
Relatório do Ecossistema Solana (1º semestre de 2025)
Índice
- Insights práticos
- Introdução
- Metodologia
- Fontes de dados
- Estrutura analítica
- Limitações
- Aviso legal
- Integridade e atividade da rede
- Segurança da rede e política monetária
- Disponibilidade e desempenho geral
- Transações com falha
- Descentralização
- Resistência à censura
- Validadores
- Diversidade de clientes
- Governança
- Crescimento do ecossistema de desenvolvedores
- Hackathons da Solana
- Superteam
- Bootcamps, plataformas e recursos educacionais
- Eventos
- Crescimento econômico
- Valor Econômico Real (REV)
- Interesse institucional
- Zonas Econômicas da Solana (SEZs)
- Stablecoins
- DeFi
- Corretoras descentralizadas (DEXs)
- Futuros perpétuos
- Bots de negociação
- Staking líquido
- RWAs
- Avanço institucional dos RWAs na Solana
- Categorias emergentes de RWAs na Solana
- Ferramentas de conformidade
- Tokenização
- Estudos de caso
- DePIN
- Estudos de caso
- IA
- Agentes de IA
- Estudos de caso
- Dispositivos móveis
- Solana Mobile Stack (SMS)
- Smartphones
- Conclusão
Agradecemos muito a Lostin, Brady, Mert e Jacob Creech pela leitura das versões preliminares deste relatório, e a Tzvi Wiesel, Uncle G e kdot por suas análises e comentários sobre seus respectivos estudos de caso.
Insights práticos
Desempenho da rede
- A Solana alcançou mais de 15 meses de operação contínua desde fevereiro de 2024 — sua maior sequência desde o lançamento.
- A Solana processa consistentemente mais de 162 milhões de transações por dia, com taxas medianas bem abaixo de um centavo, mesmo em períodos de pico de demanda, como a euforia em torno de TRUMP em janeiro de 2025.
- A Solana é suficientemente descentralizada quanto ao conjunto de validadores, à distribuição geográfica e por ASN do stake e à variedade de desenvolvedores trabalhando em seus clientes — nenhuma entidade, desenvolvedor, provedor de hospedagem ou país controla a maioria do stake e poderia interromper a rede.
- Os tempos de slot mantêm uma média de aproximadamente 390 ms após o lançamento do Agave 2.1, enquanto o uso de memória da pilha de rede caiu de 2,6 GB para 124 MB.
- A Solana executa diariamente mais transações bem-sucedidas do que todas as outras blockchains juntas.
Domínio econômico
- Desde outubro de 2024, a Solana supera consistentemente todas as outras blockchains em Valor Econômico Real (REV), gerando mais de US$ 550 milhões somente em janeiro de 2025.
- A Solana respondeu por 81% de todas as transações em DEX no setor cripto em 2024, com mais de US$ 890 bilhões em volume de negociação em DEX nos primeiros cinco meses de 2025.
- As gorjetas da Jito representam de 41,6% a 66% do REV da Solana, destacando o amadurecimento da infraestrutura de MEV.
- Mercados locais de taxas evitam o contágio de taxas — durante o lançamento da memecoin de Trump, a taxa mediana da Solana foi de apenas US$ 0,003178.
- As Zonas Econômicas Solana (SEZs) promovem atividade econômica real. A SEZ Argentina gerou mais de 500.000 USDC em Investimento Estrangeiro Direto (IED) e mais de 80 parcerias B2B.
Crescimento de desenvolvedores e do ecossistema
- A Solana superou a Ethereum como principal ecossistema para novos desenvolvedores em 2024, com a entrada de 7.625 novos desenvolvedores e um crescimento de 83%.
- O hackathon Breakout da Colosseum estabeleceu um novo padrão para o setor, com 1.412 inscrições — o maior número já registrado em um hackathon relacionado a blockchain.
- A Superteam, uma comunidade de desenvolvedores, fundadores e beneficiários de subsídios dedicada a acelerar o crescimento da Solana, agora opera em mais de 19 países. Eventos como o Startup Village Toronto geraram mais de 1.210 check-ins.
Adoção institucional
- A CEO da Franklin Templeton chamou a Solana de “uma das primeiras redes voltadas para instituições”.
- Segundo a Polymarket, diversas solicitações de ETFs de SOL feitas por grandes gestoras de ativos têm 91% de chance de aprovação em 2025.
- O CME Group lançou futuros de Solana, com contratos padrão representando 500 SOL e microcontratos representando 25 SOL.
- A R3, que administra mais de US$ 10 bilhões em RWAs, escolheu a Solana para sua convergência de blockchain empresarial.
- Grandes participantes das finanças tradicionais lançaram na Solana versões tokenizadas de seus principais fundos do mercado monetário, incluindo BUIDL da BlackRock, FOBXX da Franklin Templeton e VBILL da VanEck.
Inovação em DeFi
- O TVL de DeFi da Solana permanece em torno de US$ 8–9 bilhões, atrás apenas da Ethereum, com crescimento trimestral de 18%.
- A Jupiter Perps registrou uma média diária de US$ 1 bilhão em volume de negociação de contratos perpétuos no 1º trimestre de 2025, com 79,2% de participação de mercado.
- Bots de negociação respondem por cerca de metade de todos os swaps. A Axiom domina o mercado com 55,2% de participação e gerou mais de nove dígitos em taxas em apenas 117 dias.
- O JitoSOL detém ~39% do mercado de staking líquido e oferece recompensas de staking e MEV.
- O cenário de DeFi ficou cada vez mais competitivo, com novos participantes como Titan, PumpFun, 1inch, Ranger e SolFi, entre outros.
Aplicações no mundo real
- A oferta de stablecoins na Solana cresceu mais de sete vezes em 18 meses, de ~US$ 1,5 bilhão para ~US$ 11,7 bilhões. Somente em maio, a Circle emitiu 1,75 bilhão de USDC na Solana.
- A Helium Mobile conquistou ~300.000 novos assinantes no 1º trimestre, enquanto grandes operadoras perderam ou não conseguiram conquistar tantos assinantes no mesmo período.
- A Hivemapper mapeou um terço da malha viária global, ou seja, mais de 540 milhões de km, com mais de 160.000 colaboradores.
- A Baxus relata um aumento de 11.500% nos pagamentos em criptomoedas e crescimento de 50 vezes no número de compradores internacionais de bebidas alcoólicas premium tokenizadas.
Infraestrutura e conformidade
- As Token Extensions viabilizaram tokens permissionados em uma rede sem permissão, incluindo transferências confidenciais e lógica personalizada de conformidade no nível do protocolo.
- O Solana Policy Institute foi criado para formalizar a atuação em políticas públicas, e o Project Open foi apresentado à SEC para viabilizar a negociação de valores mobiliários em blockchain de forma compatível com as normas.
- Além do Agave, vários clientes de validadores independentes estão em desenvolvimento, como Firedancer, que detém aproximadamente 7% do stake na mainnet, e Mithril.
- A reformulação do consenso Alpenglow deve reduzir a finalidade das transações para 100–150 ms e o requisito de rentabilidade dos validadores de ~US$ 800.000 para ~US$ 75.000.
Introdução
As blockchains chegaram a um ponto de inflexão. Após anos de experimentação, especulação e whitepapers, o foco passou das promessas teóricas para resultados concretos. As redes são avaliadas pela capacidade de atender ao uso no mundo real em grande escala e, ao mesmo tempo, manter a acessibilidade para usuários comuns. A Solana despontou como líder indiscutível dessa nova era.
A Solana provou ter sido criada para escalar, pois processa regularmente volumes superiores aos de todos os outros ecossistemas juntos. Enquanto concorrentes enfrentam congestionamento e taxas proibitivas durante picos de uso, a Solana processa consistentemente mais de 162 milhões de transações por dia, com taxas medianas inferiores a um centavo e nenhuma indisponibilidade nos últimos quinze meses.
Desde outubro de 2024, a Solana supera consistentemente todas as outras blockchains em Valor Econômico Real (REV), gerando mais de US$ 550 milhões somente em janeiro de 2025. Em 2024, a Solana respondeu por 81% de todas as transações em exchanges descentralizadas (DEXs) do setor de criptomoedas. A Solana superou a Ethereum como principal ecossistema para novos desenvolvedores em 2024, com a entrada de mais de 7.600 desenvolvedores e crescimento de 83%. O interesse institucional na Solana é inegável: ela foi elogiada como “uma das primeiras redes voltadas para instituições”, e grandes gestoras de ativos correm para organizar seus ETFs de Solana diante de um ambiente regulatório mais favorável. As dApps da Solana — seja uma empresa de infraestrutura sem fio descentralizada que supera amplamente as grandes operadoras dos EUA no crescimento de assinantes, seja um agente autônomo milionário que administra ativos — representam disrupções fundamentais em setores avaliados em trilhões de dólares.
A convergência entre clareza regulatória, adoção institucional e capacidade técnica comprovada coloca a Solana no centro da transformação mais significativa da infraestrutura financeira desde o surgimento da própria Internet. Levar os mercados de capitais tradicionais ao mundo digital definirá a próxima década. A Solana é a única blockchain atualmente preparada para fazer isso com sucesso.
Este relatório apresenta uma análise abrangente do estado atual da Solana em meados de 2025. Examinamos seus fundamentos técnicos, sua dinâmica econômica e os principais desenvolvimentos do ecossistema que consolidaram a Solana como a principal plataforma para aplicações no mundo real. As conclusões demonstram o domínio atual da Solana e suas vantagens estruturais para capturar a oportunidade de vários trilhões de dólares na tokenização de instrumentos financeiros e ativos do mundo real.
Metodologia
Este relatório apresenta uma análise abrangente do estado atual da Solana em meados de 2025. Ele examina as principais verticais que definem a trajetória de crescimento e a posição atual do ecossistema no mercado. Métricas quantitativas da rede e desenvolvimentos qualitativos do ecossistema são analisados para oferecer insights práticos a usuários, desenvolvedores, investidores e todas as demais partes interessadas.
Como esta é nossa primeira análise abrangente do estado atual da Solana, forneceremos informações contextuais em diversas áreas importantes, como o que constitui uma transação “com falha”, o que é a Superteam e como funciona a governança da Solana.
Fontes de dados
As principais fontes de dados incluem:
Todos os conjuntos de dados usados na análise estão disponíveis na Planilha Google que acompanha o relatório, com exceção de alguns dados próprios compartilhados diretamente pelos projetos, como as métricas de adoção off-chain no estudo de caso da Shaga. As fontes secundárias abrangem diversos materiais, incluindo publicações em redes sociais e documentação oficial. Sempre que possível, essas fontes externas estão vinculadas ao longo do relatório. O código usado para analisar a descentralização dos desenvolvedores é open source e está disponível no GitHub.
Estrutura analítica
Este relatório avalia a base técnica da Solana por meio de uma análise da integridade e da atividade da rede, examinando disponibilidade, confiabilidade, taxa de transferência de transações e estruturas de taxas. A seção seguinte sobre descentralização explora a resistência à censura, o conjunto de validadores da Solana, a diversidade de clientes, os desenvolvedores do ecossistema e o processo de governança.
As demais seções abordam as principais verticais da Solana, desde avanços em DePIN até IA. Cada vertical é analisada sob várias perspectivas, incluindo, entre outras, métricas de adoção, indicadores de inovação, posicionamento competitivo e ambiente regulatório. Essas seções também podem incluir estudos de caso que analisam projetos relevantes ou novos e promissores em suas respectivas verticais. Esses estudos são selecionados com base no impacto no mercado, inovação técnica, utilidade no mundo real e importância estratégica.
Limitações
Este relatório reconhece várias limitações metodológicas e analíticas que devem ser consideradas pelos leitores. Elas incluem:
- Restrições temporais: este relatório retrata o estado da Solana em meados de 2025, oferecendo um panorama de um ecossistema em rápida evolução. Devido a esse ritmo acelerado, alguns dados, parcerias, métricas e avanços tecnológicos podem ter mudado até o momento da publicação ou depois dela.
- Disponibilidade e qualidade dos dados: embora usemos várias fontes confiáveis e incluamos muitos links, há limitações quanto à integridade e à precisão dos dados. Alguns dados próprios foram compartilhados diretamente pelos projetos e não podem ser verificados de forma independente. Embora transparentes, as métricas on-chain não apresentam necessariamente o quadro completo da atividade off-chain nem fornecem todo o contexto dos padrões de comportamento dos usuários.
- Comparações entre redes: as comparações com outras blockchains dependem de dados públicos que podem ser medidos ou apresentados de maneira diferente em cada ecossistema. Sempre que necessário, fornecemos o contexto e as fontes usadas nessas comparações.
- Viés de seleção: os estudos de caso e exemplos de projetos foram selecionados com base no impacto no mercado, inovação técnica, utilidade no mundo real, importância estratégica e disponibilidade de recursos técnicos. Isso pode gerar viés em favor de projetos mais visíveis, bem financiados ou publicamente ativos, enquanto iniciativas menores ou menos públicas podem estar sub-representadas.
Apesar dessas limitações, acreditamos que este relatório oferece insights valiosos sobre a posição e a trajetória atuais da Solana, com base nos melhores dados disponíveis publicamente.
Aviso legal
As informações fornecidas nesta publicação, incluindo, entre outras, pesquisas, análises, dados ou outros conteúdos, são oferecidas exclusivamente para fins informativos e não constituem oferta, solicitação ou recomendação de compra ou venda de criptomoedas, valores mobiliários ou outras commodities. Elas não constituem consultoria de investimentos. A Helius Blockchain Technologies, Inc. não oferece nenhum tipo de aconselhamento por meio deste relatório, de seu site ou de publicações em redes sociais. As informações deste relatório ou de qualquer publicação não devem ser usadas nem consideradas na avaliação dos méritos de qualquer investimento.
Os leitores devem buscar orientação independente de um profissional qualificado para questões comerciais, financeiras, jurídicas ou outras relacionadas a qualquer investimento.
Integridade e atividade da rede
Segurança da rede e política monetária
A Solana é uma rede de Prova de Participação Delegada protegida por stakers e validadores. Os stakers delegam seus SOL a validadores que protegem a rede em troca de rendimento. As recompensas de staking derivam de uma combinação de SOL recém-emitidos, ou seja, recompensas de inflação, e taxas de transação, geralmente proporcionando retornos anuais de 6% a 8%. Os validadores são responsáveis por propor blocos e votar neles. Eles controlam os tokens bloqueados pelos delegadores, que constituem seu stake na rede.
Segundo o Solana Explorer oficial, no momento da redação, o token nativo da Solana (SOL) tem uma oferta total de 602.704.761, com 524.924.686 SOL, ou 87,1%, em circulação. ~394,4 milhões de SOL são considerados ativos, ou seja, participam do consenso, e apenas ~0,1% estão inadimplentes. Aproximadamente 65% da oferta total de SOL está em staking, representando cerca de US$ 60,34 bilhões. Isso oferece garantias robustas de segurança e supera outras blockchains, como Celestia (~55%) e Ethereum (~29%). Interromper ou censurar a Solana exigiria o controle de aproximadamente 130 milhões de SOL, ou ~US$ 20,1 bilhões considerando SOL a US$ 155. Abordamos isso em mais detalhes na seção Resistência à censura.
A Solana usa uma política monetária desinflacionária criada para equilibrar os incentivos à segurança da rede com a preservação do valor de SOL no longo prazo. Para isso, usa um cronograma de inflação, ativado no slot 64800004 durante a época 150. O cronograma começa com uma taxa de 8%, reduzida em 15% ao ano, ou a cada 182,5 épocas, até atingir uma taxa de inflação de longo prazo de 1,5%. No momento da redação, a taxa de inflação da Solana é de ~4,48%.
A inflação da Solana tem sido alvo frequente de críticas e desinformação, com preocupações de que seria alta demais. O SIMD-228 foi um Documento de Melhoria da Solana (SIMD) que propôs introduzir um mecanismo de inflação baseado no mercado. Esse mecanismo substituiria o atual cronograma desinflacionário fixo por um modelo dinâmico, mais sensível à participação na rede. O SIMD-228 não foi aprovado na votação de governança, pois muitos temiam que sua implementação afetasse negativamente o conjunto de validadores da Solana e sua rentabilidade. Abordamos isso em mais detalhes na seção sobre a Governança da Solana.
Disponibilidade e desempenho geral
A Solana já alcançou mais de 15 meses de operação contínua desde fevereiro de 2024 — sua maior sequência desde o lançamento e uma mudança radical em relação aos primeiros anos da rede. A página de status da Solana mostra que todos os sistemas estão operacionais, com 100% de disponibilidade nos últimos 90 dias.
Esse histórico contrasta fortemente com os primeiros dias da Solana, quando a rede sofreu várias interrupções, sendo a mais longa de cerca de 19 horas. Essa transformação não aconteceu por acaso. No passado, melhorias importantes como QUIC e Qualidade de Serviço Ponderada por Stake (SWQoS) foram implementadas para lidar com cenários de tráfego intenso que antes sobrecarregariam a rede.
Mais recentemente, a equipe de desempenho da Anza vem eliminando implacavelmente ineficiências para tornar a Solana mais eficiente do que nunca. Por exemplo:
- O uso de memória da pilha de rede TPU QUIC no Agave foi reduzido de 2,6 GB para 124 MB.
- O tráfego de gossip na mainnet caiu 61% nos últimos meses.
- Os tempos de slot agora ficam consistentemente abaixo de 400 ms, com média de aproximadamente 390 ms no Agave 2.1.
- Com as melhorias mais recentes, incluindo as últimas mudanças de latência que, espera-se, entraram no Agave 2.3, o Agave agora pode reproduzir todo o tráfego atual da mainnet em uma única thread.
Os números falam por si. Com endereços ativos variando de 2,7 milhões a 5,2 milhões no último ano e a Solana processando entre 162,9 e 416,9 milhões de transações totais por dia, a Solana processou um tráfego que teria incapacitado versões anteriores da rede e supera regularmente todo o ecossistema Ethereum e o Bitcoin.
Transações com falha
As transações com falha continuam sendo alvo frequente de críticas. Atualmente, elas representam de 35% a 40% das transações na Solana. Uma transação com falha não indica necessariamente um problema de funcionamento da rede. Em vez disso, deve ser considerada parte do projeto da rede para garantir seu funcionamento correto e proteger os usuários.
Essa é principalmente uma questão de semântica.
Por exemplo, a Blockworks chama esse tipo de transação de revertida.
Com esse entendimento, as transações podem ser agrupadas em executadas e descartadas:
Transações executadas
- Executada com sucesso: transação incluída com sucesso em um bloco, sem erros. Sua execução altera o estado.
- Executada, mas com falha (revertida): transação processada, mas que não altera o estado devido a condições não atendidas, como um swap de tokens que não foi executado porque excedeu o slippage.
Transações descartadas
- Não inclusão: transações que não são incluídas em um bloco devido a problemas como a indisponibilidade do líder.
Transações descartadas são problemáticas porque não são incluídas, enquanto todos os casos de transações executadas resultam em inclusão. As transações com falha pertencem à categoria “executada, mas com falha”. Pense nelas como uma chamada de API que retorna algo diferente de um código de status 200. A chamada foi feita com sucesso e usou recursos da rede, mas não conseguiu publicar nem retornar os dados desejados.
As transações “com falha” são executadas corretamente pelo runtime e exatamente como o remetente pretendia. A maioria contém instruções condicionais equivalentes a “faça X e, se X não for lucrativo o suficiente, faça a transação falhar”.
Isso não significa, porém, que devemos ignorar as transações com falha como métrica, mesmo que ocorram on-chain, gerem taxas e usem recursos da rede — elas podem indicar problemas sistêmicos causados por eventos na rede.
Por exemplo, uma análise do aumento das transações com falha entre 9 e 23 de março de 2024 mostraria que a maioria desses erros ocorreu no programa AMM da Raydium e correspondia a erros InvalidParamsSet, ou seja, a AMM tentava ajustar seus parâmetros em resposta ao alto volume, mas não conseguia devido às rápidas mudanças nas condições do mercado, e ExceededSlippage. Tudo isso coincidiu com o aguardado lançamento da Dogwifhat (WIF).
Picos de transações com falha costumam estar correlacionados a períodos de intensa atividade na rede. Recentemente, essas transações se estabilizaram à medida que a rede e os programas implantados nela amadureceram em resposta às preocupações com escalabilidade. Para os usuários, a maioria das aplicações implementa lógica sofisticada de repetição e ajustes dinâmicos de slippage para minimizar falhas visíveis. Embora o índice de 35% a 40% pareça alto, ele deve ser considerado no contexto de uma Solana que processa pelo menos 162 milhões de transações por dia. Isso significa que a Solana executa diariamente mais transações bem-sucedidas do que a maioria das outras blockchains processa no total.
Em última análise, as transações com falha são um preço de transparência que a Solana paga por sua velocidade e abertura. A abordagem da Solana oferece visibilidade completa de toda a atividade da rede e registra com precisão a atividade dos usuários e a utilização da rede, ao contrário de outras redes que filtram transações com falha antes da inclusão on-chain.
Descentralização
Descentralização é um termo complexo, cheio de nuances e difícil de definir de forma simples. Para um cientista da computação, pode significar a ausência de pontos únicos de falha em um sistema distribuído. Para um investidor, pode representar resistência à captura regulatória ou à censura. Para um cientista político, pode significar a dispersão do poder para longe de uma entidade centralizada. Cada perspectiva tem seu valor, mas nenhuma delas, isoladamente, capta o verdadeiro significado de uma blockchain descentralizada.
