
Construindo blockchains permissionadas com Solana Permissioned Environments
Índice
- Introdução
- Token de gas
- Tempos de bloco
- Controle do conjunto de validadores
- Acesso
- Componibilidade
- Governança
- Visibilidade
- Modelo de segurança
- Processo de atualização
- Clientes de validador
- Interoperabilidade
- Níveis de integração
- Nível 1: tokenização nativa
- Nível 2: uso de programas existentes da Solana
- Nível 3: desenvolvimento de programas personalizados
- Estudos de caso de Solana Permissioned Environments
- Spherenet (Sphere)
- Pythnet (Pyth)
- Iron Chain (Iron)
- Solstice (Rimark)
- Powerledger
- Alphaledger
- K2 (Koii)
- L2s permissionadas baseadas na SVM
- Conclusão
- Recursos adicionais
Introdução
Embora a mainnet da Solana frequentemente ocupe o centro das atenções, ela representa apenas uma implementação da Solana Virtual Machine (SVM) mais ampla. Por trás dela, o ambiente de execução de alto desempenho da Solana sustenta um ecossistema crescente de appchains privadas e permissionadas desenvolvidas especificamente para empresas, regulamentações e casos de uso específicos de aplicações.
Essas implementações, conhecidas como Solana Permissioned Environments (SPEs), utilizam os recursos avançados da SVM, incluindo execução paralela, mercados locais de taxas e extensões de tokens, em infraestruturas controladas e personalizáveis. As SPEs se beneficiam do alto desempenho e das ferramentas robustas de desenvolvimento da Solana, além de permitirem controle granular sobre participantes do consenso, visibilidade dos dados e estruturas de conformidade.
Em contraste com blockchains públicas, as SPEs oferecem os limites de confiança e a flexibilidade de governança exigidos por setores como bancos, mercados de capitais, ativos do mundo real e pagamentos e remessas. Nesses domínios, privacidade, conformidade e gestão de risco de contraparte são requisitos inegociáveis.
Considere o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) da Europa como exemplo: ele controla rigorosamente como e onde Informações de Identificação Pessoal (PII) de cidadãos europeus podem ser processadas. Empresas como Google e Meta já receberam penalidades significativas por descumprimento do GDPR. O nível de exigência é ainda maior para instituições financeiras, que estão sujeitas a uma fiscalização mais rigorosa e multas mais severas. Além disso, reguladores de jurisdições fora da UE podem proibir que infraestruturas localizadas na UE processem informações confidenciais de seus cidadãos, criando uma complexidade que redes públicas permissionless distribuídas globalmente podem ter dificuldade para administrar.
Isso cria a necessidade de aplicação localizada de regras na camada do scheduler, do runtime ou da aplicação, onde entidades reguladas podem cumprir leis vinculadas a licenças e jurisdições. Nesse contexto, Know Your Customer (KYC) e Know Your Business (KYB) são requisitos básicos. As instituições frequentemente precisam de uma integração mais profunda com estruturas de conformidade, como prevenção à lavagem de dinheiro (AML), combate ao financiamento do terrorismo (CTF) e controles de residência de dados. Em mainnets públicas, até mesmo um único node não consentido ou não verificado pode gerar responsabilidade, especialmente quando os validadores estão distribuídos globalmente por diferentes jurisdições legais e não estão vinculados a um regime de conformidade unificado.
As SPEs oferecem uma arquitetura de appchain compatível com requisitos de conformidade, permitindo que instituições atendam a exigências regulatórias, reduzam riscos de contraparte e diminuam custos operacionais por meio de lógica on-chain auditável. À medida que as instituições buscam adotar ativos tokenizados, finanças programáveis e infraestrutura distribuída, os Solana Permissioned Environments conectam a inovação em blockchain às garantias de nível empresarial.
Este artigo apresenta uma análise abrangente das SPEs e de seus benefícios. Ele está organizado em três seções principais:
- Visão geral dos Solana Permissioned Environments – descreve as principais diferenças entre as SPEs e a mainnet da Solana, destacando a maior flexibilidade e capacidade de configuração que as SPEs oferecem para implementações especializadas.
- Estudos de caso de Solana Permissioned Environments – apresenta exemplos reais de SPEs, detalhando implementações atuais em produção e suas aplicações em diversos setores e casos de uso.
