas a plantar sementes, cuidar do ecossistema e deixar mil flores desabrocharem. Pare e sinta o perfume das flores. Vá tocar na grama, anon. A verdadeira inovação pode florescer sem o peso sufocante do culto a heróis. E talvez a ideia mais revolucionária de todas seja esta: talvez, só talvez, se conseguirmos superar toda a mitologia do tech bro, possamos enfim concretizar a promessa original das criptomoedas de uma descentralização genuína — não apenas em nossa tecnologia, mas também em nossa liderança.
Acredito em um futuro cripto-otimista — governado por muitos para o benefício de todos. Acredito na economia da propriedade, no poder intrínseco da soberania individual e na força dos números. Acredito em cultivar — trabalhar de forma aberta, compartilhar código, ser transparente e responsabilizar as pessoas. Meus seguidores no Twitter são meus amigos nesta vibrante nova aventura rumo ao futuro da coordenação humana, não liquidez de saída. Questione todas as formas de autoridade e enxergue além do véu dos vendedores de óleo de cobra. Todos têm o poder de liderar. O verdadeiro progresso não está restrito a uma pessoa, mas flui pela sabedoria coletiva do jardim. Somos todos construtores, líderes e guardiões deste ecossistema. O que plantamos hoje se transformará na floresta de amanhã. E, nessa floresta, não quero ver nenhum monumento idiota. Quero sentir o perfume das flores. E espero que você também, anon.
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