Para este relatório, em vez de buscar uma definição única, a análise examina a descentralização por diferentes perspectivas complementares para apresentar uma visão abrangente do estado atual da descentralização da Solana. A rede é avaliada em várias dimensões, incluindo:
- Resistência à censura
- Conjunto atual de validadores da Solana
- Diversidade de clientes
- Governança
Essa abordagem multifacetada reconhece que a descentralização existe em um espectro, e não como uma condição binária. Dada a trajetória atual da rede, entender onde a Solana se encontra nesse espectro é essencial para todos os participantes do ecossistema.
Resistência à censura
Censura é impedir que uma aplicação ou um usuário acesse ou modifique o ledger de uma blockchain. Em uma rede resistente à censura, torna-se cada vez mais difícil censurar aplicações ou usuários, seja por incompetência, falhas técnicas ou atividade maliciosa. Isso costuma ser quantificado pelo Coeficiente de Nakamoto da blockchain, ou seja, o número mínimo de entidades que precisariam agir em conluio para comprometer a rede.
Na Solana, chamamos de superminoria o número mínimo de nós necessário para comprometer a rede. Em conjunto, a superminoria controla mais de 33% do stake total e pode interromper a rede. Segundo o Orb, a superminoria da Solana atualmente é de aproximadamente 21.
Interromper ou censurar a Solana exigiria o controle de aproximadamente 130 milhões de SOL, ou ~US$ 20,1 bilhões considerando SOL a US$ 155. Esse limite econômico cria um forte desincentivo financeiro a ataques de censura, dada a facilidade com que podem ser identificados e punidos. Adquirir essa quantidade de SOL também elevaria o preço, tornando tal ataque proibitivamente caro.
O Coeficiente de Nakamoto da Solana é comparável ao de outras blockchains, colocando-a perto do meio da classificação entre seus pares do setor. A Polkadot foi removida por ser um caso atípico relevante, com Coeficiente de Nakamoto de 177. Esse valor é muito superior ao de outras blockchains, principalmente devido às suas escolhas técnicas e econômicas, como Prova de Participação nomeada, sharding e incentivos à distribuição de stake.
Embora alguns operadores administrem publicamente vários validadores — por exemplo, a Coinbase tem dois validadores na superminoria da Solana e publicou recentemente seu relatório de desempenho dos validadores — esses dados não consideram uma única entidade que opere vários validadores anonimamente. Portanto, o verdadeiro Coeficiente de Nakamoto de cada rede provavelmente é menor.
Validadores
Um conjunto de validadores demonstra descentralização saudável quando três condições são atendidas: acessibilidade econômica, distribuição geográfica e diversidade de rede. Em outras palavras, seus requisitos de votação e hardware não devem tornar a operação de um validador proibitivamente cara; os validadores devem estar distribuídos por vários países para resistir a interferências regionais; e devem usar diferentes provedores de hospedagem para evitar a concentração da infraestrutura.
No momento da redação, o conjunto total de validadores da Solana tem cerca de 1.276 validadores. São validadores que executam um cliente válido e têm stake diferente de zero na época atual. O conjunto de validadores ativos da Solana tem aproximadamente 1.083 validadores. Consideramos ativos os validadores que executam um cliente válido, têm stake diferente de zero na época atual e votaram nos últimos 100.000 slots.
Atualmente, a Helius opera o principal validador da Solana, com aproximadamente 13,2 milhões de SOL em staking, o equivalente a cerca de 3,35% do peso total do stake. Em seguida vêm a Binance, com ~12,6 milhões de SOL, a Galaxy, com ~9,3 milhões de SOL, e a Ledger by Figment, com ~8,7 milhões de SOL. Helius, Jupiter e um validador privado no endereço 8Pep3…14pW são os únicos validadores da superminoria que operam com taxa de comissão de 0%.
Para quem se interessa pelos aspectos técnicos da operação de um validador, oferecemos um guia completo: Como configurar um validador da Solana. O artigo aborda todo o processo, desde a configuração de uma conta de votação até a publicação das informações do validador. Também temos Economia dos validadores da Solana: uma introdução, que explica como os validadores geram receita, distribuem recompensas e arcam com custos operacionais.
Requisitos de votação
Não há uma quantidade mínima rígida de SOL para operar um validador na Solana. No entanto, é necessária uma conta de votação para participar do consenso. O envio de transações de voto, ou seja, votar para participar do consenso, gera um custo diário de até 1,1 SOL.
No entanto, isso provavelmente mudará no futuro com o anúncio do Alpenglow, um novo protocolo de consenso que eliminaria completamente as taxas de votação.
Se for implementado na forma atualmente proposta, o Alpenglow reduziria a quantidade mínima de SOL necessária para que validadores fossem rentáveis de ~4.850 SOL (~US$ 800 mil) para ~450 SOL (~US$ 75 mil), segundo estimativa feita com a Calculadora de Rentabilidade de Validadores da Cogent Crypto. Essa mudança teria implicações profundas para a viabilidade econômica dos validadores de cauda longa da Solana.
Requisitos de hardware
Historicamente, a Solana foi criticada por seus altos requisitos de hardware em comparação com outras redes. No entanto, esses requisitos agora são muito menores do que antes e continuarão diminuindo ao longo do tempo, à medida que a Solana escala junto com o hardware, graças ao paralelismo, aos ganhos de eficiência do software, à curva de preços da Lei de Moore e à diversidade de clientes. Mesmo assim, já é possível operar um validador doméstico.
A Anza apresenta as seguintes especificações recomendadas para operar um validador Agave:
- CPU
- 12 núcleos/24 threads ou mais. Para operar um nó RPC, recomenda-se 16 núcleos/32 threads ou mais
- Frequência base de 2,8 GHz, no mínimo. Uma frequência maior é preferível a mais núcleos
- Suporte a instruções de extensão SHA
- AMD Gen 3 ou mais recente
- Intel Ice Lake ou mais recente
- Suporte a instruções AVX2 para usar binários oficiais — caso contrário, compile-os por conta própria
- O suporte a AVX512f é útil
- RAM
- 256 GB. Para todos os índices de contas em um nó RPC, recomenda-se 512 GB ou mais
- Código de correção de erros (ECC)
- Disco
- 4 SSDs NVME PCIe Gen3 ou melhores, um para cada item:
- Contas: 500 GB ou mais (alto total de bytes gravados)
- Ledger: 1 TB ou mais (alto total de bytes gravados)
- Snapshots: 250 GB ou mais (alto total de bytes gravados)
- SO (opcional): 500 GB ou mais. SATA também é aceitável
- O SO pode ser instalado no disco do ledger, embora o desempenho melhore quando o ledger fica em um disco dedicado
- Embora seja possível, não é recomendável armazenar as contas e o ledger no mesmo disco
- Os SSDs das séries Samsung 970 e 980 Pro são populares entre a comunidade de validadores
- 4 SSDs NVME PCIe Gen3 ou melhores, um para cada item:
- GPU
- Não é necessária no momento
O serviço de Internet deve ser comercial, simétrico e ter pelo menos 1 Gbit/s. Recomenda-se 10 Gbit/s.
Hoje, um entusiasta dedicado com aproximadamente US$ 4.000 e uma conexão de fibra de 1 Gbit/s poderia operar um validador. No entanto, atualmente a maioria dos operadores prefere usar um servidor bare metal em um data center.
Distribuição geográfica
O conjunto de validadores de uma blockchain deve estar distribuído por vários países em diferentes continentes para resistir a ataques coordenados, interferências regulatórias ou falhas de infraestrutura que afetariam negativamente os validadores de uma única região.
O conjunto de validadores da Solana abrange 41 países, demonstrando uma distribuição geográfica razoável. A Alemanha lidera com 23% do stake total, seguida pelos EUA e pelos Países Baixos, ambos com 17%. Esses três países controlam cerca de 57% do stake, indicando concentração geográfica moderada. Os 43% restantes estão distribuídos entre Reino Unido (12%), Lituânia (6%), Japão (4%), Canadá (4%) e percentuais menores na Escandinávia, no sul da Europa e na Ásia.
Essa distribuição oferece resiliência contra medidas regulatórias ou interrupções de infraestrutura específicas de um país. No entanto, a concentração na Europa Ocidental e na América do Norte chega a aproximadamente 70%. Isso pode gerar riscos sistêmicos caso sejam tomadas medidas regulatórias coordenadas nessas regiões. A parcela relativamente pequena de stake em locais como o Japão, onde existe uma comunidade Solana emergente, indica espaço para melhorias.
A análise da distribuição por cidade revela uma concentração ainda maior. As três principais cidades — Frankfurt (19%), Amsterdã (16%) e Londres (12%) — hospedam juntas 47% do stake total. Com Vilnius (6%), Tóquio (4%) e Ashburn (4%), as seis principais cidades controlam cerca de 61% de todo o SOL em staking. Essa concentração reflete a preferência da comunidade de validadores por data centers consolidados e pela proximidade física com validadores de alto stake.
A concentração geográfica atual decorre, em parte, da arquitetura técnica da Solana, que oferece incentivos econômicos à colocalização. Por exemplo, a Jito opera seis mecanismos de blocos no mundo para os quais os searchers podem enviar transações: três na Europa (Amsterdã, Frankfurt e Londres), dois nos EUA (Nova York e Salt Lake City) e apenas um na Ásia (Japão). Para minimizar a latência e maximizar o MEV, os validadores são incentivados a se instalar próximos uns dos outros, pois podem receber envios de bundles com mais rapidez, processá-los com maior eficiência e ter mais chances de incluir bundles com gorjetas altas em seus blocos. Como as gorjetas da Jito representam uma parte substancial do Valor Econômico Real (REV) da Solana, os validadores têm incentivos econômicos para otimizar sua localização geográfica.
Combinadas às propriedades da Qualidade de Serviço Ponderada por Stake (SWQoS), que prioriza transações de validadores com mais stake, essas condições criam um ciclo que se reforça: novos validadores se beneficiam ao se agrupar perto de operadores estabelecidos, em vez de diversificar geograficamente. O futuro lançamento de Vários Líderes Simultâneos poderá reduzir os incentivos atuais ao agrupamento e promover um conjunto de validadores mais distribuído ao longo do tempo.
Distribuição por ASN
O conjunto de validadores de uma blockchain deve estar distribuído entre vários Números de Sistema Autônomo (ASNs) para evitar pontos únicos de falha na infraestrutura. Um Sistema Autônomo (AS) consiste em uma rede de servidores identificada por um número de roteamento exclusivo, conhecido como ASN. Um único ASN pode abranger vários locais físicos, dependendo da configuração interna da rede e dos roteadores. Concentrar o stake em poucos ASNs pode criar riscos sistêmicos caso esses provedores sofram interrupções, falhas de rede, problemas de hardware ou pressão regulatória.
O conjunto de validadores da Solana apresenta distribuição moderada entre provedores de hospedagem. Teraswitch (20%) e Latitude.sh (19%) detêm juntas 39% do stake total. Incluindo a UAB Cherry Servers (9%), os três principais provedores controlam quase metade de todo o SOL em staking. No entanto, o stake restante está bem distribuído entre uma combinação saudável de empresas especializadas em infraestrutura de blockchain, provedores tradicionais de hospedagem, plataformas de nuvem e provedores especializados em bare metal.
Os validadores de cauda longa conseguiram se diversificar para além das grandes plataformas de nuvem, com dezenas de ASNs hospedando entre 1% e 3% do stake cada. Considerando a concentração do stake da Solana e os provedores confiáveis disponíveis nessas regiões, essa distribuição equilibra eficiência operacional e resiliência da infraestrutura.
Para o futuro, as melhorias de infraestrutura continuam evoluindo. A DoubleZero é uma rede neutra de camada base que usa cabos submarinos dedicados de fibra óptica para oferecer uma forma mais rápida e previsível de rotear transações, solicitações RPC e pacotes de rede. Em outras palavras, a DoubleZero é uma Internet mais rápida e moderna, criada especificamente para blockchains. Atualmente, 1,5% de todo o stake está operando em sua testnet. Essa adoção inicial demonstra o interesse da comunidade de validadores em inovações de infraestrutura que podem reduzir a latência, o agrupamento por ASN e os incentivos à colocalização, potencialmente criando um conjunto de validadores mais distribuído conforme os operadores de nós migrarem para a rede da DoubleZero.
Diversidade de clientes
Uma rede blockchain é considerada suficientemente descentralizada quando tem vários clientes desenvolvidos por diferentes equipes. Dentro dessas equipes, a descentralização dos desenvolvedores é essencial: deve-se minimizar a dependência de colaboradores individuais e o risco de pessoas-chave, ou seja, a possível perda de valor, desempenho ou reputação caso uma pessoa essencial deixe o projeto.
No momento da redação, segundo o Orb, que apresenta dados da Stakewiz sobre a distribuição de clientes, 83% dos validadores ativos executam um cliente Jito-Agave, 9% executam um cliente Agave e 8% executam um cliente Firedancer na época 807. Desse total, 82,7% executam Jito 2.2.16, 7,4% executam Agave 2.2.16, 6,2% executam Firedancer 0.505.20216 e os 3,7% restantes executam uma combinação de outras versões de clientes.
O uso de Firedancer aqui se refere ao Frankendancer — um cliente híbrido que usa a pilha de rede do Firedancer e o Agave para consenso e execução.
Veja abaixo um detalhamento de todas as implementações atuais de clientes:
Agave
O Agave é um fork do cliente original da Solana Labs, escrito em Rust e desenvolvido ativamente pela Anza, a principal empresa de desenvolvimento de software dedicada à Solana. A Anza foi criada por ex-executivos e engenheiros principais da Solana Labs. Sua criação representa uma iniciativa estratégica para fortalecer o ecossistema Solana por meio de uma equipe dedicada ao cliente de validadores e às ferramentas da Solana, enquanto a Solana Labs direciona sua atenção para dispositivos móveis, inovação de produtos e distribuição.
Embora o Agave represente apenas cerca de 9% do uso direto, sua importância vai muito além disso. Tanto a Jito quanto componentes do Frankendancer são construídos sobre o código do Agave, que funciona como implementação de referência para consenso, execução e comunicação de rede na Solana.
A gestão do Agave pela Anza garante o desenvolvimento contínuo do protocolo, a correção de bugs, a implementação de recursos e melhorias de desempenho que beneficiam todo o ecossistema, independentemente do cliente escolhido pelos validadores.
O Agave tem 637 colaboradores e 28.853 commits no total. Após filtrar bots, como o Dependabot, um bot automatizado de dependências integrado diretamente ao GitHub, o Agave tem 633 colaboradores e 25.171 commits. Um grupo relativamente pequeno de desenvolvedores — formado por engenheiros seniores e cofundadores da Solana — é autor da grande maioria desses commits. No entanto, também há contribuições significativas da comunidade mais ampla de desenvolvedores, incluindo colaboradores independentes, equipes do ecossistema e desenvolvedores de organizações além da Anza, o que reflete um modelo saudável de desenvolvimento open source.
Embora a Anza gerencie o Agave, essa ampla base de colaboradores garante que seu desenvolvimento não dependa de poucas pessoas. Curiosamente, Michael Vines e Greg Fitzgerald respondem por 23% dos commits do Agave. No entanto, eles não trabalham mais ativamente no protocolo, o que demonstra a resiliência do Agave ao risco de pessoas-chave. Isso sem contar outros grandes colaboradores listados que também não trabalham mais no Agave, como Tyera Eulberg e Jack May. Esse nível é suficientemente descentralizado em comparação com clientes de outros ecossistemas, como o cliente Nethermind da Ethereum, em que dois desenvolvedores respondem por mais de 50% do total de commits, ou o Geth, em que três desenvolvedores respondem por mais de 50% do total de commits.
Jito
A Jito é uma versão modificada do cliente Agave, desenvolvida pela Jito Labs, que implementa a funcionalidade de Valor Máximo Extraível (MEV) diretamente no nível do validador. O cliente Jito permite que validadores participem da extração de MEV por meio de um mecanismo de blocos integrado que leiloa espaço em blocos para searchers e arbitradores. Os usuários podem agrupar até cinco transações e enviá-las ao mecanismo de blocos da Jito com uma gorjeta. Os produtores de blocos são incentivados a “vencer” esses bundles por causa da gorjeta incluída, e os bundles vencedores têm execução garantida no bloco seguinte, em ordem e de forma integral ou nula. Isso cria uma fonte adicional de receita para os validadores, além das recompensas tradicionais de staking.
O domínio do cliente, com adoção de ~83%, reflete tanto os incentivos econômicos oferecidos aos validadores quanto a maturidade de sua infraestrutura de MEV. Como os bundles da Jito são o principal método usado pelos searchers para garantir uma ordenação lucrativa das transações, os validadores executam a Jito para obter rendimentos maiores por meio de gorjetas de MEV.
A Jito tem uma distribuição de commits semelhante à do Agave, como seria esperado, já que é um fork do código do Agave. O cofundador da Solana Michael Vines continua sendo o principal colaborador, com 16%, apesar de não trabalhar mais no protocolo. Jeff Washington, com 8%, e outros desenvolvedores principais também mantêm participação significativa no código. A categoria “Outros”, com 34%, é ligeiramente maior e representa contribuições da Jito Labs e de colaboradores da comunidade focados na infraestrutura de MEV.
A ampla adoção da Jito efetivamente padronizou o MEV como parte da economia dos validadores da Solana. Isso, somado ao fato de que o cliente da Jito é um fork do Agave, levanta dúvidas sobre os possíveis riscos de centralização decorrentes do domínio completo de um cliente sobre o conjunto de validadores.
Firedancer
Firedancer é um cliente de validadores novo e totalmente independente, desenvolvido em C pela equipe Firedancer da Jump Crypto. Ao contrário dos outros clientes, esta é a primeira reimplementação completa da Solana.
Uma versão híbrida conhecida como Frankendancer representa atualmente cerca de 8% dos validadores ativos. O Frankendancer combina a pilha de rede otimizada do Firedancer com o código do Agave para consenso e execução. A equipe do Firedancer vem substituindo gradualmente os componentes do Agave no Frankendancer para garantir uma transição fluida entre Frankendancer e Firedancer.
O Firedancer tem 99 colaboradores e 5.565 commits no total, com um modelo de colaboração mais concentrado do que Agave e Jito. Richard Patel lidera o desenvolvimento e é autor de 26% de todos os commits, seguido por Kevin Bowers, com 11%. Os demais colaboradores representam percentuais individuais menores. A categoria “Outros” representa apenas 18%, muito abaixo do Agave (31%) e da Jito (34%). Além disso, quase todos os colaboradores tinham um e-mail associado à Jump Trading. O Firedancer é um projeto essencialmente greenfield desenvolvido pela Jump Crypto, no qual o profundo conhecimento do domínio e a consistência arquitetural de uma equipe específica têm prioridade sobre contribuições amplas da comunidade. A distribuição de commits do Firedancer demonstra a abordagem de desenvolvimento focada típica de projetos de infraestrutura financeira em que o desempenho é crítico.
Aproveitando sua experiência em negociação de alta frequência, a equipe do Firedancer está comprometida em desenvolver o cliente de validadores de melhor desempenho de qualquer blockchain. Com capacidade para processar um milhão de transações por segundo por tile, ou seja, um processo individual com função definida, na entrada da rede, muitos aguardam a transição para o cliente Firedancer completo na mainnet.
Mithril
O Mithril é um nó completo da Solana implementado em Go. Ele funciona como um “nó completo de verificação”, com requisitos de hardware inferiores aos de validadores e nós RPC. O Mithril foi construído sobre as bases do Radiance e é desenvolvido ativamente pela equipe Overclock Validator, com a maioria dos commits feita por Shaun Colley.
O Mithril está em desenvolvimento ativo e superou seu primeiro marco de reimplementar a Solana Virtual Machine (SVM) em Go. Avanços significativos foram anunciados recentemente na conferência Accelerate, incluindo a notícia de que em breve os usuários poderão verificar completamente a Solana usando hardware comum. No mês anterior ao anúncio, o Mithril conseguiu processar blocos equivalentes a várias épocas sem nenhuma divergência de bankhash. O Mithril verificou blocos da época 781 a aproximadamente 450 ms por bloco, atingindo um pico de cerca de 8 GB de RAM durante o snapshot para AccountsDB usado na construção do processo e mantendo um uso estável de aproximadamente 3 GB de RAM durante a reprodução dos blocos. Em termos simples, em breve qualquer pessoa poderá verificar blocos da Solana próximos à ponta da rede usando hardware comum. Como disse Anatoly, CEO da Solana Labs e cofundador da Solana: “Alguém tem um Raspberry Pi com 8 GB de RAM?” O futuro da verificação na Solana é promissor.
A diversidade do cenário de clientes demonstra o amadurecimento da infraestrutura da Solana, com cada implementação atendendo a diferentes prioridades de otimização, desde a extração de MEV até a execução de um nó de verificação completo em hardware de uso pessoal. Embora o domínio da Jito levante algumas preocupações, o desenvolvimento contínuo de várias implementações independentes de clientes fortalece a rede e permite que operadores de validadores escolham o cliente mais alinhado às suas necessidades e expectativas para o futuro da Solana.
Governança
A governança da Solana pode ser descrita como um sistema de votação on-chain ponderado por stake, no qual os validadores votam a favor, contra ou se abstêm de votar em determinadas propostas. Essas propostas são conhecidas como Documentos de Melhoria da Solana (SIMDs).