- A próxima onda: SPEs para plataformas digitais – explora caminhos futuros e como as SPEs podem sustentar a próxima geração de infraestrutura de plataformas.
Embora as seções tenham sido elaboradas para leitura sequencial e compreensão completa, cada uma é independente e pode ser lida separadamente.
Visão geral dos Solana Permissioned Environments
Uma SPE é uma blockchain totalmente soberana construída sobre a stack tecnológica da Solana. Ela mantém as principais vantagens da Solana, incluindo alto throughput, execução paralela, finalização rápida, taxas baixas e impacto ambiental mínimo, enquanto opera de forma independente da mainnet da Solana. Diferentemente de rollups ou batchers, SPEs e appchains não dependem da mainnet para disponibilidade de dados ou liquidação, o que permite autonomia e capacidade de configuração completas.
Como as SPEs são executadas na Solana Virtual Machine (SVM), elas se beneficiam de todo o conjunto de ferramentas open source para desenvolvedores da Solana. Isso inclui tecnologias que reduzem custos, como compressão de estado e compatibilidade com Solidity para portabilidade entre ecossistemas, além de padrões de tokens de nível empresarial, como o Token-2022, desenvolvido especificamente para ambientes regulados. Ao mesmo tempo, as SPEs oferecem um alto nível de configuração, permitindo implementações de appchains personalizadas para atender às necessidades específicas de uma ampla variedade de aplicações empresariais.
A tabela abaixo destaca as principais diferenças entre a mainnet da Solana e as SPEs, demonstrando a natureza personalizável dos ambientes permissionados.
| Mainnet da Solana | Solana Permissioned Environment | |
| Token de gas | SOL | Personalizável (por exemplo, stablecoin) |
| Espaço de bloco | Compartilhado | Dedicado |
| Tempos de bloco | ~400 ms | Personalizáveis (dentro das limitações técnicas) |
| Conjunto de validadores | ~1.300 validadores distribuídos globalmente | Operado internamente/selecionado |
| Acesso | Permissionless, aberto a qualquer pessoa | Normalmente permissionado |
| Componibilidade | Totalmente componível com o ecossistema mais amplo da Solana | Isolado, sem componibilidade com aplicações da mainnet da Solana |
| Governança | Votação on-chain + consenso social off-chain | Personalizável pelo operador do ambiente |
| Visibilidade | Pública e transparente | Pode ser privada ou restrita |
| Modelo de segurança | Segurança econômica por meio de nodes com stake e consenso descentralizado | Segurança definida pelo operador (pode não depender de staking) |
| Processo de atualização | Coordenado pelas equipes principais de desenvolvimento e pelo consenso do conjunto de validadores | Orientado pelo operador do ambiente |
| Clientes de validador | Agave, Jito, Firedancer As modificações devem manter a compatibilidade com o consenso | Forks abertos a modificações personalizadas |
| Interoperabilidade | Ampla seleção de provedores de bridges | Exige bridges ou conectores personalizados |
Vamos analisar cada um desses fatores separadamente.
Token de gas
Em blockchains públicas, os tokens nativos normalmente funcionam como incentivos econômicos e mecanismo antispam, com os usuários pagando taxas de gas para realizar transações. Esses tokens são negociáveis publicamente e, em geral, têm preços voláteis. Em contraste, os Solana Permissioned Environments (SPEs) oferecem suporte a uma lógica de taxas de transação altamente personalizável, mais alinhada às necessidades empresariais.
- Algumas SPEs eliminam completamente as taxas de transação para o usuário final, usando tokens de gas sem valor econômico exclusivamente como ferramentas de controle de acesso para o envio de transações ou direitos de validação.
- Microtaxas podem ser implementadas para funções específicas, como medição de uso de API ou limitação de taxa, oferecendo flexibilidade sem comprometer a usabilidade ou a conformidade.
- Outra abordagem é usar relayers gasless incorporados, que podem cobrir os custos das transações e eliminar a necessidade de entidades reguladas manterem criptoativos voláteis em seus balanços.
Tempos de bloco
O tempo de bloco padrão da Solana é de aproximadamente 400 milissegundos. No entanto, com SPEs, os tempos de bloco são mais configuráveis e podem ser ajustados conforme os requisitos específicos de desempenho, hardware e rede da implementação. Por exemplo, a Iron, provedora de infraestrutura para stablecoins, configura a SPE Iron Chain com um tempo de bloco de ~2 segundos para viabilizar a execução atômica de operações criptográficas complexas.