Os SIMDs podem ser divididos em dois tipos: SIMDs Padrão e Meta SIMDs. Os SIMDs Padrão afetam a maioria ou todas as implementações da Solana, como alterações no código principal, na rede ou nas interfaces. Os Meta SIMDs afetam um processo relacionado à Solana ou uma alteração em determinado processo. Normalmente, os SIMDs passam por uma etapa de discussão na seção de ideias do repositório de SIMDs no GitHub antes da abertura de um pull request. Qualquer pessoa pode criar um SIMD. Os SIMDs aceitos são incorporados ao repositório depois de aprovados pelos revisores responsáveis das equipes da Anza e do Firedancer. Vale observar que o único vínculo entre um SIMD incorporado e sua futura implementação é a camada social da Solana.
Se um SIMD incorporado afetar aspectos econômicos sensíveis ao stake, ele será agendado para uma votação on-chain. Os validadores recebem tokens SPL de “voto” proporcionalmente ao seu stake ativo. Esses tokens de voto devem ser enviados aos endereços SIM, NÃO ou ABSTENÇÃO em até duas semanas. As propostas são aprovadas quando as seguintes condições são atendidas:
- Um quórum de ≥33% de todos os tokens de voto deve ser enviado a um dos endereços fornecidos.
- Um peso de ≥66,7% deve ser favorável à adoção.
Vale observar que essas são as condições das votações mais recentes, pois várias votações anteriores não tinham quórum.
O modelo de governança da Solana evoluiu por meio de várias votações importantes:
- Outubro de 2023: A votação consultiva inicial estabeleceu o modelo de governança da Solana exclusivo para validadores e ponderado por stake, com uma participação modesta de 14,3%, já que a maioria citou preocupações jurídicas e regulatórias como impedimentos.
- Abril de 2024: O SIMD-33 (Créditos por Voto no Prazo) registrou 53% de participação do stake.
- Maio de 2024: O SIMD-96 (recompensa aos validadores com a taxa de prioridade integral) alcançou 51% de participação do stake.
- Março de 2025: O SIMD-123 (permitindo que validadores compartilhem a receita de blocos com seus delegadores) atingiu 57% de participação do stake.
- Março de 2025: O SIMD-228 (mecanismo de emissão baseado no mercado) alcançou um recorde de 74% de participação do stake em meio a debates acalorados.
Essas votações revelaram que a participação aumenta de acordo com o impacto econômico percebido. Apenas 14% do stake votou para confirmar o modelo exclusivo para validadores em outubro de 2023. No entanto, propostas que alteram a distribuição de receita de forma evidente, como o SIMD-96 e o SIMD-123, superaram 50% de participação do stake total. O SIMD-228 registrou uma participação recorde de 74%, com debates acalorados e discussões intensas em Spaces no X, pois muitos temiam que a proposta pudesse prejudicar a rentabilidade dos validadores de menor porte. A tendência é clara: quanto maior o impacto de um SIMD sobre a renda dos validadores ou delegadores, maior a participação dos eleitores.
Esse aumento de participação também revelou novas dinâmicas no modelo de governança da Solana ponderado por stake. Grandes validadores, como Coinbase, Kraken e Bybit, votaram pela primeira vez, abrindo uma caixa de Pandora regulatória. O argumento institucional mais comum contra a participação de grandes validadores na governança geralmente se concentrava na incerteza regulatória e na legislação norte-americana sobre sociedades em nome coletivo. Agora, com mais clareza e um ambiente regulatório menos rígido, grandes custodiantes estão entrando no cenário da governança. Embora o fracasso do SIMD-228 tenha demonstrado que validadores menores ainda conseguem se mobilizar com eficiência para derrotar propostas às quais se opõem, ele sinaliza uma possível mudança que a comunidade de validadores da Solana deverá acompanhar daqui em diante. Agora e no futuro, entidades com bilhões em ativos de clientes poderão votar em blocos concentrados, influenciando significativamente os resultados da governança e ofuscando os operadores independentes.
Além disso, os detentores comuns de SOL, agora mais familiarizados com o processo de governança da Solana devido aos debates acalorados em torno do SIMD-228, não tinham uma forma confiável de manifestar discordância ou apoio. O princípio central do sistema de staking da Solana é que os usuários expressam seu apoio ao escolher com qual validador fazer staking — um operador que age de acordo com suas convicções e seus melhores interesses. Isso motivou uma nova discussão sobre um futuro modelo de “substituição pelo delegador”, no qual os stakers poderiam reivindicar seus próprios tokens de voto proporcionalmente ao stake e votar como preferissem. Alguns validadores, incluindo a Helius, permitiram que stakers com opiniões divergentes votassem separadamente do voto “padrão” de seu validador.
A governança da Solana avançou oficialmente de uma fase “experimental” para uma fase “testada em condições reais”, com um fluxo de trabalho transparente no GitHub e participação expressiva dos eleitores. No futuro, a eventual proposta Alpenglow provavelmente desencadeará outra votação com supermaioria em termos de participação. A forma como grandes entidades, operadores independentes e delegadores comuns responderão a essa e às futuras votações servirá como mais um teste de estresse para a legitimidade do sistema. Só o tempo dirá como tudo se desenrolará. Por enquanto, as mudanças na Solana são aprovadas ou rejeitadas por meio de código aberto, votação on-chain e um eleitorado cada vez mais informado.
Crescimento do ecossistema de desenvolvedores
A atividade dos desenvolvedores funciona como um indicador antecedente da saúde e da viabilidade de longo prazo do ecossistema. A Solana se destacou no crescimento global de desenvolvedores em 2024. De acordo com o Relatório de Desenvolvedores de 2024 da Electric Capital, a Solana é o segundo maior ecossistema de blockchain em todos os continentes, atrás apenas da Ethereum. Na Índia, um dos maiores mercados de desenvolvedores do mundo, a Solana se tornou o principal ecossistema.
Mais importante ainda, a Solana é o principal ecossistema de blockchain para novos desenvolvedores, com 7.625 novos desenvolvedores explorando o ecossistema. Esta é a primeira vez desde 2016 que outro ecossistema tira a Ethereum do primeiro lugar.
Essa trajetória de crescimento é ainda mais impressionante quando comparada às condições gerais do mercado. Por exemplo, enquanto a maioria dos ecossistemas perdeu, em média, 9% do total de desenvolvedores entre o terceiro trimestre de 2023 e o quarto trimestre de 2024, a Solana cresceu 83% em relação ao ano anterior.
Além de atrair novos desenvolvedores, o ecossistema de desenvolvedores da Solana demonstra uma profundidade considerável por meio de sua abordagem multifacetada para promover o sucesso desses profissionais. Hackathons, iniciativas lideradas pela comunidade, como a Superteam, programas educacionais abrangentes e eventos contribuíram para criar caminhos sustentáveis para que desenvolvedores aprendam, criem e expandam negócios na Solana.
Hackathons da Solana
Os hackathons da Solana atingiram uma escala sem precedentes. Grande parte desse sucesso pode ser atribuída à Colosseum, organizadora dos maiores hackathons semestrais da Solana. Esses hackathons são cada vez mais globais — mais de 94% dos projetos inscritos no hackathon Radar vieram de equipes de fora dos EUA. Seu recente hackathon Breakout estabeleceu um novo padrão para todo o setor de cripto, com 1.412 inscrições. Isso não apenas torna o Breakout o maior hackathon de cripto da história, mas também um dos maiores hackathons de tecnologia já realizados.
A Colosseum é uma organização voltada para três pilares integrados: hackathons, aceleradoras e capital de risco. Trata-se de uma abordagem holística que cria um caminho completo, desde a ideia inicial até uma startup financiada. Os hackathons funcionam como um mecanismo de descoberta de talentos. Eles são realizados duas vezes por ano, duram cinco semanas cada e oferecem às equipes “condições equitativas para demonstrar seu potencial de criar startups de cripto que aumentarão substancialmente a atividade on-chain.”
Os vencedores dos hackathons podem avançar para a aceleradora on-line de oito semanas da Colosseum, que os integra ao ecossistema da Solana por meio de comunidades exclusivas de fundadores e mentoria individual. As equipes aceitas recebem um investimento inicial de US$ 250.000, e o programa culmina em um demo day privado, no qual apresentam suas startups aos principais fundos de capital de risco. Esse programa de aceleração também oferece uma oportunidade de trabalho presencial de duas semanas em São Francisco.
A Colosseum reintroduziu recentemente seu desafio Eternal — uma competição permanente que permite aos criadores disputar ciclos de quatro semanas e enviar seus projetos para concorrer a US$ 250.000 em financiamento pré-seed e uma vaga na aceleradora. O desafio exige atualizações semanais de progresso, o que ajuda a garantir engajamento contínuo e ciclos rápidos de iteração. A Slant, uma plataforma assistente de cientista de dados com IA e análises da Solana em nível de pesquisa, e a Tempo, uma plataforma de bots de negociação de alta velocidade com confirmação de transações em zero slots, foram anunciadas recentemente como as primeiras vencedoras do desafio Eternal.
A evolução dos hackathons para a plataforma integrada da Colosseum demonstra que a Solana deixou de simplesmente atrair novos talentos de desenvolvimento e passou a estruturar sistematicamente um pipeline de startups. Uma infraestrutura completa de incubação está sendo construída na Solana para transformar ideias em empresas financiadas por capital de risco.
Além dos principais hackathons da Colosseum, a Solana desenvolveu um calendário robusto de hackathons voltados a domínios específicos. O [READACTED] Hackathon ocorreu durante todo o mês de abril, com foco nos ecossistemas de pesquisa, investigação forense e segurança da Solana. O hackathon buscou fortalecer a camada social da Solana ao identificar e denunciar atividades falsas e fraudes, acelerar pesquisas fundamentadas em dados e melhorar a capacidade do ecossistema de ler e interpretar dados on-chain. Os participantes enviaram mais de 926 inscrições, concorrendo a mais de US$ 175.000 distribuídos entre 38 recompensas, com patrocinadores como Arkham, Dune, Messari e outros.
Além disso, o 1000x ZK Compression Hackathon recebeu 112 projetos que concorreram a US$ 35.000 em prêmios. No início deste ano, o Solana AI Hackathon recebeu mais de 400 projetos, teve 21 vencedores e distribuiu mais de US$ 275.000 em prêmios. O Real-Time Hackathon da MagicBlock ocorreu de 1º de abril a 16 de maio, com desenvolvedores partindo do zero para criar um dApp em tempo real (por exemplo, negociação de opções para o varejo, CLOB on-chain e jogos totalmente on-chain), com US$ 10.000 em financiamento. A dev.fun realizou uma Vibe Jam de 4 a 7 de abril, incentivando criadores, degens, idealizadores e engenheiros de memes a usar sua plataforma para desenvolver o jogo mais divertido, insano ou viciante possível, com US$ 10.000 em disputa. A DreamNet e a SendAI também estão promovendo um Character Agent Hackathon, de 26 de junho a 3 de julho, com mais de US$ 50.000 em prêmios voltados a universos narrativos multimodais, agência e memória e economias interativas. No verdadeiro estilo das memecoins, o letsBONK BCM Hackathon ocorrerá ao longo do próximo mês para quem deseja lançar tokens. US$ 200.000 em prêmios serão distribuídos às três principais moedas, com os vencedores definidos pela capitalização de mercado ao final da competição.
A amplitude e a escala do ecossistema de hackathons da Solana formam um sistema abrangente de aquisição de talentos e incubação de startups. Isso transforma radicalmente a forma como a Solana atrai e retém talentos de desenvolvimento. Ao oferecer vários pontos de entrada e diferentes caminhos para financiamento, a Solana mantém um pipeline sustentável que converte o interesse dos desenvolvedores em crescimento concreto do ecossistema e empresas financiadas por capital de risco. Esse sistema explica por que a Solana continua na liderança da adoção entre desenvolvedores de blockchain em vários setores e provavelmente servirá de modelo para outras redes blockchain que buscam criar comunidades sustentáveis de desenvolvedores.
Superteam
A Superteam representa uma visão de futuro na qual a Solana é liderada por pessoas talentosas e com ideias semelhantes em todo o mundo. Ela se materializa como uma comunidade de criadores, desenvolvedores, investidores e colaboradores de vários países, dedicada a facilitar a criação e o uso de soluções na Solana.
A Superteam está presente nas seguintes regiões: Bálcãs, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Índia, Irlanda, Japão, Coreia, Malásia, Nigéria, Polônia, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Vietnã.
As Superteams ao redor do mundo realizam eventos regularmente durante todo o ano. Um evento comum é a Startup Village — um encontro de coworking e networking no qual os criadores são incentivados a interagir com seus pares, participar de workshops, socializar e colaborar em projetos. A Startup Village Toronto registrou mais de 1.210 check-ins no total, 22 workshops e 6 eventos paralelos, com 47 pessoas criando juntas por mais de 8 dias seguidos. Entre os patrocinadores estavam Solflare, Zeus, Vybe, Titan, Skyrise e a Solana Foundation. A Superteam Nigeria também realizou uma Startup Village no início deste ano, em março, com 832 inscrições. Startup Villages também aconteceram neste verão em Varsóvia, Split, Paris, Berlim e Londres.
A Superteam Japan realizará a Super Tokyo 2025 em 24 de agosto deste ano, no centro de conferências Dragon Gate, em Shibuya, para promover o crescimento do ecossistema da Solana na região. No ano passado, a Super Tokyo 2024 recebeu mais de 1.000 visitantes e realizou 20 palestras. A Superteam Japan também realizará uma Startup Village de 18 a 29 de agosto, abrangendo a semana anterior e a semana posterior à Super Tokyo 2025. O foco deste ano são as stablecoins e a iminente revolução dos pagamentos.
Bootcamps, plataformas e recursos educacionais
O cenário de educação para desenvolvedores da Solana exemplifica um ecossistema maduro que equilibra recursos oficiais liderados pela Solana Foundation com iniciativas dinâmicas da comunidade. Essa abordagem dupla garante que caminhos abrangentes de aprendizagem sejam acessíveis a todos os desenvolvedores, independentemente do nível de habilidade, ao mesmo tempo que promove o compartilhamento orgânico de conhecimento em toda a comunidade.
A Solana Foundation é uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça e dedicada à adoção, ao crescimento e à descentralização da Solana. Seu objetivo é desenvolver uma rede escalável e sustentável, com foco específico em iniciativas de educação, pesquisa e desenvolvimento do ecossistema. Ela mantém a documentação oficial da Solana e oferece uma ampla variedade de recursos para desenvolvedores, incluindo conteúdo produzido pela própria Foundation e pela comunidade, no site oficial da Solana.
A Solana Foundation também promove programas educacionais mais intensivos, como bootcamps, tanto presenciais quanto on-line. No início deste ano, a Solana Foundation anunciou a inauguração do Skyline, um centro da Solana no coração de Nova York com oportunidades regulares de coworking, eventos, networking e workshops educacionais. Por exemplo, a Solana Foundation realizou um bootcamp presencial de dois dias para desenvolvedores no Skyline, e os desenvolvedores que se destacaram receberam acesso à Scale or Die, uma conferência exclusiva para desenvolvedores que faz parte da Accelerate. Ela também publicou no YouTube o Solana Developer Bootcamp 2024, um bootcamp abrangente e acessível para iniciantes que oferece uma introdução completa a blockchains, contratos inteligentes e desenvolvimento full-stack na Solana.
Além dessas iniciativas lideradas pela Foundation, a comunidade desenvolveu diversos recursos, plataformas educacionais e programas para ajudar a descentralizar o conhecimento e incentivar o crescimento de desenvolvedores na Solana. Por exemplo, o Solana Stack Exchange é a principal plataforma comunitária de perguntas e respostas, na qual desenvolvedores podem obter suporte de colegas e orientação especializada, publicando e respondendo a perguntas de forma semelhante ao Stack Overflow.
Além do compartilhamento geral de conhecimento, também existem bootcamps e plataformas mais estruturados, liderados pela comunidade e voltados a novos desenvolvedores. A Blueshift é uma plataforma gratuita de aprendizagem on-chain com suporte de mentores 24 horas por dia, 7 dias por semana. Esse percurso estruturado de aprendizagem está disponível on-line em vários idiomas. Cada curso inclui uma série de desafios criados para testar o conhecimento do usuário, que pode demonstrar seu aprendizado emitindo NFTs ao concluir cada curso.
A Ackee Blockchain Security publicou seu Solana Auditors Bootcamp no YouTube, permitindo que qualquer pessoa aprenda a auditar programas da Solana. O curso aborda desde os fundamentos do Anchor até fuzzing de programas.
A Rektoff está promovendo um bootcamp de seis semanas sobre segurança em Rust e Solana, patrocinado pela Solana Foundation e voltado a desenvolvedores com experiência em Rust que desejam aprender os fundamentos da Solana e lançar produtos resilientes.
Harkirat Singh, um popular YouTuber de programação, está lançando uma formação gratuita, totalmente remota e com duração de oito semanas chamada Superdev. Esse programa intensivo de desenvolvimento foi criado para desenvolvedores experientes que desejam avançar no ecossistema da Solana. Os 20 melhores participantes receberão uma bolsa de US$ 2.500. A formação é patrocinada pela Solana Foundation e pela Superteam.
Outra iniciativa comunitária de destaque é a Turbin3, principal plataforma de talentos da Solana. Com mais de 400 criadores, além de 10 vencedores e menções honrosas nos hackathons mais recentes da Colosseum, a Turbin3 aprimora as habilidades dos desenvolvedores por meio de diferentes turmas voltadas a vários temas e níveis de conhecimento. Ela também oferece uma trilha focada em pesquisa para ampliar a produção científica sobre a Solana, uma antiga deficiência do ecossistema em comparação com o rigor acadêmico de outros ecossistemas, que agora foi superada.
Esse ecossistema educacional distribuído cria vários pontos de entrada para desenvolvedores com diferentes níveis de habilidade, disponibilidade de tempo, localizações geográficas e preferências de aprendizagem. A interação entre os recursos liderados pela Foundation e pela comunidade cria ciclos de melhoria contínua que ajudam a explicar os impressionantes indicadores de crescimento de desenvolvedores da Solana.
Eventos
A Solana tem um ecossistema vibrante de eventos, que vai de encontros comunitários locais a grandes conferências. Há eventos para todos os públicos, criando oportunidades contínuas de aprendizagem, networking e colaboração em todo o ecossistema.
A mtnDAO representa um dos formatos de evento mais inovadores liderados pela comunidade. Essas sessões com duração de um mês em Salt Lake City, Utah, são repletas de workshops, networking e oportunidades para startups e coworking, organizados em semanas patrocinadas.
Por exemplo, a semana patrocinada pela Coinbase Developer Platform na mtnDAO v7 registrou uma média de 200 participantes por dia, atingindo um pico de 290 participantes em um único dia. Nessa semana, Anatoly também circulou pelo evento e perguntou aos criadores como poderia ajudar. A partir da experiência com startups na mtnDAO, a mtnCapital foi criada como um fundo do ecossistema da Solana governado por futarquia. A mtnDAO realizará seu encontro v8 de 1º a 28 de agosto.
A crescente popularidade e o sucesso da mtnDAO deram origem a várias outras DAOs voltadas a eventos, incluindo a islandDAO e a onionDAO. Adotando uma abordagem semelhante de um mês, a islandDAO se diferencia por também atuar como uma DAO de serviços, oferecendo sessões de feedback e consultorias para projetos. Ela se descreve como um estado em rede com estados regionais na Nigéria e no Brasil. A islandDAO 3.0 está programada para ocorrer de 17 de setembro a 17 de outubro em Míconos, na Grécia.
A onionDAO preserva os elementos essenciais da abordagem da mtnDAO e leva o conceito a Chicago. Esse evento de um mês voltado a desenvolvedores acontece em um espaço de coworking totalmente equipado, com 100 mesas e monitores. A onionDAO aproveita o verão de Chicago para criar oportunidades únicas de networking, organizando atividades variadas que vão de jet ski e passeios de barco a caiaque, paintball, kart e paraquedismo.
Embora essas iniciativas lideradas pela comunidade demonstrem o crescimento orgânico do ecossistema de eventos da Solana, a Solana Foundation também organiza grandes conferências e encontros voltados a objetivos estratégicos mais amplos. Esses eventos de grande escala complementam os encontros locais ao oferecer plataformas para anúncios direcionados a todo o ecossistema, análises técnicas aprofundadas e oportunidades de networking. Nesses eventos, o foco deixou as hacker houses e os formatos tradicionais de conferência para priorizar resultados mais orientados a produtos. Conforme descrito na iniciativa Reunir para criar, o foco está em eventos paralelos e resultados práticos para os participantes.
A Solana Foundation intensificou sua aposta no Renascimento Cripto Americano, reconhecendo 2025 como um ano histórico para o setor de cripto nos Estados Unidos após resultados eleitorais favoráveis. Nova York sediou dois eventos principais: Scale or Die, uma conferência técnica voltada a desenvolvedores e restrita a candidatos aprovados, seguida por Ship or Die, uma conferência maior e mais orientada a produtos. Juntos, esses eventos formam a base da Accelerate.
A estratégia global da Solana Foundation inclui as conferências APEX — megaeventos regionais de um dia, focados, dinâmicos e imersivos, repletos de palestrantes, patrocinadores, painéis e workshops interativos. Conferências APEX já foram realizadas neste ano no México, na Cidade do Cabo e em Budapeste, com outras planejadas para Singapura e Mumbai.