Controle do conjunto de validadores
As SPEs oferecem controle granular sobre o conjunto de validadores e a infraestrutura física da rede, permitindo que os operadores projetem suas redes de acordo com requisitos específicos de confiança, conformidade e operação. Os validadores podem ser hospedados internamente para maximizar o controle ou delegados a um consórcio confiável de parceiros com funções claramente definidas. Por meio de listas de permissão de validadores, os operadores garantem que todos os participantes sejam conhecidos, avaliados e estejam em conformidade com os padrões regulatórios relevantes. As SPEs podem ser implementadas em ambientes locais para testes e desenvolvimento, em infraestruturas personalizadas ou por meio de provedores de serviços de SPE, como a Helius, que oferece implementação gerenciada de nodes e suporte operacional.
Acesso
As SPEs oferecem controle sobre quem pode acessar e interagir com a rede, viabilizando implementações adaptadas a uma ampla variedade de requisitos regulatórios, geográficos e de segurança. Os operadores podem implementar geofencing, restrições de conformidade ou lógica de acesso personalizada no nível do smart contract. As SPEs podem ser configuradas como ambientes totalmente privados, públicos mediante adesão ou híbridos, dependendo do nível de abertura desejado.
Em resumo, as SPEs permitem que você defina e aplique regras precisas de participação, garantindo que apenas entidades autorizadas e em conformidade possam interagir com a rede.
Componibilidade
As SPEs geralmente operam como appchains isoladas, separadas da mainnet da Solana e de outras redes. Isso significa que elas não têm componibilidade nativa com aplicações ou liquidez da mainnet. No entanto, as SPEs podem oferecer suporte a implementações espelhadas de programas públicos da Solana, permitindo que desenvolvedores repliquem funcionalidades da mainnet em um ambiente privado e controlado. Os programas podem ser clonados facilmente entre ambientes e, quando derivados de implementações da mainnet amplamente testadas em produção, oferecem fortes garantias de confiabilidade e segurança.
Governança
Na mainnet da Solana, a governança é conduzida por uma combinação de votação on-chain ponderada por stake e consenso social off-chain formado em fóruns públicos e discussões da comunidade.
Em contraste, as SPEs oferecem modelos flexíveis de governança. Elas podem ser gerenciadas de forma centralizada por um único operador do ambiente ou controladas em conjunto por um consórcio de entidades confiáveis. Isso permite implementar recursos administrativos, como mecanismos de pausa emergencial, hooks de governança personalizados e políticas restritas de emissão adaptadas às necessidades específicas do ambiente.
Visibilidade
A mainnet da Solana é uma rede aberta e transparente na qual os dados são publicamente acessíveis por padrão. Soluções de aprimoramento de privacidade, como Transferências Confidenciais e Arcium, podem adicionar camadas de confidencialidade quando necessário. Em contraste, as SPEs podem ser configuradas para oferecer controle granular sobre a visibilidade dos dados, restringindo o acesso a participantes autorizados. Esse recurso é essencial para instituições financeiras reguladas, nas quais a confidencialidade é um requisito rigoroso de conformidade, especialmente em transações internacionais e entre instituições.
Modelo de segurança
A mainnet da Solana opera sob um modelo de Proof-of-Stake (PoS) delegado, no qual os participantes fazem staking de SOL em validadores, oferecendo segurança econômica e alinhando incentivos para comportamentos honestos.
Em contraste, as SPEs oferecem configurações flexíveis de segurança. Os operadores podem escolher entre diversos mecanismos de consenso — ou até mesmo dispensar completamente o staking — conforme os requisitos específicos do caso de uso, como desempenho, premissas de confiança ou restrições regulatórias.
Processo de atualização
As principais equipes de desenvolvimento da Solana lançam regularmente atualizações para o software cliente open source. Alterações que quebram o consenso são introduzidas por meio de ativações programadas de feature gates, garantindo atualizações coordenadas da rede. À medida que novos feature gates são habilitados, a versão mínima compatível da rede — o piso de versão — é elevada para refletir a versão que contém esses recursos.