A Breakpoint, principal evento da Solana, retorna este ano a Abu Dhabi, na Etihad Arena, de 11 a 13 de dezembro. A Breakpoint 2024, realizada em Singapura, foi um enorme sucesso, com mais de 6.000 ingressos vendidos e participantes de 114 países diferentes. A Breakpoint reúne fundadores, desenvolvedores e criadores de todo o mundo durante três dias de anúncios estratégicos, debates, demonstrações de produtos e uma ampla variedade de eventos paralelos.
Em conjunto, essa estratégia de eventos em vários níveis, que vai de encontros comunitários intimistas com duração de um mês a grandes conferências internacionais, demonstra o compromisso e o enorme sucesso da Solana em promover crescimento e engajamento em diferentes formatos e regiões. O ecossistema de eventos da Solana é uma potência e contribui diretamente para a posição da rede como principal destino de novos desenvolvedores.
Crescimento econômico
Valor Econômico Real (REV)
O Valor Econômico Real (REV) mede o valor que os usuários atribuem ao uso de uma blockchain. Ele é composto por taxas de transação e gorjetas fora do protocolo, que refletem a disposição dos usuários para pagar por atividades on-chain. Em termos simples, a receita está para uma empresa assim como o REV está para uma blockchain.
Independentemente de os ativos de L1 serem considerados monetários ou semelhantes a ações, como Matt Huang, sócio de investimentos da Paradigm, aponta corretamente, as blockchains devem buscar maximizar o REV como medida da atividade econômica e da demanda dos usuários. No entanto, maximizar o REV indiscriminadamente, sem considerar a acessibilidade da rede e a experiência dos usuários — por exemplo, aumentando excessivamente as taxas — é contraproducente. O verdadeiro valor do REV está em servir como um indicador mensurável do equivalente ao PIB real de uma blockchain, demonstrando atividade econômica genuína em vez de negociações especulativas.
Desde outubro de 2024, a Solana tem superado consistentemente todas as outras blockchains em termos de REV. O REV da Solana atingiu seu pico neste ano em US$ 551.656.194 durante todo o mês de janeiro — 3,31 vezes maior que o REV da Ethereum (US$ 166.492.827) no mesmo período. O REV da Solana alcançou sua máxima histórica diária em 19 de janeiro, com US$ 56.820.959. As gorjetas da Jito também atingiram o recorde de ~US$ 25,16 milhões em 20 de janeiro. Esse sucesso foi possível graças à abordagem da Solana para sua estrutura de taxas, que equilibra implicitamente a geração de receita com a acessibilidade da rede.
As transações geram dois tipos de taxas:
- Taxa básica: uma taxa fixa de 5.000 lamports (ou seja, 0,000005 SOL) por assinatura. Vale observar que a maioria das transações tem apenas uma assinatura.
- Taxa de prioridade: uma taxa opcional que os usuários podem incluir para priorizar suas transações.
A taxa básica remunera os validadores pelo processamento das transações e introduz um custo em tempo real. Já as taxas de prioridade permitem que os usuários aumentem a prioridade de suas transações, o que é especialmente útil para transações urgentes ou de alto valor.
As gorjetas da Jito também são um componente importante do REV da Solana e operam fora da estrutura padrão de taxas. A Jito realiza leilões de espaço de bloco fora do protocolo para blocos parciais, em vez de fazer com que os usuários concorram diretamente on-chain.
Em linhas gerais:
- Os usuários, chamados de searchers, agrupam até cinco transações e as enviam ao mecanismo de blocos da Jito com uma gorjeta mínima de 1.000 lamports para ajudar a evitar spam
- Os construtores de blocos competem para obter esses pacotes
- A execução dos pacotes vencedores no bloco seguinte é garantida, na ordem definida e de forma integral ou nula
As gorjetas da Jito possibilitam a execução garantida de transações urgentes ou de alto valor, ao mesmo tempo que criam oportunidades de MEV por meio da ordenação segura de transações. É importante destacar que essas gorjetas contornam a estrutura tradicional de taxas e vão diretamente para os construtores de blocos, criando fluxos adicionais de receita que contribuem para o REV da rede sem aumentar os custos para usuários comuns.
A normalização da composição do REV da Solana desde o início do ano mostra que as gorjetas da Jito representam a maior parte, variando entre 41,6% e 66%. O predomínio das gorjetas da Jito revela um comportamento sofisticado dos usuários e o amadurecimento da infraestrutura de MEV, já que uma parcela significativa da atividade econômica da Solana envolve usuários dispostos a pagar mais pela execução garantida de transações. Para o usuário médio, isso cria um ambiente em que as transações básicas permanecem acessíveis e econômicas. Ao mesmo tempo, aplicações e traders mais sofisticados absorvem a maior parte dos custos por meio do uso de serviços premium fora do protocolo.
O aumento das taxas de prioridade em janeiro coincide com a euforia em torno de Trump, destacando como as taxas respondem à demanda à medida que os usuários competem por uma execução mais rápida para aproveitar oportunidades de alto valor. Essa composição do REV demonstra um modelo econômico sustentável que escala com a atividade da rede, em vez de exigir aumentos globais de taxas. Em outras palavras, o REV da Solana pode crescer por meio de serviços premium fora do protocolo, como a Jito, sem deixar de manter o acesso básico econômico.
É importante destacar que essa precificação dinâmica ocorre dentro da estrutura de mercados locais de taxas da Solana, o que permite à rede manter taxas extraordinariamente baixas enquanto gera um REV substancial. A maioria das blockchains, como a Ethereum, usa um mercado global de taxas baseado em gas que aplica um custo universal ao acesso ao estado da rede. Isso significa que todas as transações competem igualmente por inclusão, independentemente do estado com o qual pretendem interagir. A Solana, por outro lado, usa mercados locais de taxas para que as transações paguem com base nas contas específicas com as quais desejam interagir, impedindo que pontos de congestionamento elevem as taxas em toda a blockchain.
Por exemplo, os usuários pagaram coletivamente mais de US$ 150 milhões em transações fracassadas na Ethereum durante a emissão dos NFTs Otherside. Com mercados locais de taxas, a emissão de um NFT popular fará com que os usuários que emitem esses NFTs paguem taxas de prioridade mais altas, mas não aumentará as taxas de alguém que queira fazer uma simples transferência de tokens para um amigo. Essa localização evita o contágio de taxas observado em outras blockchains, como ocorreu na Ethereum durante a emissão do Otherside, em que qualquer aplicação popular pode elevar os custos de toda a rede. Os benefícios disso ficam ainda mais evidentes ao analisar métricas como a taxa média de transação de uma blockchain.
Nos últimos meses, a taxa média de transação da Solana variou entre menos de um centavo e aproximadamente três centavos durante períodos de maior tráfego. A taxa média de transação saltou para 41 centavos, ou 0,001531 SOL, durante o lançamento de $TRUMP, um fim de semana histórico em que Donald Trump lançou uma memecoin três dias antes de sua posse presidencial. No entanto, a estatística mais interessante para análise é a taxa mediana da Solana, pois ela demonstra o poder da localização das taxas.
A taxa mediana de uma blockchain representa o custo típico para um usuário realizar uma transação. Essa é uma métrica importante porque taxas menores reduzem o atrito e viabilizam padrões de uso mais amplos. Durante o período da memecoin de Trump (ou seja, 19 de janeiro de 2025), a taxa mediana da Ethereum foi de US$ 4,84. A taxa mediana da Base foi menor, de US$ 0,011289. Em comparação, a taxa mediana da Solana foi de apenas US$ 0,003178 — 1.523 vezes menor que a da Ethereum e 3,6 vezes menor que a de L2s populares da Ethereum, como a Base, apesar de o lançamento de $TRUMP ter ocorrido na Solana. A arquitetura da Solana mantém a acessibilidade das transações cotidianas mesmo durante períodos de pico de demanda.
A acessibilidade dos preços da Solana permite que a rede maximize o REV por meio do volume, em vez de extrair o máximo valor por transação. Esse é um modelo muito mais sustentável, que atrai usuários em vez de afastá-los da Layer 1 e fragmentar sua experiência.
Olhando para o futuro, as melhorias técnicas contínuas posicionam a Solana para manter sua liderança em REV. A futura implantação do cliente completo da Firedancer na mainnet, o Agave 2.3 tornando o scheduler “ganancioso” por padrão, a duplicação planejada do espaço de bloco e o potencial das otimizações de consenso do Alpenglow podem ampliar ainda mais a capacidade de processamento de transações. Isso permitiria volumes ainda maiores, sem comprometer a acessibilidade proporcionada pelas baixas taxas que impulsionam o modelo de REV da Solana baseado em volume.
Interesse institucional
Meu setor não pode mais negar os ativos digitais… [A Solana é] uma das primeiras blockchains voltadas para instituições

A adoção institucional da Solana é impulsionada pela convergência entre clareza regulatória, desenvolvimento da infraestrutura de mercado e desempenho comprovado da rede. Ao contrário dos ciclos anteriores, dominados pela especulação do varejo e prejudicados pelo dano à reputação causado pelas várias exchanges centralizadas que faliram em 2021 e 2022, o interesse institucional na Solana é caracterizado pela integração sistemática com tesourarias corporativas, infraestrutura de pagamentos e produtos financeiros regulamentados. Essa mudança valida as capacidades técnicas da Solana e sinaliza sua evolução para uma infraestrutura financeira de nível institucional.
O envolvimento regulatório da Solana, seus veículos de acesso ao mercado, suas soluções de staking em conformidade e seus mercados de capitais tokenizados, combinados com uma arquitetura de alto throughput e baixas taxas, posicionam a rede como a principal blockchain para adoção institucional.
Ambiente regulatório e liderança em políticas públicas
A eleição presidencial dos Estados Unidos em 2024 foi um divisor de águas para o ambiente regulatório do setor de criptomoedas. Com base em declarações públicas e atividades políticas, conforme definido pelo grupo de defesa Stand With Crypto, tanto o Senado quanto a Câmara elegeram mais políticos favoráveis às criptomoedas do que contrários a elas. Aproximadamente 59% do Senado é favorável ao Bitcoin, enquanto ~66% da Câmara é favorável ao Bitcoin. Uma onda de US$ 160 milhões em gastos políticos por empresas e executivos do setor de criptomoedas resultou no que a POLITICO descreveu como “o Congresso mais favorável às criptomoedas de todos os tempos”.
O cenário regulatório mudou drasticamente em favor dos ativos digitais. Em maio, o Senado votou por 66 a 32 para avançar com o GENIUS Act (Lei de Orientação e Estabelecimento da Inovação Nacional para Stablecoins dos EUA), o primeiro projeto de lei abrangente sobre stablecoins. A medida exigiria reservas na proporção de um para um, proibiria a re-hipotecação e estabeleceria uma autorização federal clara para emissores. Em 17 de junho, o Senado dos EUA aprovou oficialmente o GENIUS Act.
Além disso, a SEC, sob a nova liderança do presidente Paul Atkins, está abandonando uma abordagem de regulamentação por meio de ações coercitivas em favor de uma estrutura abrangente baseada em regras. Ele instruiu a equipe a elaborar regras formais para a emissão, a custódia e a negociação de ativos digitais. Em linha com o GENIUS Act, a SEC emitiu uma declaração explicando como evitar que stablecoins lastreadas por reservas em dólares sejam tratadas como valores mobiliários. Agora há um consenso em Washington de que as stablecoins podem fortalecer o papel do dólar americano, e espera-se que seu uso generalizado impulsione a demanda por instrumentos de dívida dos EUA e infraestrutura denominada em dólares.
As criptomoedas não são uma ameaça ao dólar. Na verdade, as stablecoins podem reforçar a supremacia do dólar. Os ativos digitais são um dos fenômenos mais importantes do mundo neste momento, mas foram ignorados pelos governos nacionais por tempo demais. Este governo está comprometido em estabelecer os Estados Unidos como um polo de inovação em ativos digitais, e o GENIUS Act nos deixa um passo mais perto desse objetivo

O presidente Paul Atkins também anunciou que as plataformas DeFi ficarão isentas de restrições regulatórias e que “[o] direito à autocustódia da propriedade privada é um valor americano fundamental que não deve desaparecer quando alguém acessa a Internet.”
Reconhecendo esse impulso regulatório, o Solana Policy Institute (SPI) foi criado em março de 2025 como uma organização apartidária e sem fins lucrativos dedicada a instruir formuladores de políticas sobre redes descentralizadas e a formalizar o diálogo da Solana com governos do mundo todo sobre políticas públicas. O SPI, liderado pelo CEO Miller Whitehouse-Levine e pela presidente Kristin Smith, representa uma abordagem focada para esse diálogo. Ele sinaliza o compromisso da Solana com a conformidade regulatória, a adoção institucional de longo prazo e, em última análise, a aceleração dos mercados de capitais da Internet.
Em parceria com a Superstate, a Orca e o Lowenstein Sandler LLP, o SPI apresentou o Project Open à SEC — uma estrutura regulatória abrangente para viabilizar a emissão e a negociação de valores mobiliários em blockchain de forma compatível com as normas. A proposta descreve um programa-piloto de 18 meses que permite que emissores registrados negociem valores mobiliários de participação como tokens digitais em blockchains públicas, mantendo o registro completo na SEC e os requisitos de proteção ao investidor.
Essa abordagem vai além de Washington e alcança autoridades regulatórias do mundo todo. Na próxima seção, sobre as Zonas Econômicas da Solana (SEZs), explicamos como a Solana Foundation estabeleceu parcerias nos Emirados Árabes Unidos e no Cazaquistão para simplificar mercados de capitais tradicionais em conformidade com as normas.
Desenvolvimento da infraestrutura de mercado
Os veículos de investimento institucionais estão se concretizando rapidamente, com várias solicitações de ETFs de SOL apresentadas por grandes gestoras de ativos, incluindo Grayscale, Canary, VanEck, Fidelity e Franklin Templeton, além dos ETPs já disponíveis da 21shares, Bitwise e Valour. Além disso, em 17 de março, o CME Group lançou futuros de Solana, oferecendo contratos-padrão que representam 500 SOL e microcontratos que representam 25 SOL cada.
Essa é uma grande melhora em comparação com o ano passado, quando todos os ETFs de SOL solicitados antes da eleição foram rejeitados. Em 11 de fevereiro, a SEC reconheceu oficialmente os ETFs spot da 21shares, da Canary, da VanEck e da Bitwise. Em abril, a SEC também reconheceu o ETF spot da Fidelity. A SEC também reconheceu a solicitação da Grayscale para converter seu Solana Trust em um ETF spot.
Mais recentemente, a SEC solicitou que potenciais emissores de ETFs de Solana atualizassem seus formulários S-1 para incluir sua abordagem ao staking (por exemplo, a Fidelity apresentou recentemente seu S-1), possivelmente preparando o terreno para aprovações nos próximos meses. Espera-se que a SEC anuncie suas decisões sobre a aprovação da maioria dessas solicitações até outubro de 2025. No entanto, segundo a Bloomberg, a SEC pode agir antecipadamente sobre os pedidos de ETFs spot de Solana, enquanto Rex Shares e Osprey tentam contornar obstáculos regulatórios para lançar produtos da Solana. Além disso, a Invesco, empresa global de investimentos com US$ 1,8 trilhão em ativos sob gestão, registrou recentemente um ETF Galaxy Solana em Delaware.
No momento da redação, as chances de aprovação de um ETF spot de Solana em 2025 no Polymarket são de 91%.
Vale observar que esses avanços não ocorrem apenas nos Estados Unidos — são desenvolvimentos do mercado global. O primeiro ETF spot de Solana da América do Norte começou a ser negociado no Canadá em abril. A 3iQ Corp., a Evolve Funds Group Inc., a CI Global Asset Management (CI GAM) e a Purpose Investments listaram produtos na Bolsa de Valores de Toronto depois que a Comissão de Valores Mobiliários de Ontário (OSC) deu sinal verde regulatório para que os fundos oferecessem exposição a SOL. Vale observar também que os ETPs da Bitwise e da Valour são europeus.
Integração com tesourarias corporativas e infraestrutura de staking
A adoção institucional também está acelerando por meio de estratégias de tesouraria corporativa que aproveitam o staking na Solana. A SOL Strategies, novo nome da Cypherpunk Holdings, empresa negociada no Canadá, está liderando uma abordagem semelhante à da MicroStrategy, mas com geração de rendimento por meio de SOL em staking. Em 31 de maio, a empresa detinha mais de 395.000 SOL. Um total de 3.036.462 SOL estava em staking nos validadores da empresa. Esse modelo ganhou força, e outras empresas, como DeFi Development Company, Upexi, GSR e Galaxy Digital, adotaram estratégias semelhantes.
Parte desse modelo consiste em oferecer Validators-as-a-Service (VaaS), uma solução white label de validador para exchanges, carteiras, aplicativos e gestoras de ativos que buscam operar seu próprio validador da Solana com marca própria, mas sem a complexidade de configurar e manter o validador. À medida que o interesse institucional cresce, também aumenta a necessidade de soluções de validadores que atendam a requisitos regulatórios, operacionais e de conformidade. Empresas como a Helius responderam ao obter a conformidade SOC 2 Tipo 2, demonstrando como os provedores de infraestrutura de staking estão profissionalizando suas operações para atender aos padrões institucionais. Estar em conformidade é essencial, pois instituições financeiras tradicionais e entidades regulamentadas exigem garantias auditadas de que seus parceiros de staking mantêm controles operacionais e padrões de proteção de dados de nível empresarial.
Mercados de capitais da Internet
A Solana oferece cada vez mais suporte a produtos financeiros tradicionais tokenizados por meio de parcerias com gestoras de ativos consolidadas. Grandes participantes do mercado financeiro tradicional lançaram na Solana versões tokenizadas de seus principais fundos do mercado monetário, incluindo:
- Fundo BUIDL da Blackrock (US$ 2,9 bilhões, expandido para a Solana em março de 2025)
- FOBXX da Franklin Templeton (mais de US$ 700 milhões em ativos sob gestão, com mais de US$ 23 milhões emitidos na Solana)
- VBILL da VanEck (US$ 8 milhões emitidos na Solana desde maio de 2025)
Além dos fundos do mercado monetário, o fundo BENJI da Franklin Templeton e o fundo de crédito tokenizado da Apollo (ACRED) oferecem a investidores qualificados acesso a produtos de rendimento de nível institucional que aproveitam a conformidade programável da Solana por meio de Token Extensions e integrações DeFi facilitadas pela Kamino Finance e pela Drift Institutional.
Além disso, o desenvolvimento de uma infraestrutura de negociação sem necessidade de permissão para ações e ETFs tokenizados dos EUA por meio de plataformas como Kraken, Superstate (com um memorando de entendimento com a SOL Strategies) e Backed permite que os mercados de ações operem além do horário tradicional, possibilitando que participantes globais negociem valores mobiliários dos EUA onde e quando quiserem.
A Republic anunciou recentemente o lançamento de “Mirror Tokens” pré-IPO na Solana, começando pelo rSpaceX — um token de valor mobiliário Reg-CF emitido na Solana que é convertido automaticamente em ações ordinárias quando a empresa abre seu capital. A Republic também planeja hospedar ofertas futuras com Mirror Tokens da xAI, Ramp, Cursor e Perplexity, entre outras. Isso oferece aos investidores comuns exposição antecipada e ininterrupta a futuras ações dos EUA, reforçando a ascensão da Solana como a infraestrutura preferida para private equity tokenizado dos EUA.
Zonas Econômicas da Solana (SEZs)
Uma zona econômica especial, geralmente abreviada como SEZ, é uma área em que as leis que regem os negócios e o comércio diferem das leis do país anfitrião. Não há uma definição simples de SEZ, pois ela é determinada por cada país. No entanto, todas as SEZs são áreas designadas dentro das fronteiras nacionais de um país, criadas para incentivar a formação de empresas por meio de políticas financeiras favoráveis, normalmente voltadas a investimentos, tributação, alfândega, regulamentação trabalhista e cotas.
O exemplo mais famoso de SEZ é Shenzhen, criada pela China em 1980 para permitir que o capitalismo de livre mercado prosperasse. Shenzhen, antes uma vila de pescadores, agora é um polo tecnológico global. Recentemente, houve discussões sobre transformar Starbase em uma SEZ para permitir a expansão das viagens espaciais e seu desenvolvimento como um polo interplanetário, em vez de deixar seu sucesso atolado na burocracia.
Avanços semelhantes estão ocorrendo na Solana.
Solana Economic Zones (também abreviado como SEZs) é uma iniciativa liderada pela Forma para levar vilas temporárias e mesas-redondas sobre políticas públicas a países tecno-otimistas, conectando builders a governos locais e empresários para acelerar ainda mais uma nova cultura financeira.
Esse modelo se inspira nas Zonas Econômicas Especiais da China, em que áreas designadas tinham políticas econômicas e regulamentações orientadas ao mercado criadas para atrair empresas estrangeiras. No contexto da Forma, as SEZs pretendem criar um ambiente experimental em que regulamentação, infraestrutura e capital de risco estejam alinhados e, então, preenchê-lo com fundadores capazes de desenvolver produtos on-chain inovadores e concretos. As SEZs em Buenos Aires e Dubai, assim como os eventos temporários no Sri Lanka, demonstraram o poder de atração do conceito.
A SEZ Cazaquistão foi a primeira SEZ realizada na Ásia Central, com um evento em 28 de maio de 2025, em Astana. Foi um evento exclusivo para convidados, limitado a 150 pessoas interessadas em promover a adoção e a inovação em blockchain em toda a Eurásia. Entre os palestrantes estavam o ministro Zhaslan Madiyev (ministro do Desenvolvimento Digital, Inovação e Indústria Aeroespacial), Renat Bekturov (governador do Centro Financeiro Internacional de Astana), Binur Zhalenov (diretor digital e assessor do Banco Nacional do Cazaquistão), Lily Liu (presidente da Solana Foundation), Akshay BD (nCMO da Solana Foundation) e Talgat Dossanov (CEO da Intebix). Aidyn Aimbetov, cosmonauta da Agência Espacial Nacional do Cazaquistão, também foi convidado de honra. O evento foi transmitido ao vivo na conta da Forma no X.
As SEZs aproveitam a lógica das zonas econômicas especiais que impulsionou Shenzhen e adicionam a infraestrutura on-chain da Solana, criando uma iniciativa bem-sucedida para expandir economicamente a rede. As primeiras zonas demonstraram capacidade de atrair investimento estrangeiro direto (IED), iniciar projetos-piloto de políticas para pagamentos e tokenização de RWA e fomentar comunidades locais de desenvolvedores que continuam ativas após a fase temporária. Por exemplo, a Forma destacou as seguintes métricas em seu Relatório de Impacto da SEZ Argentina:
- A iniciativa recebeu 249 residentes (65% locais e 35% internacionais)
- Mais de 500 moradores locais participaram dos eventos
- A iniciativa gerou mais de USDC 500.000 em IED naquele mês nos setores de turismo, alimentação e negócios, além de capital de risco
- A iniciativa viabilizou mais de 80 parcerias B2B
É necessário que os governos mantenham o acompanhamento de vistos, condições tributárias, licenças para ambientes experimentais e clareza regulatória para que as SEZs funcionem como mecanismos de políticas públicas, e não apenas como conferências. Os primeiros sinais desse acompanhamento já estão se concretizando: a Solana Foundation, a Jupiter, a Bolsa Internacional de Astana (AIX) e a Intebix assinaram um memorando de entendimento para listagens duplas de IPOs, criando uma ponte direta entre a Solana e os mercados de capitais tradicionais do Cazaquistão.
Mais recentemente, a Solana Foundation assinou um memorando de entendimento com a VARA, Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais de Dubai, estabelecendo uma estrutura de colaboração em programas de desenvolvimento de talentos, workshops regulatórios, iniciativas de compartilhamento de dados e apoio às SEZs. A tendência atual é clara: as SEZs criam atividade econômica real, não apenas repercussão.
Stablecoins
As stablecoins se tornaram o setor de crescimento mais rápido da Solana no último ano, com oferta, volume e integrações no mundo real avançando em um ritmo impressionante.
Por exemplo, a Circle emitiu US$ 1,75 bilhão em USDC na Solana somente em maio. A Fiserv, empresa da Fortune 500, planeja lançar sua stablecoin, a FIUSD, além de uma plataforma que poderá ser usada por seus clientes — mais de 3.000 bancos regionais e comunitários, mais de 10.000 instituições financeiras e milhões de comerciantes — na Solana até o fim de 2025, utilizando a infraestrutura da Paxos e da Circle.
À medida que a clareza regulatória aumenta e gigantes de pagamentos como Stripe e PayPal entram nesse mercado, a blockchain de alta capacidade e baixas taxas da Solana se consolida como a infraestrutura preferida de stablecoins para fintechs e instituições financeiras.
As principais conclusões práticas da nossa análise sobre stablecoins na Solana incluem:
- Liquidez em alta: a oferta total de stablecoins da Solana cresceu mais de 7 vezes nos últimos 18 meses (de ~US$ 1,5 bilhão para ~US$ 11,7 bilhões), atrás apenas de Ethereum e Tron.
- Uso em alta: os endereços ativos diários de stablecoins ultrapassam regularmente três milhões, e o volume peer-to-peer fica, em média, entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por mês.
- USDC é a âncora de liquidez: o USDC detém ~70% do mercado de stablecoins. O PYUSD da PayPal é a primeira stablecoin de uma grande empresa de tecnologia a usar Token Extensions.
- Conformidade por meio de Token Extensions: a capacidade de transferir fundos de forma confidencial, atribuir delegados e habilitar lógica de programa específica em determinadas transferências — como as que envolvem lógica de programa específica — dá à Solana uma vantagem competitiva clara em relação às ferramentas de conformidade de outras blockchains.
- A infraestrutura institucional chegou: Stripe-Bridge, Spherenet e soluções de cartões de débito (como KAST, Fuse e Solflare) estão convertendo saldos on-chain em moeda fiduciária utilizável em mais de 100 países.
- Fluxos internacionais de stablecoins são o principal caso de uso B2B: converter uma moeda fiduciária local em uma stablecoin como USDC e depois em outra moeda fiduciária local elimina o pré-financiamento de câmbio.
- Avanço regulatório: o GENIUS Act e o MiCAR oferecem clareza, removendo o maior obstáculo para empresas entrarem no mercado e determinando que moedas lastreadas em reservas serão tratadas como dinheiro, não como valores mobiliários. Embora esse avanço seja positivo, ele ainda está em estágio inicial.
DeFi
O ecossistema DeFi da Solana continua evoluindo para um ecossistema financeiro sofisticado que aproxima as finanças tradicionais das descentralizadas e atende tanto traders comuns quanto analistas quantitativos. A Solana continua se mostrando uma alternativa confiável e crescente à DeFi da Ethereum. Esse amadurecimento é evidente em várias dimensões. Por exemplo, a Solana liquidou US$ 574 bilhões em 2024, seguida de perto pela Ethereum, com US$ 568 bilhões.
O Valor Total Bloqueado (TVL) em DeFi da Solana continua na faixa de US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões, atrás apenas da Ethereum. Apesar da volatilidade dos preços, o TVL de DeFi cresceu 18% em relação ao trimestre anterior, chegando a 53 milhões de SOL.
A qualidade dos produtos financeiros também melhorou drasticamente, com plataformas como Kamino, Jupiter e Drift oferecendo soluções de nível institucional. Um excelente exemplo é a integração da Kamino Lend com a crypto.com, que permite aos usuários emprestar seus USDC e SOL diretamente pela corretora para receber juros sobre ativos ociosos.
Segundo a Messari, no primeiro trimestre de 2025, a Kamino lidera atualmente o TVL de DeFi, com US$ 1,6 bilhão e ~24% do mercado, apesar de uma queda de 13% em relação ao trimestre anterior. Logo atrás está a Jupiter, com US$ 1,4 bilhão em TVL de DeFi e 21% de participação de mercado. A Raydium caiu 46% em relação ao trimestre anterior e ficou em terceiro lugar, com US$ 1,1 bilhão e 17% de participação de mercado.
Corretoras descentralizadas (DEXs)
O crescimento da DeFi na Solana fica evidente ao analisar a atividade de suas corretoras descentralizadas (DEXs). Em 2024, 81% das transações em DEXs vieram da Solana em comparação com todos os outros ecossistemas somados. 1,7 milhão de carteiras únicas fizeram transações na Solana até o fim de 2024, um número sete vezes maior que o da segunda maior blockchain.
Embora essas estatísticas já sejam impressionantes, elas parecem pequenas diante do crescimento atual da Solana. A Solana gerou mais de US$ 890 bilhões em volume de negociação em DEXs nos primeiros cinco meses de 2025, o equivalente a 90,7% do volume total do ano passado, que foi de US$ 981 bilhões. Essa aceleração atingiu o pico durante a euforia em torno de Trump, em 19 de janeiro, quando o volume total das DEXs da Solana bateu o recorde de US$ 42.839.245.230. O volume spot médio diário em DEXs cresceu 41% em relação ao trimestre anterior, chegando a US$ 4,6 bilhões no primeiro trimestre de 2025.
A Raydium dominou o volume das DEXs no início do ano, alcançando US$ 68,6 bilhões na semana de 20 de janeiro. Isso ocorreu principalmente devido ao lançamento de TRUMP, MELANIA e LIBRA na Meteora. No entanto, o cenário mudou drasticamente em 20 de março de 2025, quando a PumpFun lançou a PumpSwap, substituindo a Raydium como o único ambiente de negociação para tokens que superavam a curva de bonding da Pump. A iniciativa foi muito bem-sucedida, e a PumpSwap se tornou a principal DEX por volume semanal, registrando US$ 6,9 bilhões na semana de 16 de junho.
O cenário das DEXs deve mudar com a entrada de participantes novos e maiores, com distribuição, execução e recursos líderes do setor. Por exemplo, em 14 de junho, a Bybit anunciou o lançamento da Byreal, uma nova rede de liquidez on-chain que busca combinar liquidez de nível CEX com a transparência nativa da DeFi. A plataforma oferecerá roteamento híbrido de Concentrated Liquidity Market Maker (CLMM) e Request for Quote (RFQ), um modelo de launchpad justo com distribuição igualitária de tokens em ofertas iniciais e vaults de rendimento selecionados. O lançamento da testnet está previsto para 30 de junho, e o da mainnet para o terceiro trimestre de 2025.
Inovação e novos participantes
A sofisticação do ecossistema de DEXs da Solana vai além das métricas de volume e do lançamento de novas plataformas, pois a inovação em DeFi prospera na Solana. Em dezembro de 2024, a Kamino anunciou o lançamento da Kamino Swap, uma corretora baseada em intenções, sem slippage, taxas ou MEV. Uma corretora baseada em intenções é um novo tipo de DEX em que os usuários enviam declarações de alto nível sobre os resultados desejados (por exemplo, “quero trocar uma quantidade X do token A por uma quantidade Y do token B”), chamadas de intenções. Terceiros, conhecidos como solvers, analisam essas intenções e competem para atendê-las da melhor forma possível. Assim, em vez de precisar enviar etapas explícitas de uma transação, os usuários podem informar os resultados desejados, abstraindo toda a complexidade relacionada ao mercado.
Em maio, a Ellipsis Labs lançou a Gavel, uma plataforma de distribuição de tokens e liquidez. A Gavel oferece métodos justos, transparentes e eficientes para captar recursos e distribuir tokens on-chain, garantindo resistência a snipers e a ataques sandwich por meio de seu design exclusivo de AMM. Em 22 de maio, um dia após o lançamento do AMM resistente a ataques sandwich da Gavel, a empresa informou que os usuários perderam US$ 0 em ataques sandwich , em comparação com os US$ 80.000 perdidos em outros AMMs da Solana durante o lançamento inicial dos tokens. O AMM resistente a ataques sandwich da Gavel, o Plasma, passou por três auditorias, tem código-fonte disponível e foi construído de forma verificável.
O cenário de agregação evoluiu do roteamento em uma única plataforma para estratégias de meta-agregação. A Jupiter continua sendo o principal agregador, com mais de 1,7 bilhão de swaps e 48 milhões de traders, dominando o mercado graças à sua ampla captação de liquidez e ao seu roteamento. A Jupiter adquiriu a SonarWatch, a Moonshot e a DRiP enquanto se prepara para se tornar um “Super App”.
No entanto, a posição da Jupiter deve ser desafiada pelo surgimento da Titan, o primeiro meta-agregador de DEXs da Solana, que permite aos usuários acessar cotações de vários agregadores considerando o impacto no preço. Embora ainda esteja em beta privado, a Titan superou US$ 500 milhões em volume, graças ao seu algoritmo proprietário de roteamento, o Talos, que supostamente supera os concorrentes em 81% das vezes ao identificar ineficiências de mercado em todas as fontes de liquidez, sem cobrar nenhuma taxa.
Traders têm relatado no X execuções melhores do que o esperado pela Titan. Por exemplo, em vez de uma troca de stablecoins na proporção de um para um, um usuário relatou ter trocado 434 USDC por 510 USDT. Outro usuário relatou ter trocado 1948 USDC por 2048 USDT. Esses não são casos isolados. São melhorias sistemáticas que demonstram como a meta-agregação pode capturar valor de ineficiências de mercado que abordagens tradicionais com um único agregador deixariam passar.
Futuros perpétuos
O mercado de futuros perpétuos da Solana surgiu como um motor de crescimento, liderado pela Jupiter Perps. Segundo a Messari, a Jupiter registrou uma média diária de US$ 1 bilhão em volume de negociação de perpétuos no primeiro trimestre de 2025, o que representa um aumento de 14% em relação ao trimestre anterior e uma participação de mercado de 79,2%. No total, a Jupiter Perps registrou:
- Mais de 656 mil posições alteradas
- US$ 274,78 bilhões em volume
- US$ 1,65 bilhão em ativos sob gestão
- Mais de 330 mil traders
A Drift, apesar de uma queda de 17,3% no volume em relação ao trimestre anterior, mantém 10,9% de participação de mercado, com volume médio diário de US$ 138,2 milhões. Em março, a Drift anunciou o lançamento do Swift Protocol, que agrega liquidez para oferecer aos traders a melhor execução on-chain e permitir negociações sem taxas de gas.
A participação restante está distribuída entre participantes consolidados e novos. A GMX foi lançada na Solana em fevereiro e rapidamente conquistou 4,6% do mercado, com volume diário de negociação de US$ 58,4 milhões. Raydium Perps, Adrena e FlashTrade completam o ecossistema.
É importante observar que o volume médio diário da Zeta Markets caiu 35,4% em relação ao trimestre anterior, resultando em 0,4% de participação de mercado. No entanto, em março, a equipe lançou na testnet sua extensão de rede, a Bullet. A Bullet é uma camada de execução especializada — ou seja, uma L2 — que publica provas ZK na Solana, permitindo que traders aproveitem o poder e a segurança da Solana em um ambiente de negociação de alto desempenho. Ela oferece latência de 2 ms e 150 transações por segundo (TPS), segundo informações do site.
A Ranger é uma adição relevante ao ecossistema de futuros perpétuos da Solana. Trata-se de um agregador de DEXs de perpétuos projetado para otimizar a eficiência das negociações em várias plataformas. O Smart Order Router (SOR) da Ranger busca resolver os principais pontos problemáticos da negociação de perpétuos ao avaliar sistematicamente a liquidez das plataformas integradas para minimizar o impacto no preço, o slippage e as taxas de negociação. Em essência, a Ranger funciona como um meta-agregador de perpétuos, obtendo liquidez de vários agregadores e DEXs individuais. A Ranger cobra uma taxa de execução competitiva de um ponto-base (0,01%) nas negociações de perpétuos, além de taxas específicas da plataforma conforme o destino de roteamento selecionado. Recentemente, foi anunciada a Ranger Spot, marcando a entrada da plataforma nas negociações spot. A Ranger também oferece ferramentas abrangentes de dados, incluindo mapeamento de liquidações, acompanhamento de posições em aberto e análise das taxas de funding.
Apesar de ter sido pioneira em CLOBs on-chain e captado o maior fluxo de entrada em DeFi entre todas as blockchains, a Solana historicamente enfrentou dificuldades para reter liquidez em seu mercado de futuros perpétuos. A Bulk Trade busca resolver esse problema criando uma corretora sem blocos, sem líder e distribuída geograficamente, capaz de realizar a liquidação de negociações globais em menos de 150 ms, com finalidade on-chain comprovável criptograficamente e velocidades de matching inferiores a 25 ms. A ideia é que os validadores sejam incentivados a executar um cliente de negociação otimizado, semelhante ao Jito, o que geraria um rendimento adicional de 1% a 2% graças à participação nas taxas do livro de ordens. Como complemento à infraestrutura da corretora, a Bulk Vaults é uma camada de liquidez de alto desempenho que transforma capital ocioso em uma força ativa e geradora de rendimento — aplicado em staking, negociado e roteado por toda a DeFi em tempo real. A Bulk Trade ainda está em desenvolvimento ativo e contratando.
O crescimento da negociação de futuros perpétuos na Solana reflete o amadurecimento da rede como plataforma de derivativos, com sua alta capacidade e baixa latência se tornando fatores cada vez mais atrativos para negociações on-chain.
Bots de negociação
A proliferação de bots de negociação e estratégias automatizadas se tornou uma característica marcante do amadurecimento da Solana. Os bots de negociação agora representam uma parcela significativa da atividade on-chain, com cerca de metade de todos os swaps originados por eles. Essa tendência reflete a evolução das finanças tradicionais, nas quais a negociação algorítmica se tornou cada vez mais dominante. Por exemplo, a negociação algorítmica representa ~60% a 70% do volume total de negociação de ações dos EUA, assim como dos mercados europeus e dos principais mercados asiáticos. Assim como a negociação algorítmica trouxe eficiência de capital, liquidez e melhor descoberta de preços aos mercados tradicionais, a proliferação de bots de negociação sinaliza a transição da Solana para uma infraestrutura de mercado mais madura.
As vantagens técnicas da arquitetura da Solana a tornam particularmente atraente para a negociação algorítmica. Confirmações otimistas em menos de um segundo e a capacidade de ingerir shreds — a menor unidade de um bloco — em ~20 milissegundos, combinadas com mercados de taxas locais, criam um ambiente de execução mais previsível. Nesse ambiente, os bots podem operar com parâmetros de risco mais rigorosos e estratégias sofisticadas de timing, que seriam impossíveis em redes com maior latência ou mercados globais de taxas.
A Axiom domina atualmente o cenário de bots de negociação, com 55,2% de participação de mercado e mais de US$ 9,6 bilhões em volume total nos últimos dois meses. Apoiada pela Y Combinator, a Axiom é o bot de negociação que chegou mais rapidamente a nove dígitos em taxas, levando apenas 117 dias, e 129 dias para superar US$ 100 milhões em receita do aplicativo.
A Photon ocupa o segundo lugar, com 12,7% do mercado e mais de US$ 407 milhões em taxas acumuladas. A Photon também mantém a maior quantidade de SOL nas carteiras dos usuários, com 453.577 SOL, seguida pela Axiom, com 453.305 SOL, no momento da publicação.
O restante do ecossistema é composto por BullX, GMGN e Trojan, cada uma com cerca de 6% de participação de mercado, seguidas pela Bloom, com 3,3%, e pela BONKBot, com 2,7%.
Staking líquido
Com 64% da oferta circulante de SOL em staking, a Solana mantém uma das maiores taxas de staking entre as principais blockchains. A taxa de staking líquido da Solana aumentou 15% em relação ao trimestre anterior, passando de 9,1% para 10,4% no primeiro trimestre de 2025. Atualmente, a Solana mantém uma proporção de staking líquido de 11,32%, equivalente a uma capitalização de mercado de US$ 6,97 bilhões.
JitoSOL é o principal token de staking líquido (LST), com aproximadamente 39% de participação de mercado. O sucesso do staking líquido da Jito vem de sua proposta de valor exclusiva, que combina recompensas tradicionais de staking com recompensas de MEV — ou seja, gorjetas da Jito distribuídas proporcionalmente aos detentores. Isso tornou o JitoSOL especialmente atraente para protocolos DeFi e investidores focados em rendimento que buscam os maiores retornos possíveis na Solana.
Além disso, o bnSOL da Binance demonstrou um forte ritmo de crescimento desde seu lançamento em setembro de 2024, aumentando sua participação de mercado para 18,9%. A Marinade, uma das primeiras provedoras de staking líquido da Solana, viu sua participação cair para 10,64%, enquanto a Jupiter a ultrapassou e assumiu o terceiro lugar, com 11,23%. O restante do ecossistema inclui Bybit (4,57%), Drift (3,59%), The Vault (3,48%) e SolBlaze (2,51%), entre outras.
A proporção de staking líquido da Solana está em alta desde novembro de 2023. Esses ativos são cada vez mais usados como garantia em protocolos de empréstimo como a Kamino, integrados a estratégias automatizadas de rendimento e utilizados como ativos fundamentais para um ecossistema com maior eficiência de capital. A composabilidade inerente aos LSTs ajuda a criar um efeito de ciclo virtuoso: conforme surgem mais oportunidades de liquidez e empréstimo, a demanda por LSTs aumenta, o que gera mais oportunidades em DeFi e mantém o ciclo em movimento.
RWAs
Ativos do mundo real (RWAs) estão entre as aplicações mais transformadoras de todo o setor de blockchain, pois conectam o físico ao digital — e as finanças tradicionais aos sistemas descentralizados — por meio da tokenização de ativos que vão de títulos do tesouro e valores mobiliários a imóveis e propriedade intelectual.
Os RWAs são uma vertical essencial para levar trilhões de dólares em ativos para o ambiente on-chain, oferecendo mais liquidez, eficiência, programabilidade e acessibilidade do que os sistemas legados conseguem proporcionar. O HSBC Hong Kong está promovendo blockchains para custódia, tokenização e emissão de títulos, pois espera que a tokenização de RWAs em redes públicas cresça rapidamente nos próximos 2 a 5 anos.
A adoção de RWAs na Solana está acelerando, e a rede ocupa uma posição singular para dominar a próxima geração dessa adoção, apesar de estar em quarto lugar entre as blockchains nas classes de ativos institucionais tradicionais, incluindo stablecoins e classes de ativos legadas, como títulos do Tesouro dos EUA, fundos institucionais e dívida pública de outros países.
Atualmente, a Solana tem mais de US$ 351 milhões em RWAs on-chain, com 7.255 detentores distribuídos entre 16 ativos diferentes. Excluindo as stablecoins, o maior RWA atual da Solana é o US Dollar Yield (USDY), da Ondo, com valor total superior a US$ 174 milhões. Ele oferece aos investidores a utilidade das stablecoins com rendimento diário seguro, garantido por títulos do Tesouro dos EUA.
A quarta posição da Solana reflete a concentração atual da primeira geração de tokenização em redes mais antigas, como a Ethereum, mas não considera duas dinâmicas essenciais que posicionam a Solana para uma adoção maior de RWAs: (1) a aceleração da migração institucional e (2) o surgimento de categorias inovadoras de ativos.