Nas SPEs, o controle das atualizações fica com o operador. Ele pode decidir quando, ou se, adotará novos recursos e pode optar por implementar apenas patches críticos de segurança, sem adotar alterações mais amplas no protocolo, para manter a estabilidade ou atender a requisitos de conformidade.
Clientes de validador
A mainnet da Solana oferece suporte a três clientes de validador: Agave, Jito e Firedancer. Embora os operadores personalizem esses clientes com frequência, as modificações são limitadas para garantir a compatibilidade com as regras de consenso da rede.
As SPEs, por outro lado, ampliam os limites da personalização. Como operam de forma independente da mainnet da Solana, elas permitem modificações profundas no software principal dos validadores e nos parâmetros do protocolo. Os operadores podem aumentar os limites de tamanho das transações, desabilitar completamente as transações de votação ou ajustar o comportamento do sistema às necessidades específicas da aplicação.
Interoperabilidade
As SPEs geralmente são projetadas para operar de forma isolada, oferecendo ambientes seguros e controlados. No entanto, quando a interoperabilidade é necessária, elas podem se conectar à mainnet da Solana ou a outras redes blockchain por meio de mensagens cross-chain e soluções de bridge, como Wormhole ou LayerZero. Essas ferramentas permitem o envio de mensagens, a transferência de ativos, o compartilhamento de dados e interações entre programas em diferentes ambientes.
Níveis de integração
As SPEs podem ser adotadas com diferentes níveis de complexidade e personalização para atender ao caso de uso e aos requisitos técnicos específicos de uma organização. É útil enxergar a implementação de SPEs como uma progressão por níveis de integração distintos e não exclusivos. Essa abordagem permite que as organizações comecem com uma configuração mínima de appchain e escalem ao longo do tempo, conforme seus casos de uso amadurecem e suas capacidades técnicas evoluem.
Nível 1: tokenização nativa
O ponto de entrada mais acessível para a integração com SPEs é a emissão e a gestão de tokens personalizados que representem, por exemplo, ativos do mundo real, stablecoins (dólares digitais), direitos digitais ou créditos. Essa abordagem é ideal para organizações que desejam aproveitar o alto throughput e as taxas baixas da Solana em casos de uso simples de tokenização. A implementação é simples e utiliza o padrão de tokens consolidado da Solana Program Library (SPL) e as ferramentas existentes.
As SPEs podem aprimorar ainda mais esse modelo com as Extensões de Tokens da Solana, que introduzem recursos avançados essenciais para ambientes empresariais e regulados.
Entre eles estão:
- Controles de privacidade integrados para transferências confidenciais
- Mecanismos de delegação permanente para contas de custódia ou gerenciadas
- Suporte nativo a metadados para identificação de ativos
- Ferramentas de configuração de stablecoins para políticas monetárias controladas pelo emissor
Esses recursos permitem que as SPEs ofereçam suporte a aplicações financeiras sofisticadas e em conformidade sem exigir o desenvolvimento de programas personalizados.
Além disso, várias empresas líderes em segurança, incluindo Halborn, Zellic, NCC, Trail of Bits e OtterSec, auditaram minuciosamente as Extensões de Tokens da Solana.
Nível 2: uso de programas existentes da Solana
As organizações podem ampliar a funcionalidade das SPEs implementando e integrando programas open source da Solana amplamente testados em produção. Esses módulos prontos, alguns deles disponíveis na Solana Program Library, facilitam operações mais complexas com o mínimo de esforço de desenvolvimento.
Alguns exemplos são escrow de tokens, cronogramas de vesting, módulos de governança e exchanges descentralizadas. Esse nível oferece um ótimo equilíbrio entre funcionalidade e facilidade de implementação.
Nível 3: desenvolvimento de programas personalizados
Programas personalizados oferecem flexibilidade total para organizações com lógica de negócios específica, requisitos de conformidade ou necessidades de funcionalidades avançadas. Nesse nível, você pode projetar e implementar aplicações on-chain sob medida, integrar recursos avançados de privacidade, aplicar políticas regulatórias ou até mesmo implementar regras de consenso personalizadas.