Avanço institucional dos RWAs na Solana
O avanço institucional em direção à Solana é inegável. A Cantor Fitzgerald iniciou a cobertura de empresas de tesouraria de Solana (SOL), incluindo Sol Strategies, DeFi Dev Corp e UPXI, com classificação Outperform. A empresa afirmou que balanços patrimoniais orientados à Solana merecem prêmios maiores que os de empresas comparáveis ligadas ao BTC devido ao rendimento, ao potencial de valorização decorrente da volatilidade e ao alinhamento com o futuro das finanças on-chain.
O fundo BENJI da Franklin Templeton e o fundo de crédito tokenizado da Apollo (ACRED) demonstram que gestoras sofisticadas estão escolhendo a Solana para produtos financeiros de última geração que exigem programabilidade avançada e eficiência de custos. O recente lançamento do sACRED pela Kamino exemplifica isso. Ao tokenizar o fundo ACRED da Apollo como um token de staking líquido, os usuários agora podem receber rendimentos de crédito de nível institucional e, ao mesmo tempo, manter liquidez para estratégias de DeFi. Isso representa uma evolução fundamental para além da simples tokenização de ativos, em direção a produtos financeiros componíveis que aproveitam a programabilidade inerente da Solana e criam oportunidades de rendimento impossíveis nas finanças tradicionais.
Categorias emergentes de RWAs na Solana
Ao mesmo tempo, o ecossistema de RWAs da Solana é pioneiro em categorias totalmente novas de ativos tokenizados. Enquanto outras redes se concentraram apenas na digitalização de instrumentos financeiros existentes, a Solana viabiliza a tokenização de ativos mais complexos.
Por exemplo, a Uranium Digital está tokenizando yellowcake de urânio, a Collector Crypt está tokenizando itens colecionáveis de luxo, a Metawealth está tokenizando imóveis residenciais e para locação, e plataformas como a AgriDex estão tokenizando o setor agrícola global. As categorias emergentes de RWAs na Solana exigem uma infraestrutura sofisticada de conformidade, interações de alta frequência e eficiência de custos que somente a Solana pode oferecer em grande escala. Isso é possível graças às ferramentas de conformidade e às opções de tokenização da Solana.
Ferramentas de conformidade
A infraestrutura de conformidade da Solana é a estrutura regulatória mais sofisticada disponível para ativos tokenizados, permitindo que projetos atendam aos requisitos institucionais sem sacrificar a descentralização ou o desempenho. Essa arquitetura centrada em conformidade se apoia em três pilares que funcionam perfeitamente em conjunto.
Token Extensions
Token Extensions oferecem recursos nativos de conformidade diretamente no nível do protocolo, possibilitando tokens permissionados em uma rede sem permissão. Token Extensions representam uma nova iteração do padrão Solana Program Library (SPL), ampliando a funcionalidade normal dos tokens para incluir transferências confidenciais, lógica personalizada de transferência e metadados estendidos, entre outros recursos.
Por exemplo, Confidential Transfers permitem ofuscar os valores das transferências por meio de primitivas criptográficas, mantendo-os verificáveis por terceiros com um Global Auditor System — um canal integrado de conformidade somente leitura que não expõe os valores on-chain ao público. Podemos realizar transferências privadas em uma blockchain pública sem sacrificar a conformidade.
Transfer Hooks
Transfer hooks permitem que projetos implementem uma lógica personalizada executada durante cada transferência de token. Isso viabiliza fluxos sofisticados de conformidade. Esses hooks podem ser integrados a provedores externos de KYC/AML, implementar períodos de carência para determinadas classes de ativos ou acionar requisitos de comunicação às autoridades reguladoras. A natureza programável dos transfer hooks permite atualizar dinamicamente as regras de conformidade à medida que a regulamentação evolui, sem depender de migrações complexas de tokens ou mudanças no protocolo.
O token BENJI da Franklin Templeton usa várias extensões, incluindo transfer hooks para lógica personalizada de conformidade, um ponteiro de metadados para informações mais detalhadas sobre o ativo e uma função de delegado permanente que permite à Franklin Templeton atuar como proprietária global de todas as contas de tokens associadas ao BENJI, podendo queimar, emitir ou transferir tokens quando desejar.
É possível, hoje, que gestoras tokenizem produtos institucionais e mantenham os controles operacionais exigidos por órgãos reguladores e investidores institucionais.
Solana Permissioned Environments
No extremo do espectro de conformidade do conjunto de ferramentas da Solana estão os Solana Permissioned Environments (SPEs). Um SPE é uma blockchain totalmente soberana construída com a stack tecnológica da Solana, a Solana Virtual Machine (SVM), que oferece alta capacidade, execução paralela, baixas taxas, finalidade rápida e impacto ambiental mínimo.
Os SPEs diferem de rollups ou appchains porque não dependem da blockchain subjacente para liquidação ou disponibilidade de dados. Trata-se de uma blockchain baseada na Solana totalmente controlável e configurável, na qual tudo pode ser modificado, desde o token de gas e o blockspace até o conjunto de validadores e os clientes dos validadores.
Hoje, já existem vários SPEs. Por exemplo, a Spherenet é um SPE criado especificamente para funcionar como um ledger compartilhado de contas, comprovadamente neutro, com preservação de privacidade e conformidade nativa, destinado à realização de pagamentos internacionais com velocidade, transparência e minimização de confiança.
Tokenização
A infraestrutura tokenizada da Solana permite representar ativos de forma eficiente, escalável e econômica em diversos casos de uso. Essa stack tecnológica oferece a base para tokenizar desde itens colecionáveis únicos até grandes estoques de commodities.
A Securitize é líder em ativos do mundo real tokenizados e leva o mundo para o ambiente on-chain por meio de fundos tokenizados, em parceria com gestoras de primeira linha. A Securitize anunciou suporte completo à Solana em janeiro, usando a Wormhole como camada de mensagens para interoperabilidade entre blockchains. A Securitize é o principal mecanismo pelo qual RWAs tokenizados estão chegando à Solana, como o fundo BUIDL da BlackRock e o ACRED da Apollo.
No nível dos desenvolvedores, a Metaplex serve como base para a tokenização de ativos únicos, oferecendo várias estruturas padronizadas para representar itens do mundo real com metadados completos, verificação de propriedade e recursos programáveis de transferência, tanto na forma de tokens fungíveis quanto não fungíveis (NFTs). Com mais de 881 milhões de ativos criados, 10,2 milhões de signatários únicos e US$ 9,7 bilhões em valor total de transações, segundo o site no momento da publicação, a Metaplex oferece um conjunto completo de ferramentas reconhecido pelo setor para desenvolver na Solana.
Por exemplo, com o Core, os desenvolvedores podem criar tokens soulbound — ou seja, intransferíveis ou tokens imutáveis com relativa facilidade. Isso é especialmente útil para representar credenciais, certificações ou a propriedade de ativos únicos que não devem ser transferíveis.
Os NFTs comprimidos revolucionam a tokenização em grande escala por meio de árvores de Merkle concorrentes e da compressão de estado, reduzindo os custos de armazenamento em mais de 99% e mantendo a verificabilidade completa on-chain. Em linhas gerais, os NFTs comprimidos usam a compressão de estado para armazenar metadados no ledger da Solana, em vez de armazená-los em contas individuais. Isso permite que projetos tokenizem milhões de ativos por uma fração do custo.
Por exemplo, segundo a Calculadora de NFTs Comprimidos, custaria ~7,6646 SOL para criar uma árvore de Merkle concorrente capaz de armazenar 10 milhões de NFTs comprimidos. Sem NFTs comprimidos, isso custaria aproximadamente 240.000 SOL.
ZK Compression é a sucessora da compressão de estado e permite que desenvolvedores comprimam o estado on-chain, reduzindo seus custos em ordens de grandeza sem comprometer segurança, desempenho ou composabilidade. Ela utiliza provas de conhecimento zero para validar transições de estado sem expor os dados subjacentes, agrupando várias contas em uma única raiz de Merkle verificável armazenada on-chain, enquanto os dados subjacentes ficam armazenados no ledger da Solana. Normalmente, custaria ~0,2 SOL para criar 100 contas de tokens, mas, com ZK Compression, o custo é reduzido em 5000 vezes, para ~0,00004 SOL.
Juntas, essas inovações criam uma stack completa de infraestrutura para RWAs, permitindo aplicações que só são possíveis na Solana. A combinação de conformidade de nível institucional por meio de Token Extensions e SPEs, tokenização econômica em grande escala e as características fundamentais de desempenho da Solana posiciona o ecossistema para processar desde certificados simples de ativos até instrumentos financeiros complexos com várias partes.
Essa base técnica explica por que a Solana atrai tantos projetos, incluindo classes de ativos tradicionais, itens colecionáveis de luxo e créditos de carbono. O ecossistema de RWAs da Solana é concreto, com aplicações no mundo real que buscam redefinir seus respectivos setores por meio de abordagens nativas da Solana para propriedade de ativos, negociação e conformidade.
Estudos de caso
R3
A R3 é a principal empresa de software empresarial para blockchain e desenvolve a Corda, uma blockchain privada e permissionada — o maior conjunto de redes permissionadas de RWAs do mundo, com mais de US$ 10 bilhões distribuídos por suas plataformas, quase o tamanho do mercado atual de RWAs em todo o setor cripto. A R3 se consolidou como uma força dominante na conexão entre mercados tradicionais e redes blockchain, oferecendo suporte a mais de 60 soluções ativas. Entre as implementações relevantes estão a SIX Digital Exchange, que inclui a CBDC de atacado do Banco Nacional Suíço, e o sistema nacional de pagamentos da Itália.
Em 22 de maio, a R3 anunciou uma colaboração estratégica com a Solana Foundation para levar instituições financeiras reguladas e seus RWAs à Solana, marcando uma das validações institucionais mais importantes da história da blockchain.
Richard G. Brown, diretor de tecnologia e produtos da R3, identificou a fragmentação como o principal desafio para a adoção empresarial da blockchain. Embora a Corda viabilize várias implementações bem-sucedidas em redes separadas, sua interoperabilidade e composabilidade limitadas prejudicam o crescimento e aprisionam a liquidez, já que cada projeto opera de forma isolada. A análise de Brown observou que Layer 2s, rollups e sidechains não são a solução para esse problema de fragmentação. Em vez disso, é necessária uma única rede compartilhada que todos possam usar, capaz de escalar para atender à demanda e, ao mesmo tempo, manter baixos os custos e a latência.
Esse requisito técnico levou a R3 à Solana. Sua arquitetura sem permissão e escalável, combinada com um ecossistema vibrante de desenvolvedores e um foco incansável em tornar a rede mais rápida e barata, fez dela a solução ideal para conectar redes privadas permissionadas a blockchains públicas. A migração da R3 para a Solana cria um caminho direto para que instituições financeiras tradicionais acessem as finanças descentralizadas, validando a Solana como a blockchain institucional preferida.
Com o Standard Chartered projetando uma demanda de US$ 30,1 trilhões por RWAs tokenizados até 2034, os RWAs abrem uma nova era de oportunidades à medida que o interesse institucional em ativos tokenizados continua crescendo. O alinhamento estratégico da R3 com a Solana indica que a Solana é a rede mais capaz de sustentar o futuro da infraestrutura financeira. A base de clientes da R3, combinada com o desempenho da Solana, posicionará as duas redes no centro da convergência entre TradFi e DeFi que definirá a próxima década de inovação financeira.
Uranium Digital
A Uranium Digital se descreve como “[a] primeira plataforma de negociação de urânio 24 horas por dia, 7 dias por semana, com padrão institucional e liquidação física”. Atualmente, o urânio não conta com uma bolsa aberta: a descoberta de preços ocorre principalmente por meio de acordos bilaterais privados, criando uma opacidade prejudicial que afeta todo o ciclo do combustível nuclear. Como as compras típicas dependem de contratos de longo prazo que duram quase uma década, a Uranium Digital busca redefinir a negociação de urânio por meio de maior liquidez, mais transparência nos preços e acesso ampliado, levando o urânio definitivamente à era digital.
A Uranium Digital concluiu uma rodada seed de US$ 6,1 milhões em março de 2025, liderada pela Framework Ventures, com participação de Portal, Mirana e Karatage. A empresa anunciou recentemente que Christian Angermayer, fundador do Apeiron Investment Group, entrou para a equipe como investidor estratégico e consultor.
Ao tokenizar urânio armazenado, a Uranium Digital se integra perfeitamente à expansão mais ampla dos RWAs na Solana:
- Ponto de entrada nas commodities: o urânio agora se junta a títulos do tesouro tokenizados, créditos de carbono e itens colecionáveis de luxo, todos já presentes na Solana.
- Demonstração de prova de reservas: a verificação on-chain de um lastro de 1:1 trata de preocupações relativas à não proliferação e à segurança do armazenamento, específicas dos ativos nucleares.
- Potencial de valorização de um ciclo virtuoso de liquidez: a Uranium Digital tem potencial para impulsionar mercados de garantias entre protocolos à medida que camadas de derivativos entram em operação.
Naturalmente, a conformidade regulatória não é negociável para uma commodity como o urânio. A Uranium Digital precisará cumprir várias leis de transporte de materiais nucleares, requisitos de KYC/AML e sanções aplicáveis em diversas jurisdições. Além disso, o lançamento de um mercado spot exigirá liquidez sustentada, oráculos confiáveis e incentivos para formadores de mercado. Ainda assim, a Uranium Digital é um exemplo marcante de como startups estão adotando a transparência, a acessibilidade e a financeirização latentes em redes blockchain como a Solana. Transferir um mercado de combustível que movimenta bilhões de dólares por ano, hoje baseado em planilhas e telefonemas, para liquidações em menos de um segundo distribuídas em um mercado internacional transparente é uma iniciativa nobre.
Baxus
A Baxus é uma combinação inovadora entre tecnologia blockchain e o comércio tradicional de bebidas destiladas de luxo. Trata-se de um ecossistema verticalmente integrado que reúne armazenamento físico seguro, tokenização e negociação em uma única plataforma. A Baxus busca levar o mercado de bebidas destiladas de luxo — tradicionalmente opaco e ineficiente — para o ambiente on-chain de forma transparente, acessível e eficiente. A empresa captou US$ 5 milhões em uma rodada seed liderada pela Multicoin Capital, com participação de Solana Ventures, Narwhal Ventures, FJ Labs e vários investidores-anjo. A Baxus busca resolver as ineficiências fundamentais do mercado de bebidas destiladas de luxo, que deve crescer de US$ 250 bilhões para US$ 470 bilhões até 2032.
Ao contrário das casas de leilão tradicionais, que exigem que colecionadores esperem semanas pela liquidação, a Baxus permite negociações globais a qualquer momento, com dados transparentes de preços por meio da Solana. Cada garrafa é tokenizada como um NFT individual, com digitalizações em 360 graus, dados de procedência e certificados de autenticidade. Os usuários aproveitam os benefícios de realizar transações na Solana sem precisar passar pelos fluxos tradicionais da experiência de uso de cripto. A abstração de carteiras da Baxus permite que os usuários façam login com o endereço de e-mail, enquanto as carteiras são geradas automaticamente em segundo plano. Os usuários podem comprar, vender ou negociar bebidas destiladas no marketplace, com a opção de armazenar as garrafas nos cofres da Baxus nos EUA, que têm controle de temperatura e umidade e são resistentes ao fogo. É possível pagar com cripto ou cartão de crédito. Assim, toda a experiência abstrai a complexidade de cripto e mantém todos os benefícios de desenvolver na Solana.
A Baxus não está apenas na vanguarda da inovação em RWAs, mas também na inovação em commodities de luxo. A fraude de whisky é um problema notório: falsificadores encontraram um nicho lucrativo ao reabastecer garrafas autênticas vazias, algo impossível de detectar sem romper o lacre. Desenvolvido pela Bond em parceria com a Baxus e a Iridia, um novo sistema antifalsificação foi criado para verificar o conteúdo de um whisky sem romper o lacre. Ele funciona incorporando aos lacres um marcador molecular verificável, semelhante a uma impressão digital biológica, que não pode ser replicado. A verificação pode ser feita com um simples teste por swab, mantendo a garrafa intacta para preservar sua integridade enquanto confirma a autenticidade.
A Baxus também está usando a rede IoT da Helium para revolucionar o rastreamento de barris e o monitoramento da cadeia de suprimentos no setor de bebidas destiladas. Sensores compatíveis com LoRaWAN monitoram continuamente parâmetros essenciais, como temperatura, umidade, localização, movimento e volume de cada barril durante todo o processo de envelhecimento, além das garrafas armazenadas nos cofres da Baxus. Esse sistema permite rastrear bebidas destiladas em tempo real e resolve de forma fundamental o problema das condições adequadas de armazenamento. Agora, essas condições podem ser verificadas sem o trabalho de abrir barris ou garrafas para confirmar se foram armazenados corretamente. Segundo dados próprios do CEO e cofundador Tzvi Wiesel, mais de 500.000 barris serão rastreados e medidos individualmente até o fim de 2025.
A Baxus exemplifica o potencial transformador da infraestrutura de RWAs da Solana ao resolver problemas reais que afetam o comércio de bebidas destiladas de luxo há décadas. O sucesso da plataforma em atrair tanto usuários nativos de cripto quanto colecionadores tradicionais demonstra como uma abstração eficaz pode conectar mercados tradicionais e digitais. Isso fica evidente pelo fato de que o uso da opção de pagamento com cripto no site aumentou 11.500% neste ano e o número de compradores internacionais cresceu 50 vezes, segundo dados próprios divulgados por Tzvi Wiesel.
A Baxus criou um modelo para tokenizar bens físicos de luxo, como bebidas destiladas raras e vinhos, de uma forma que preserva o prestígio e os requisitos de autenticidade dos itens colecionáveis de alto valor, ao mesmo tempo que libera liquidez global, mercados mais eficientes e uma descoberta de preços mais transparente. A combinação da infraestrutura de IoT com tecnologia avançada de autenticação, aproveitando as garantias, eficiências e vantagens da Solana, cria as condições ideais para que a Baxus seja pioneira em novos padrões de negociação de ativos de luxo autenticados, rastreáveis e líquidos.
A integração da Baxus com vários componentes do ecossistema, desde a rede IoT da Helium até uma experiência de usuário semelhante à Web2 em seu marketplace, demonstra a natureza componível da infraestrutura da Solana e sua capacidade de viabilizar aplicações complexas do mundo real que seriam excessivamente caras ou tecnicamente impossíveis em outras blockchains. Whisky e vinho raros, uma nova classe de ativos, vieram para ficar — algo possível somente na Solana.
DePIN
As Redes Descentralizadas de Infraestrutura Física (DePIN) representam uma das aplicações mais concretas da tecnologia blockchain. Em vez de depender de grandes empresas para construir e manter infraestruturas essenciais, os protocolos DePIN permitem que indivíduos forneçam poder computacional, conectividade sem fio, sensores ambientais, dados de localização e outros recursos físicos em troca de recompensas, capacitando as pessoas a melhorar a infraestrutura pública ao seu redor.
O relatório State of DePIN 2024, da Messari, afirma que a DePIN está em seu “estágio mais inicial”, com uma participação de mercado de <0,1% em mercados finais que somam mais de US$ 1 trilhão, incluindo conectividade sem fio, computação, energia e identidade. Os ciclos de crescimento da DePIN combinam as economias de escala da infraestrutura tradicional com os efeitos de rede de uma plataforma tecnológica e as barreiras de liquidez de uma moeda para criar o primeiro modelo de negócios de ponto triplo.
A Solana se consolidou como a principal blockchain para aplicações DePIN, novamente, graças às suas taxas baixas e previsíveis, alta capacidade de processamento e garantias de transações em menos de um segundo. Essas características são essenciais para redes que exigem micropagamentos frequentes, verificação de dados em tempo real e coordenação entre milhares de nós distribuídos. A validação das vantagens da Solana para DePIN fica evidente em migrações anteriores: a Helium migrou de sua própria blockchain para a Solana em abril de 2023, enquanto a Render Network migrou da Ethereum para a Solana em novembro de 2023. Ambos os projetos citaram escalabilidade e redução de custos como principais motivações.
O setor apresentou um crescimento notável, atraindo coletivamente centenas de milhares de participantes em todo o mundo. Redes como a Helium Mobile incorporaram mais de 100.000 assinantes por mês, enquanto protocolos de mapeamento como a Hivemapper mapearam um terço da malha viária global por meio de contribuições coletivas. Essa escala de participação valida o modelo econômico de implantação de infraestrutura física incentivada por tokens.
O ecossistema DePIN da Solana abrange diversas categorias de infraestrutura, incluindo:
- Conectividade Wi-Fi da Andrena
- Mercados de largura de banda como a Grass Network
- Computação por GPU da IO.net e da Gradient Network
- Redes de modelos de aprendizado de máquina como a CrunchDAO
- Redes de inferência de IA como a Kuzco
- Redes descentralizadas de distribuição de conteúdo como a Pipe
- DePINs de armazenamento de energia como a Powerledger
- Dados de rastreamento de voos em tempo real da Wingbits
- Redes de infraestrutura para jogos em nuvem como a Shaga
- Redes de posicionamento em tempo real como a GEODNET
Esses protocolos criam novas oportunidades econômicas e desafiam os modelos centralizados tradicionais. Proprietários de PCs podem monetizar hardware ocioso, motoristas podem obter renda passiva enquanto dirigem e proprietários de imóveis podem gerar renda passiva instalando dispositivos simples em seus telhados.
Reconhecendo o potencial explosivo da DePIN, a Solana Foundation tem apoiado ativamente o crescimento do ecossistema com recursos abrangentes para desenvolvedores. Isso inclui exemplos de código aberto, guias detalhados de introdução e migração e tutoriais práticos que demonstram implementações reais — desde a integração básica de sensores até a criação de máquinas de bebidas habilitadas para cripto.
Os dados do mundo real são o novo petróleo, e a DePIN é o oleoduto. Projetos DePIN baseados na Solana já apresentam resultados concretos em diversos setores.
Estudos de caso
Helium
A Helium é um projeto descentralizado de infraestrutura sem fio baseado na Solana que permite que indivíduos e organizações implantem e operem redes por meio de incentivos em tokens. Mais precisamente, ela pode ser descrita como uma rede LoRaWAN global para dispositivos IoT, além de uma rede de transferência de tráfego celular e Wi-Fi para conectividade móvel. Isso é feito por gateways sem fio chamados hotspots (ou seja, dispositivos pequenos e de baixo consumo, semelhantes a torres de celular em miniatura, que se conectam a outros hotspots a longas distâncias) para fornecer cobertura.
O HNT é o principal token que movimenta a Helium, enquanto IOT e MOBILE são usados para viabilizar as redes LoRaWAN e 5G, respectivamente. A Helium Network usa a Prova de Cobertura (PoC) para verificar se os hotspots representam com precisão sua localização, configuração e cobertura sem fio criada, além de incentivar os operadores de hotspots a implantá-los em áreas com cobertura insuficiente.
Originalmente, a Helium foi criada em sua própria blockchain de camada 1 personalizada. No entanto, a equipe de desenvolvimento da Helium propôs a migração para a Solana por meio da HIP 70, como parte de seu modelo de governança, citando maior disponibilidade, mais capacidade de composição e uma experiência de usuário melhor, tudo isso mantendo um alto nível de segurança e baixo custo de uso. A comunidade votou de forma esmagadora a favor da proposta, e a equipe migrou para a Solana em abril de 2023. Scott Sigel, COO da Helium, descreveu a migração como extremamente tranquila — a migração foi concluída sem nenhum contratempo. Foi o sonho de qualquer engenheiro.
O tráfego total da rede (ou seja, o uso de créditos de dados) desde a migração da Helium para a Solana supera US$ 2,8 milhões. O uso móvel ultrapassa amplamente o de IoT, como mostram os créditos de dados queimados no último mês.
A verdadeira validação do modelo da Helium veio com a Helium Mobile, sua operadora móvel virtual (MVNO), que utiliza as redes 5G da Helium e transfere os usuários de forma integrada para a rede da T-Mobile quando a cobertura dos hotspots não é suficiente.
No primeiro trimestre, enquanto a AT&T perdeu 20.000 assinantes, a T-Mobile ganhou 45.000 e a Verizon adicionou 137.000. No entanto, a Helium Mobile disparou, com aproximadamente 300.000 novos assinantes, uma média de cerca de 100.000 por mês. A rede atingiu um recorde histórico de mais de 5.400 novos cadastros diários em 2 de junho, demonstrando crescimento contínuo.
O principal motor de crescimento da Helium Mobile é seu Carrier Offload Program, lançado em 2024. Com esse programa, a Helium começou a firmar parcerias com empresas tradicionais de telecomunicações (como T-Mobile, Movistar, AT&T, Google Orion e Wefi) para usar os hotspots da Helium Mobile quando seus usuários estão em áreas com cobertura insuficiente.
Em abril de 2025, a Helium anunciou sua parceria com a AT&T, informando que os clientes da AT&T se conectariam automaticamente aos hotspots da Helium e pagariam $HNT aos hosts por cada gigabyte transferido. O relatório State of Helium Q1 2025 da Messari observou que os dados transferidos chegaram a 1.140,9 TB, um aumento trimestral de 138,6%. Com esse programa, as operadoras tradicionais economizam e oferecem melhor cobertura, enquanto a Helium recebe mais tráfego roteado por sua rede. Isso, por sua vez, gera mais recompensas para os proprietários de hotspots e mais HNT queimado.
Segundo o Helium World, um mapa de cobertura global da Helium Mobile e de IoT, no momento da redação deste relatório, a Helium Mobile apresenta números impressionantes:
- US$ 2,67 milhões em receita mensal
- Mais de 956 mil usuários diários
- 32,31 TB de dados transferidos por dia
- Mais de 97.000 hotspots móveis
Isso é ainda mais impressionante considerando que, desde fevereiro de 2025, a Helium Mobile oferece um plano móvel gratuito com 3 GB de dados. O plano Air custa US$ 15 por mês e oferece 10 GB de dados, enquanto o plano Infinity custa US$ 30 por mês e oferece dados ilimitados.
Embora a Helium Mobile receba a maior parte da atenção, a infraestrutura de IoT da rede demonstra o potencial transformador da infraestrutura sem fio descentralizada para aplicações reais além dos serviços móveis voltados ao consumidor.
Com mais de 279.000 hotspots ativos, a rede LoRaWAN da Helium viabiliza casos de uso inovadores que a infraestrutura centralizada tradicional não conseguiria sustentar economicamente. Por exemplo, a Greenmetrics.ai usa os operadores de hotspots da Helium em Porto, Portugal, para detectar enchentes com antecedência, reduzir danos e melhorar os processos de alerta e evacuação por meio de decisões baseadas em dados. Embora seja um exemplo mais antigo, quando ocorreu a enchente da Rua da Prata, em maio de 2023, os sensores da Greenmetrics detectaram um aumento de dez vezes nos níveis de água subterrânea e alertaram a Agência de Proteção Civil 15 minutos antes do início das inundações no centro da cidade.
Isso também se estende a instituições culturais. Museus e bibliotecas utilizam os hotspots LoRaWAN da Helium por meio da Heliotics para monitorar temperatura e umidade, preservando exposições e melhorando a experiência dos visitantes com o monitoramento inteligente do ambiente. Na Eslováquia, hospitais usam contêineres inteligentes de gestão de resíduos Vastum IoT, da Heliotics, para agilizar operações e promover a sustentabilidade por meio da otimização das rotas de coleta.
A parceria da BrDot com o Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica) demonstra como a rede da Helium pode ser usada para simplificar aplicações agrícolas. A BrDot permite a detecção e o tratamento precoces de doenças em animais no Brasil por meio das biocápsulas da UniCatólica, que monitoram vacas leiteiras e ajudam a prevenir a propagação de doenças. Isso teria um custo proibitivo com redes celulares tradicionais. Com a Helium, porém, torna-se economicamente viável.
O sucesso da Helium, com sua diversidade de aplicações de IoT combinada ao crescimento explosivo da Helium Mobile, valida o princípio central da DePIN: incentivos em tokens podem coordenar a implantação de enormes infraestruturas físicas e criar modelos econômicos sustentáveis que desafiam monopólios centralizados tradicionais. Mais de 1.140 TB de dados transferidos por operadoras, parcerias que vão da AT&T à Telefonica e implantações em seis continentes para solucionar desde a detecção de enchentes até a saúde animal — tudo isso graças às taxas baixas e previsíveis, à alta capacidade de processamento e à confiabilidade da Solana.
Hivemapper
A Hivemapper está revolucionando o mapeamento global com uma abordagem descentralizada que incentiva motoristas do mundo todo a fornecer dados cartográficos em tempo real por meio de imagens de câmeras veiculares. Seu objetivo é criar o banco de imagens ao nível da rua mais abrangente e atualizado, além de gerar novas oportunidades econômicas para motoristas. O projeto atraiu grande interesse de investidores e captou US$ 18 milhões em uma rodada Série A liderada pela Multicoin Capital, com participação da Solana Ventures, Craft, Spark Capital, Shine Capital e Founder Collective.
Em 28 de maio, a Hivemapper já havia mapeado um terço da malha viária global, totalizando mais de 540 milhões de quilômetros. Esse marco supera muitos esforços tradicionais de mapeamento tanto em velocidade quanto em cobertura geográfica. A razão de ser da Hivemapper é que bilhões de pessoas em todo o mundo usam aplicativos de mapas diariamente, milhões de empresas pagam e usam APIs de mapeamento e temos cerca de ~1,5 bilhão de veículos incorporando recursos de direção automatizada que exigem dados cartográficos — então por que depender de dados inconsistentes e desatualizados?
Empresas tradicionais de mapeamento frequentemente dependem de imagens de satélite e atualizações ao nível da rua desatualizadas. A rede de colaboradores da Hivemapper garante a coleta contínua de dados, com algumas áreas recebendo várias atualizações por semana, em comparação com as atualizações anuais ou semestrais típicas de fornecedores tradicionais. Enquanto outros provedores cobrem milhões de quilômetros de estradas no mundo, o modelo descentralizado da Hivemapper permite mapear continuamente regiões desassistidas nas quais empresas tradicionais têm pouco ou nenhum incentivo econômico para operar. Ao aproveitar as rotas existentes dos motoristas em vez de implantar veículos de mapeamento no mundo todo, a Hivemapper reduz significativamente os custos operacionais e mantém dados de alta qualidade.
Os usuários podem contribuir com a Hivemapper de duas formas distintas: mapeando e treinando a API de mapas. Para mapear, os colaboradores precisam ter um dispositivo certificado que siga a especificação Open Dashcam (OCD) da Hivemapper Network. Esse dispositivo coleta e envia imagens valiosas ao nível da rua durante os trajetos diários normais. Os primeiros e os últimos 500 metros de cada viagem são descartados automaticamente por motivos de privacidade. Além disso, os colaboradores podem definir zonas geográficas específicas como áreas de privacidade pessoal, nas quais o dispositivo deixa de gravar. Isso também se aplica a zonas de privacidade da rede, como bases militares, usinas nucleares ou instalações industriais privadas.
Como alternativa, os colaboradores podem realizar tarefas no Map AI Trainers para auditar dados cartográficos. Por exemplo, pode ser solicitado que um colaborador identifique o limite de velocidade indicado em uma placa, confirme se há sinais de obras viárias em uma imagem ou determine se dois ou mais objetos são iguais. Os colaboradores recebem uma pontuação de reputação, garantindo que tarefas especializadas sejam realizadas por revisores qualificados. A Hivemapper não tolera colaboradores que agem de má-fé e protege agressivamente a rede contra eles.
Motoristas e treinadores recebem recompensas em HONEY por suas contribuições. O HONEY também é queimado sempre que empresas e desenvolvedores consomem dados cartográficos para seus produtos e serviços. Esse modelo de incentivos tokenizados demonstrou ser extremamente eficaz para expandir a infraestrutura global, com a rede apoiando mais de 160.000 colaboradores, que ajudaram a mapear mais de 540 milhões de quilômetros em seis continentes. Esse modelo econômico também gera receitas empresariais, pois empresas de entrega, seguradoras e órgãos governamentais agora podem usar os dados cartográficos frequentemente atualizados da Hivemapper para otimizar rotas, avaliar riscos e planejar infraestrutura.
A Bee Maps, empresa responsável pelas iniciativas empresariais e comerciais da Hivemapper, conta com a confiança de líderes em mapeamento, setor automotivo, logística, direção autônoma, mídia e muito mais. Entre eles estão Lyft, Mapbox, Trimble, NBC Universal e Fortex.
O sucesso da Hivemapper demonstra que incentivos em tokens podem coordenar a implantação de enormes infraestruturas físicas, que redes distribuídas podem superar alternativas centralizadas em velocidade e cobertura e que a coordenação por blockchain pode criar modelos econômicos sustentáveis. À medida que expande a coleta especializada de dados com AI Trainers, a Hivemapper continua demonstrando como protocolos DePIN baseados na Solana desafiam monopólios consolidados e criam novas oportunidades econômicas para participantes comuns no mundo todo.
Shaga
A Shaga integra infraestrutura física descentralizada a jogos em nuvem para oferecer uma plataforma de jogos peer-to-peer com desempenho de latência ultrabaixa, além de criar novas oportunidades econômicas para proprietários de PCs avançados. Jogue em qualquer dispositivo, com amigos em salas públicas ou privadas, e ganhe enquanto joga — um modelo inovador que desafia fundamentalmente os modelos centralizados de jogos em nuvem.
A Shaga concluiu uma captação de US$ 5 milhões em duas rodadas, incluindo uma rodada seed de US$ 4 milhões liderada pela IOSG Ventures em fevereiro de 2025. Entre os investidores-anjo de destaque estão Anatoly Yakovenko, cofundador da Solana, e Amir Haleem, cofundador da Helium, fornecendo validação estratégica dentro do ecossistema DePIN da Solana. A Shaga também conquistou o primeiro lugar na categoria de redes de infraestrutura física no Hyperdrive Hackathon de 2023, obtendo validação técnica inicial.
A arquitetura peer-to-peer da Shaga usava originalmente uma pilha modificada dos protocolos Sunshine/Moonlight, na qual os PCs se tornam hosts Sunshine que fornecem recursos computacionais como nós da rede Shaga, enquanto qualquer dispositivo pode se conectar como cliente Moonlight para transmitir jogos.
Desde o MVP do hackathon, a Shaga desenvolveu uma pilha de rede totalmente diferente sobre QUIC, com buffer de GPU para os frames e os comandos que chegam ao PC. Isso permite que PCs de consumidores funcionem como data centers em miniatura, usando correspondência por proximidade geográfica para minimizar a distância de transmissão dos dados. Essa arquitetura dá à Shaga uma vantagem sobre plataformas tradicionais de jogos em nuvem.
A Shaga adota uma abordagem dupla para jogos em nuvem: canais de estado L2 processam a jogabilidade em tempo real, enquanto a Solana fornece a liquidação global. Segundo o whitepaper da Shaga, foram identificados 59,5 milhões de PCs em potencial no mundo que, adicionados como nós, poderiam sustentar 214,5 milhões de sessões de jogo simultâneas. Qualquer pessoa que queira compartilhar recursos com a comunidade pode executar o aplicativo Shaga Node, desde que seu PC tenha capacidade ociosa e uma placa de vídeo Nvidia 1080 ou superior.
A Shaga não hospeda uma biblioteca própria de jogos. Em vez disso, os títulos são oferecidos por streamers a partir de seus nós, e os estúdios de jogos também recebem incentivos para participar.
De março a 4 de junho, a Shaga acumulou 116.877,58 horas de transmissão em 9.549 sessões de jogo, com pico em maio, quase três vezes mais que em abril. Isso coincide com a festa SoLANa no Solana Spaces e com a TwitchCon. Segundo dados próprios, a Shaga tem atualmente 549 nós e 181 modelos de GPU RTX, com 1.224 GB de RAM e 34,94 TB de armazenamento, que sustentam uma capacidade de processamento de 15,44 Gbps.
No mercado de jogos em nuvem de US$ 5,68 bilhões, com projeção de chegar a US$ 36,3 bilhões até 2030, o modelo descentralizado da Shaga oferece vantagens significativas de custo sobre concorrentes centralizados como GeForce Now e Xbox Cloud Gaming. O modelo da Shaga elimina os gastos de capital com data centers e aproveita a proximidade geográfica para obter desempenho superior. Combinada a parcerias estratégicas com a Star Atlas, ao desenvolvimento do controle Odyssey e ao crescimento comprovado, a Shaga está posicionada em um nicho especializado para impulsionar a adoção mais ampla de modelos de infraestrutura descentralizada nos jogos.
IA
A Solana Foundation identificou três áreas centrais de foco que impulsionam o desenvolvimento de IA no ecossistema:
- Viabilizar uma economia vibrante orientada por agentes
- Tornar os LLMs excelentes na escrita de código para Solana
- Apoiar um conjunto de ferramentas de IA aberto e descentralizado
Essa abordagem estratégica já produziu resultados impressionantes, com mais de 400 inscrições no hackathon de IA da Solana e a rápida expansão de frameworks de ferramentas de IA.
O servidor Solana Developer MCP (Model Context Protocol) foi lançado recentemente, levando o conhecimento especializado sobre Solana diretamente a IDEs populares, como Cursor e Windsurf. Assim, os desenvolvedores podem acessar a documentação da Solana em tempo real, fazer perguntas contextuais detalhadas sobre o que estão desenvolvendo e receber orientação especializada sem sair do ambiente de desenvolvimento. O suporte especializado ao Anchor permite fazer perguntas mais complexas, como “Como os eventos de CPI são implementados no Anchor 0.31?”, e receber respostas atualizadas e contextualizadas diretamente na IDE. Esse desenvolvimento representa o compromisso da Solana Foundation em tornar os LLMs excelentes na escrita de código para Solana.
A democratização do desenvolvimento de IA na Solana vai além da assistência tradicional à programação. Por exemplo, plataformas como a dev.fun agora permitem que os usuários criem aplicações on-chain com um único comando em linguagem natural. Ou seja, os usuários podem criar aplicações on-chain sofisticadas, com integrações de carteiras, gestão de tokens e lógica complexa de transações, simplesmente descrevendo sua visão. O mecanismo devbase da plataforma gerencia automaticamente o armazenamento persistente de dados, a lógica das transações e a implantação de programas. Agora, qualquer pessoa, em qualquer lugar e independentemente do nível de habilidade, pode implantar aplicações Solana totalmente funcionais sem nenhum trabalho de backend ou de programa. Até agora, mais de 20.000 aplicações foram criadas.
O ecossistema de IA da Solana abrange desde agentes autônomos que gerenciam posições multimilionárias e criam memecoins virais até frameworks sofisticados de agentes que simplificam as interações com blockchain por meio de comandos em linguagem natural. Projetos como Truth Terminal (ou seja, o primeiro agente de IA milionário) e Goatseus Maximus (GOAT) demonstraram o potencial explosivo de viralização quando agentes de IA interagem on-chain e com outras pessoas, como Marc Andreessen, nas redes sociais. As contribuições, o código aberto e as iniciativas lideradas por nomes como SendAI e ElizaOS também ajudam a disseminar agentes de IA na Solana. Graças às taxas baixas e previsíveis, à alta capacidade de processamento e ao processamento paralelo, a Solana oferece a plataforma ideal para cargas de trabalho de IA que exigem interações on-chain frequentes e respostas em tempo real.
Com base nessa infraestrutura, a Solana tornou-se o lar de um ecossistema próspero de frameworks de agentes. Essas ferramentas permitem que desenvolvedores criem agentes autônomos capazes de realizar interações on-chain complexas, desde simples transferências de tokens até a gestão ativa de estratégias DeFi.
Agentes de IA
Atualmente, há diversos frameworks de desenvolvimento de IA disponíveis na Solana. Para os fins deste relatório, vamos nos concentrar nos frameworks listados no site oficial da Solana: Solana Agent Kit, Eliza, Rig, GOAT e Zerepy.
O Solana Agent Kit é um conjunto de ferramentas desenvolvido pela SendAI para conectar qualquer agente de IA a mais de 30 protocolos da Solana e realizar mais de 60 interações específicas da Solana (como gestão de NFT, empréstimo de ativos, execução de blinks, troca de tokens, envio de pacotes Jito e pontes entre blockchains), mantendo a compatibilidade com Eliza, Langchain, Perplexity e o AI SDK da Vercel. O design modular do kit permite que os desenvolvedores instalem seletivamente componentes conforme suas necessidades: operações com tokens, gestão de NFT, integrações DeFi e outras operações diversas, incluindo airdrops, feeds de preços e registros de domínios.
O ElizaOS consolidou-se como um poderoso framework de simulação multiagente criado para desenvolver, implantar e gerenciar agentes autônomos de IA. Ele oferece uma estrutura flexível que combina vários aplicativos em um sistema unificado com memória persistente, tudo desenvolvido em TypeScript.
O diferencial do Eliza é sua abordagem orientada por personagens para o desenvolvimento de agentes. Os agentes são definidos por arquivos de configuração JSON que especificam personalidades, comportamentos, ações disponíveis e padrões de interação. Isso permite que os desenvolvedores criem “personagens” distintos, com características, bases de conhecimento e recursos próprios, sem modificar o código principal. O sucesso do framework fica evidente em implantações de destaque, como a implantação do fundo de VC de IA da a16z na daos.fun.
O Rig é um framework de desenvolvimento de agentes nativo de Rust, criado especificamente para aplicações de alto desempenho que exigem máxima eficiência e confiabilidade em diversos LLMs e bancos vetoriais. O Rig se concentra em agentes de IA portáteis, modulares, leves e full-stack, capazes de processar cargas computacionais intensivas sem a sobrecarga de desempenho normalmente associada a agentes baseados em Python e JavaScript. Embora exija mais conhecimento técnico que as alternativas, as características de desempenho do Rig fazem dele a opção preferida para agentes em que a eficiência computacional e a confiabilidade do sistema são essenciais.
O GOAT (Great Onchain Agent Toolkit) é um framework de agentes patrocinado pela Crossmint, que oferece mais de 200 integrações entre diversas blockchains, plataformas e casos de uso. A força do conjunto de ferramentas está no amplo suporte entre blockchains e nos recursos financeiros práticos. Os agentes podem usar protocolos importantes como Uniswap e Balancer na Ethereum, Polymarket na Polygon, Jupiter e Meteora na Solana e até comprar produtos físicos na Amazon. O framework oferece suporte a TypeScript e Python e é modular, o que significa que os desenvolvedores só precisam instalar as ferramentas específicas de que necessitam.