O desenvolvimento de programas personalizados exige experiência com desenvolvimento na Solana, incluindo o runtime da Solana e a gestão do ciclo de vida dos programas. Embora os programas normalmente sejam escritos em Rust, eles podem usar qualquer linguagem de programação compatível com o backend BPF do LLVM, incluindo C e C++. Isso libera todo o potencial das SPEs como ambientes soberanos e altamente personalizados, construídos de acordo com especificações exatas.
Estudos de caso de Solana Permissioned Environments
Esta seção explora exemplos importantes de SPEs, apresentando os diversos casos de uso e requisitos especializados que elas atendem. Esses estudos de caso mostram exemplos reais de como as SPEs, enquanto appchains permissionadas, podem ser adaptadas a demandas de alto desempenho específicas de cada aplicação.
- Spherenet: um protocolo de pagamentos de última geração desenvolvido pela Sphere, criado para oferecer pagamentos digitais rápidos, programáveis e em conformidade.
- Pythnet: uma rede descentralizada de oráculos de preços operada pela Pyth, projetada para agregar dados de preços em tempo real com segurança.
- Iron Chain: uma rede global que oferece infraestrutura bancária e de pagamentos regulada e compatível com cripto em várias jurisdições.
- Solstice: uma rede de ativos tokenizados da Rimark, voltada a levar ativos do mundo real para a blockchain em um ambiente seguro e escalável.
- Powerledger: um projeto DePIN (Rede de Infraestrutura Física Descentralizada) que permite a negociação peer-to-peer de eletricidade em mercados locais de energia.
- Alphaledger: uma plataforma de infraestrutura financeira pioneira na tokenização de dívidas municipais.
- Koii: uma rede de computação descentralizada otimizada para distribuir tarefas e recompensas.
Em conjunto, essas implementações demonstram a flexibilidade e o poder das SPEs para oferecer consenso, controle de acesso e modelos econômicos personalizados em diversos casos de uso e requisitos.
Spherenet (Sphere)
A Spherenet, desenvolvida pela Sphere em colaboração com a Anza, é uma SPE criada especificamente para atender às demandas complexas das instituições financeiras. Posicionada como um ledger distribuído focado em pagamentos e que prioriza a conformidade, a Spherenet oferece uma alternativa regulada e com preservação de privacidade às redes blockchain públicas, conectando sistemas financeiros tradicionais a infraestruturas viabilizadas por blockchain.
Em sua essência, a Spherenet é um ledger dedicado de conta para conta, desenvolvido para entidades reguladas realizarem pagamentos internacionais com velocidade, transparência e minimização de confiança. Ela aproveita o desempenho da SVM e incorpora mudanças fundamentais na governança, no consenso e na conformidade para garantir compatibilidade com regulamentações financeiras globais, especialmente em transações internacionais em mercados emergentes.
Arquitetura de ledger nativamente compatível
A Spherenet aplica um padrão obrigatório de classificação de contas que permite classificar detalhadamente as contas ativas — por exemplo, por jurisdição. Isso viabiliza a aplicação automática de requisitos locais e globais de conformidade e da lógica de pagamentos, garantindo que instituições reguladas cumpram integralmente as leis relevantes sem a necessidade de ferramentas externas complexas.
Conjunto permissionado de validadores e governança federada
O conjunto de validadores é permissionado e selecionado, com a Sphere Foundation gerenciando inicialmente a participação. Com o tempo, esse controle será transferido para um modelo de governança federada que inclui parceiros institucionais distribuídos geograficamente. Para garantir a separação de responsabilidades, os validadores se concentram em manter a integridade técnica e o desempenho da rede, enquanto a governança assume a responsabilidade por decisões executivas e regulatórias importantes, incluindo o tratamento de escalonamentos de conformidade.
Aplicação seletiva de zkTLS
Para atender aos requisitos europeus de soberania de dados, a Spherenet facilita a aplicação de zkTLS (prova de conhecimento zero sobre TLS) por seus parceiros europeus, tornando o cumprimento das obrigações regulatórias o mais simples possível e evitando sobrecarga desnecessária para participantes de outras jurisdições.
Transações gasless e verificação de sanções
Relayers gasless incorporados permitem que entidades realizem transações sem manter ativos voláteis, reduzindo as demandas de gestão de tesouraria. Além disso, a verificação nativa de sanções, os processos automatizados de AML/KYC e a comunicação de atividades suspeitas fazem parte do ciclo de vida das transações.