O ZerePy é um framework Python de código aberto criado a partir de uma versão modularizada do backend da Zerebro. Ele permite que os desenvolvedores implantem agentes autônomos em várias plataformas de redes sociais, mantendo recursos on-chain tanto na SVM quanto na EVM. O ZerePy oferece suporte a diversas plataformas sociais (como Twitter/X, Discord e Farcaster) e provedores de LLM, incluindo OpenAI, Anthropic, EternalAI e xAI, com integração ao conjunto de ferramentas GOAT. Embora ofereça um ambiente de desenvolvimento Python familiar, o framework não parece estar em desenvolvimento ativo, sendo mais adequado para experimentos ou projetos paralelos do que para implantações em produção.
Estudos de caso
SendAI
A SendAI é um laboratório de desenvolvimento e uma comunidade dedicados a expandir a IA na Solana. A organização realizou o hackathon de IA da Solana, criou o Solana Agent Kit e o Solana MCP e faz parte do ecossistema SEND, um coletivo de startups soberanas unificadas por um único mecanismo de marketing e token.
O hackathon de IA da Solana recebeu mais de 400 projetos, teve 21 vencedores e distribuiu mais de US$ 275.000 em prêmios. Realizado durante 15 dias, de 10 a 23 de dezembro de 2024, o evento reuniu desenvolvedores que competiram para criar os melhores agentes de IA em diferentes categorias, incluindo agentes autônomos de chat, agentes de memes, agentes sociais e influenciadores, infraestrutura de agentes, ferramentas de tokens para agentes, agentes DeFi e agentes de negociação.
A The Hive, uma rede modular de agentes DeFi interoperáveis, venceu a categoria principal de melhor agente geral. O segundo e o terceiro lugares ficaram, respectivamente, com a FXN, uma plataforma em que agentes inteligentes competem, colaboram e executam tarefas em tempo real, e a JailbreakMe, a primeira plataforma de segurança de IA de código aberto que permite aos usuários receber recompensas por violar agentes de IA. A SendAI anunciou a lista completa de vencedores em uma thread no X.
O principal produto da SendAI, o Solana Agent Kit, permite que agentes realizem mais de 60 operações autônomas em blockchain em mais de 40 protocolos da Solana, incluindo Jupiter, Raydium, Orca, Meteora, Sanctum, PumpFun e Drift. Sua abordagem nativa da Solana para o desenvolvimento de IA diferencia o kit de concorrentes multichain como GOAT e Eliza. A SendAI oferece a integração mais profunda com protocolos da Solana, aproveitando sua especialização vertical. Além disso, sua abordagem que prioriza a segurança inclui suporte a carteiras integradas via Turnkey e Privy, eliminando a exposição direta de chaves privadas ao criar e confirmar transações. No momento da redação, o conjunto de ferramentas tem mais de 1.500 estrelas no GitHub e 771 forks, além de contar com o apoio oficial da liderança da Solana.
A SendAI também desenvolveu um servidor MCP para o kit de agentes da Solana, chamado Solana MCP. Para contextualizar, um Model Context Protocol (MCP) é um servidor que fornece ferramentas on-chain para a IA interagir com a Solana por meio de uma interface padronizada. Essa implementação se baseia no Solana Agent Kit para simplificar essas interações. O servidor MCP amplia os recursos do Claude, permitindo que ele interaja com a Solana, execute transações, consulte informações de contas e gerencie várias carteiras diretamente em ambientes de desenvolvimento como Cursor e Windsurf.
Mais recentemente, a SendAI lançou o Solana AppKit, um conjunto de ferramentas React Native de código aberto criado para simplificar o desenvolvimento de aplicativos móveis na Solana. O AppKit oferece módulos prontos, protocolos integrados e um único comando que permite estruturar rapidamente um aplicativo, possibilitando criar aplicativos testados em situações reais em minutos, não semanas.
Assim como o Solana Agent Kit, o AppKit tem uma arquitetura modular que permite aos desenvolvedores selecionar e integrar apenas os componentes necessários para a aplicação, mantendo tudo leve. Ele oferece mais de 19 integrações de protocolos prontas para uso, incluindo, entre outras, gestão de carteiras com Privy, Turnkey, Dynamic e Wallet Adapter da Solana Mobile, recursos de negociação via Jupiter e Raydium, conversão de moedas fiduciárias via MoonPay e integração de IA por meio do Solana Agent Kit da própria SendAI. Os próximos módulos em desenvolvimento incluem ferramentas integradas para DAOs, ZK Compression, rollups efêmeros, transmissão ao vivo e interações DeFi avançadas, como estratégias de concessão e tomada de empréstimos.
Com o crescimento contínuo do ecossistema de IA da Solana, a SendAI se posicionou como o principal laboratório de desenvolvimento, capturando valor do aumento na demanda por integrações entre IA e blockchain. Com planos de oferecer subsídios em breve e recursos abrangentes de IA para acelerar o desenvolvimento de agentes, o futuro da IA na Solana está em boas mãos.
Nosana
A Nosana é um mercado descentralizado de GPUs criado na Solana que busca democratizar o acesso ao poder computacional para IA conectando proprietários de GPUs a desenvolvedores de IA por meio de uma rede peer-to-peer. Ao aproveitar dispositivos subutilizados, a Nosana permite que os usuários monetizem recursos ociosos de GPU e distribui a inferência de IA (ou seja, quando um modelo usa o conhecimento aprendido para gerar previsões, conclusões ou resultados com base em novos dados) em uma enorme escala descentralizada. Esse modelo reduz o lixo eletrônico e coloca a computação nas mãos da comunidade, sem depender das gigantes centralizadas de tecnologia que atualmente dominam o cenário da IA.
Fundada em 2021 por Jesse Eisses e Sjoerd Dijkstra, a Nosana evoluiu de uma plataforma focada em CI/CD para se tornar uma das principais provedoras de inferência descentralizada, após o lançamento público da plataforma em 13 de janeiro de 2025. A Nosana oferece uma economia de até seis vezes nos custos computacionais em relação a provedores tradicionais, sem comprometer o desempenho. Ela usa um modelo dinâmico de preços que reflete as condições do mercado, mantendo os custos de GPU competitivos e fornecendo renda consistente aos hosts de GPU. Todos os hosts de GPU que ingressam precisam concluir testes de referência de desempenho antes de entrar em um Community Market, e somente hosts comprovados são promovidos aos Premium Markets, onde processam cargas de trabalho com retornos maiores. Testes contínuos de desempenho desenvolvidos pelo laboratório de pesquisa e desenvolvimento da Nosana garantem resultados confiáveis, mantêm padrões elevados e facilitam o crescimento da rede.
NOS é o token nativo da Nosana Network, usado para pagamentos de recompensas aos nós, emissões de staking e proteção da rede da Nosana. A Nosana também funciona como uma organização totalmente descentralizada — todos os aspectos da rede são governados pelos detentores do token NOS. No momento da redação, há 16.505 participantes de staking, com US$ 18.244.840 em NOS em staking. Os hosts de GPU precisam fazer staking de NOS, garantindo que apenas participantes confiáveis contribuam com a rede e sejam recompensados por um serviço consistente.
A Nosana alcançou uma adoção considerável, com 1.761.873 implantações concluídas, 914 em execução e 143 na fila, totalizando 1.771.630 horas de trabalho, segundo o explorador da Nosana no momento da redação.
O crescimento da rede se deve, em parte, às suas parcerias estratégicas. Por exemplo, em setembro de 2024, antes de seu lançamento público, a Nosana firmou uma parceria com a Sogni, uma plataforma criativa desenvolvida com um protocolo DePIN específico que usa a Nosana para alimentar suas ferramentas artísticas de última geração. Com a Nosana, a Sogni gerou 95.441.825 imagens ao longo de 1.448.115 horas de computação. A Nosana também formou parcerias estratégicas com outros projetos, como a Rivalz para oráculos de IA, a Ocada para otimização de agentes de IA e a PiKNiK para integrar GPUs de alto desempenho à sua rede DePIN.
A arquitetura nativa da Solana da Nosana permite transações em menos de um segundo e taxas baixas e previsíveis, essenciais para a computação por GPU com pagamento por uso. O foco exclusivo da Nosana em inferência de IA permite otimizações mais profundas de latência e alocação de recursos específicas para servir modelos de IA treinados, como LLaMA 2 e Stable Diffusion. Olhando para o futuro, diante do crescimento exponencial da demanda por computação de IA e da contínua escassez de GPUs no mercado, a Nosana se posiciona como uma provedora de infraestrutura essencial para a próxima geração de aplicações de IA — aplicações que exigem computação econômica, escalável e resistente à censura.
Nous Research
A Nous Research democratiza o desenvolvimento de IA de código aberto e centrada nas pessoas. Sua missão é criar e democratizar o acesso à melhor inteligência do mundo.
A Nous lançou recentemente a Psyche, uma rede descentralizada de treinamento que distribui o desenvolvimento de IA entre hardwares subutilizados. Isso é feito por meio de sua pilha personalizada de rede peer-to-peer, que coordena GPUs distribuídas globalmente executando o DisTrO, uma família de otimizadores que aproveita propriedades do treinamento de aprendizado de máquina para comprimir significativamente as informações transmitidas entre aceleradores. A Psyche usa a Solana para descentralizar partes de sua infraestrutura de coordenação e armazenamento de atestados. Sua testnet marcou a maior execução de pré-treinamento já realizada pela internet, com o pré-treinamento de um LLM de 40 bilhões de parâmetros. A arquitetura descentralizada da Psyche se divide em autorizador, cliente, coordenador, pool de mineração, tesoureiro e ferramentas específicas da Solana.
A Nous realizou recentemente o Nous RL Environments Hackathon em São Francisco. O hackathon ocorreu em 18 de maio, com 386 participantes inscritos trabalhando com o Atropos, framework de ambientes de aprendizado por reforço da Nous que coordena tarefas com confiabilidade entre potencialmente milhares de trabalhadores distribuídos, para disputar uma premiação total de US$ 50.000. Entre os parceiros estavam xAI, Nvidia, Neblisau, SHACK15, Akash Network, Lambda, TensorStax e RunPod.
Entre os projetos vencedores estavam um ambiente de batalhas Pokémon, um ambiente criado para gerar conjuntos de regras de cibersegurança a partir de ameaças, um modelo treinado para prever o desfecho de uma piada com base em sua introdução, além de médicos baseados em agentes. A Nous publicou no X a lista completa de vencedores, e todos os projetos podem ser encontrados como pull requests enviados ao repositório do Atropos no GitHub.
A Nous Research representa uma parte essencial da visão da Solana de viabilizar uma economia vibrante orientada por agentes e apoiar um cenário de IA aberto e descentralizado. Ao permitir o treinamento distribuído de enormes modelos de linguagem em hardware de consumidores, somado ao sucesso comprovado na realização do maior pré-treinamento pela internet, a Nous Research está desbravando o futuro de uma IA acessível. À medida que a IA se torna cada vez mais central para a inovação global, a abordagem da Nous Research garante que a infraestrutura que alimenta a próxima geração de inteligência artificial permaneça aberta, descentralizada e acessível a todos, colocando a Solana no centro de uma das transformações tecnológicas mais importantes do nosso tempo.
Dispositivos móveis
O futuro das criptomoedas é móvel. A Solana Labs reconhece isso e, usando sua experiência em telecomunicações, mantém um foco reconhecido no desenvolvimento de uma arquitetura voltada primeiro para dispositivos móveis. Enquanto outras blockchains têm enfrentado dificuldades para criar experiências móveis relevantes, a arquitetura técnica da Solana, combinada com hardware desenvolvido especificamente para esse fim e ferramentas para desenvolvedores, coloca a rede na vanguarda do renascimento das criptomoedas em dispositivos móveis.
A estratégia móvel da Solana consiste no Solana Mobile Stack (SMS), em hardware desenvolvido especificamente para esse fim, como smartphones, e na distribuição descentralizada de aplicativos. Essa abordagem integrada resolve os desafios fundamentais que impediram outras blockchains e aplicativos de alcançar uma adoção centrada em dispositivos móveis: experiência do usuário ruim, preocupações com segurança e lojas de aplicativos tradicionais.
Solana Mobile Stack (SMS)
O Solana Mobile Stack (SMS) oferece tecnologias essenciais para criar aplicativos Android que interagem com a Solana. Essencialmente, é um SDK em constante evolução, com bibliotecas para carteiras móveis, cofres de seeds, uma loja de dApps e o Solana Pay.
Mobile Wallet Adapter
O Mobile Wallet Adapter (MWA) oferece uma especificação de protocolo genérica para conectar carteiras móveis a dApps, eliminando um dos maiores pontos de atrito do desenvolvimento móvel. Ele oferece uma integração unificada com carteiras por meio de um dos vários SDKs de cliente, incluindo React Native, Kotlin e Flutter. Assim, os usuários podem se conectar usando uma carteira conhecida, sem nenhuma etapa adicional de cadastro.
Seed Vault
O Seed Vault representa um avanço na segurança de criptomoedas em dispositivos móveis ao aproveitar um ambiente de execução confiável (TEE) integrado aos smartphones modernos. Em vez de armazenar chaves privadas em software, o Seed Vault isola as operações na camada de segurança mais privilegiada do dispositivo. Isso significa que chaves privadas, frases-semente e segredos são armazenados em um elemento seguro (SE) separado do aplicativo, mas ainda podem interagir com os aplicativos em execução no dispositivo.
Solana dApp Store
A Solana dApp Store oferece uma alternativa às políticas restritivas e extrativistas das lojas de aplicativos tradicionais. Enquanto Apple e Google cobram dos desenvolvedores 30% da receita e frequentemente proíbem ou restringem aplicativos de criptomoedas, a Solana dApp Store funciona como uma loja de aplicativos gratuita e favorável a criptomoedas para dispositivos Solana Mobile. O Seeker oferece acesso tanto à Solana dApp Store quanto à Google Play Store, dando opções aos usuários sem prendê-los a um telefone exclusivo para a Solana.
Solana Pay
O Solana Pay permite realizar transações por meio de códigos QR nativos ou do suporte a NFC integrado diretamente à stack móvel. Essa integração processa a interpretação de solicitações de pagamento, a criação de transações e os fluxos de confirmação, tornando os pagamentos com criptomoedas tão simples quanto os sistemas tradicionais de pagamento móvel. Assim, os comerciantes podem aceitar SOL e outros tokens SPL, incluindo stablecoins, com a mesma facilidade dos métodos de pagamento existentes. O Solana Pay se mostrou uma opção popular para ofertas voltadas ao mercado de criptomoedas. Por exemplo, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está vendendo relógios que podem ser comprados com o token $TRUMP usando o Solana Pay.
A natureza open source do Solana Mobile Stack atraiu projetos de jogos, DeFi, plataformas sociais e ferramentas para criadores, formando um ecossistema vibrante de aplicativos voltados primeiro para dispositivos móveis. Com os próximos Programa de Subsídios Solana Mobile Builder e Hackathon Solana Mobile, o ecossistema de desenvolvedores móveis da Solana está crescendo rapidamente. Como os dispositivos móveis são o principal meio de acesso para bilhões de pessoas em todo o mundo, o SMS oferece a base técnica para a adoção em massa por meio dos dispositivos usados diariamente.
Smartphones
A Solana Mobile, uma subsidiária da Solana Labs, fez sua primeira incursão no desenvolvimento móvel com o Saga, um smartphone topo de linha com recursos e funcionalidades que tornam simples a interação com a Solana. O Saga foi revelado em 22 de junho de 2022, durante um evento em Nova York no qual o Solana Mobile Stack também foi apresentado. Com preço de US$ 1.000 e especificações Android intermediárias, apenas ~2.500 unidades foram vendidas nos primeiros meses, e o preço foi posteriormente reduzido para US$ 600. Avaliadores de tecnologia, incluindo o conhecido YouTuber Marques Brownlee, criticaram o telefone por ser desnecessário e caro demais, concedendo a ele o prêmio “Fracasso do Ano” em sua premiação Mobile Awards.
No entanto, a sorte do Saga mudou em dezembro de 2023 com a valorização do BONK, quando 30 milhões de tokens foram distribuídos via airdrop para cada telefone. A transformação foi rápida e sem precedentes: as vendas aumentaram dez vezes nas 48 horas após a disparada do BONK. Todas as 20.000 unidades haviam se esgotado até 16 de dezembro de 2023, com preços no mercado secundário do eBay variando de US$ 3.000 a US$ 5.000.
O sucesso do Saga impulsionou uma nova iniciativa móvel, com uma ampla variedade de airdrops e recompensas para seus proprietários. Aproveitando esse sucesso, a Solana Mobile anunciou o smartphone Seeker em janeiro de 2024. Esse novo telefone aplicará as lições aprendidas com o Saga e ampliará drasticamente o alcance de mercado. O Seeker foi lançado por US$ 500, metade do preço original do Saga, mas com especificações melhores: tela AMOLED de 6,36 polegadas com mais brilho e bordas menores, 8 GB de RAM, 128 GB de armazenamento, bateria de 4.500 mAh com carregamento sem fio e uma câmera de 108+32 MP significativamente melhor.
A carteira Seed Vault oferece um cofre de seeds em hardware integrado nativamente e uma carteira móvel com acesso por impressão digital, desenvolvidos exclusivamente para o Seeker. O Seeker ID combina o endereço da carteira, o nome de usuário e o Genesis Token do usuário em um único ID fácil de usar, funcionando como um passaporte digital para o ecossistema Solana Mobile. Os usuários podem fazer transações on-chain com seu nome de usuário .skr exclusivo, que também serve como prova de autenticidade. Além disso, para manter a confiança e a segurança à medida que a plataforma cresce, a TEEPIN (Rede de Infraestrutura de Plataforma de Ambiente de Execução Confiável) conecta hardware seguro, verificação da plataforma e uma rede de Guardians para criar uma plataforma móvel aberta e descentralizada.
O Seeker já ultrapassou 140.000 pré-vendas em 57 países, gerando mais de US$ 60 milhões em receita. Esse sucesso validou um modelo de negócios totalmente novo, que busca capturar a próxima onda de adoção em massa das criptomoedas por meio de experiências voltadas primeiro para dispositivos móveis. A abordagem integrada da Solana, combinando hardware, software e incentivos econômicos, representa a estratégia móvel de criptomoedas mais abrangente do setor.
Conclusão
As evidências são claras: a Solana evoluiu de um experimento técnico ambicioso, marcado por medo, incerteza e dúvida, para se tornar a infraestrutura fundamental da próxima geração das finanças digitais. Este relatório demonstrou que, em dimensões essenciais como desempenho técnico, atividade econômica, adoção por desenvolvedores, validação institucional e utilidade no mundo real por meio de RWAs, DePIN, IA e dispositivos móveis, a Solana se destaca como a blockchain criada para a adoção em massa.
Os quinze meses de operação contínua da Solana, o processamento consistente de mais de 162 milhões de transações por dia e as taxas medianas inferiores a um centavo durante períodos de pico de demanda solucionaram definitivamente as críticas iniciais à confiabilidade da rede. Além disso, a Solana é suficientemente descentralizada em seu conjunto de validadores, desenvolvedores do ecossistema, provedores de hospedagem e localizações geográficas, de modo que nenhuma entidade isolada pode censurar a rede.
Com mais de US$ 550 milhões em Valor Econômico Real gerados somente em janeiro de 2025, a Solana comprovou que a atividade econômica sustentável vem do volume e da utilidade, não de uma escassez artificial causada por escolhas ruins de design. O domínio de 81% das transações em DEX, o crescimento explosivo das stablecoins, o desenvolvimento das Zonas Econômicas da Solana e seu próspero ecossistema DeFi demonstram um ecossistema financeiro maduro, que rivaliza com os mercados tradicionais em sofisticação e os supera em acessibilidade e eficiência.
A ascensão da Solana como principal destino para novos desenvolvedores representa uma mudança geracional no desenvolvimento de blockchains. A participação recorde mundial em hackathons, uma infraestrutura educacional abrangente, a Superteam e os inúmeros eventos organizados pela Fundação e pela comunidade criaram um ciclo autossustentável de curiosidade, conexão e inovação.
A recente clareza regulatória, combinada com aprovações pendentes de ETFs e a adoção por tesourarias corporativas, marca a transição da Solana de um ativo especulativo para uma infraestrutura institucional. A descrição da Solana pela Franklin Templeton como “uma das primeiras redes voltadas para instituições” reflete um reconhecimento mais amplo de que as finanças tradicionais precisam de uma infraestrutura de blockchain capaz de lidar com volumes de nível institucional, requisitos de conformidade e expectativas dos usuários — capacidades que, atualmente, só são possíveis na Solana.
De bebidas destiladas de luxo e redes sem fio descentralizadas a jogos na nuvem e IA centrada no ser humano, a Solana não está apenas participando da digitalização dos mercados financeiros globais — está liderando esse movimento. A convergência documentada neste relatório — maturidade técnica, domínio econômico, adoção por desenvolvedores e validação institucional — posiciona a Solana de forma única para os desafios futuros. As vantagens da Solana só aumentarão à medida que o cliente completo Firedancer se aproximar da adoção na mainnet; que o Alpenglow reescrever o consenso da Solana, equiparando sua experiência às experiências tradicionais da Web2; que as instituições tradicionais acelerarem suas estratégias de ativos digitais; que os marcos regulatórios se consolidarem globalmente; e que inúmeros outros avanços evoluírem no cenário das criptomoedas.
O futuro dos mercados de capitais da internet chegou e está sendo construído na Solana.
Artigos relacionados
Assine a Helius
Acompanhe as novidades mais recentes do desenvolvimento Solana e receba atualizações quando publicarmos