Mecanismos de bridge e financiamento
A Spherenet oferece suporte à transferência de stablecoins por bridge entre redes internas e externas por meio de leilões de execução e de um modelo de atestação por provador. Isso permite que rampas de entrada de moedas fiduciárias interajam com segurança com o ledger digital, mantendo a auditabilidade.
Pythnet (Pyth)
A Pythnet foi o primeiro Solana Permissioned Environment (SPE) lançado em produção. Desenvolvida especificamente para a Pyth Network, ela funciona como uma camada de computação segura e de alto desempenho para agregar dados de preços em tempo real de diversos provedores de dados financeiros.
Operando como uma blockchain específica de aplicação (appchain), a Pythnet permite que a Pyth combine envios individuais de preços em um único agregado confiável para cada feed. Esse processo de agregação garante que informações de preços precisas, confiáveis e atualizadas estejam disponíveis em todas as plataformas e blockchains compatíveis.
No momento da redação deste artigo, a Pythnet fornece 1.374 feeds de preços que abrangem criptoativos, ações, câmbio, commodities e taxas, distribuindo esses dados para mais de 100 blockchains e plataformas, incluindo OpenBB e TradingView.
Por que a Pyth escolheu uma SPE da Solana
Vários fatores influenciaram a decisão de construir a Pythnet sobre uma versão permissionada da Solana:
- Baixa latência: os tempos de bloco de 400 ms da Solana permitem que a Pythnet produza atualizações de preços de alta frequência com atraso mínimo.
- Flexibilidade e controle: especialmente em relação à configuração de gas e ao custo de implementação de aplicações.
- Comunidade sólida de desenvolvedores: a Solana é conhecida por sua comunidade sólida e colaborativa de desenvolvedores; a Pythnet se beneficia desse amplo conhecimento compartilhado e das ferramentas open source.
Consenso e governança
A Pythnet usa um modelo de consenso proof-of-authority (PoA), operado por um conjunto confiável de validadores, cada um representando um provedor de dados do ecossistema Pyth. Embora apenas entidades permissionadas possam publicar dados, os feeds de preços resultantes são acessíveis publicamente, permitindo ampla reutilização.
A governança é gerenciada pela DAO Pyth Data Association, que supervisiona a delegação das funções de validador aos provedores de dados com base em stake, reputação e confiabilidade operacional.
Para controlar a participação, a Pythnet usa um token nativo chamado PGAS, necessário para pagar as taxas de transação dentro do ambiente. O PGAS funciona como um token de controle de acesso, e não como um ativo negociável. Sua única finalidade é restringir os direitos de publicação e validação.
Iron Chain (Iron)
Como uma plataforma de infraestrutura de stablecoins com foco em API, a Iron está construindo uma rede global de infraestrutura bancária e de pagamentos compatível com cripto, projetada para conectar as finanças tradicionais às finanças on-chain. No centro da arquitetura da Iron está a Iron Chain, uma SPE criada especificamente para esse fim. Em uma entrevista à imprensa, o fundador e CEO da Iron, Max von Wallenberg, explicou o motivo da escolha de uma SPE:
“Hoje, não vemos nenhuma outra rede ou ambiente capaz de nos oferecer desempenho de nível empresarial + padrões de tokens ocultos (prontos para uso) + alto throughput + liquidação rápida + uma equipe acessível como a Solana Foundation.”
A Iron Chain foi projetada para resolver um dos desafios mais urgentes da adoção institucional: transações confidenciais e componíveis. Ela oferece suporte a atividades on-chain confidenciais, preservando a atomicidade e a interoperabilidade. Isso é viabilizado por transferências confidenciais e criptografia totalmente homomórfica (FHE), que permite computação segura e privada sem sacrificar a componibilidade.
Os validadores da Iron Chain precisam executar configurações aprimoradas por GPUs para processar operações de FHE computacionalmente intensivas. Por isso, a Iron Chain usa tempos de bloco mais longos, de aproximadamente 2 segundos, em comparação com os 400 ms da mainnet da Solana, permitindo a execução atômica de operações criptográficas avançadas. A Iron também está desenvolvendo uma bridge para facilitar a transferência contínua de liquidez entre a mainnet da Solana e a Iron Chain, garantindo um forte alinhamento com o ecossistema mais amplo da Solana.
Em março de 2025, a MoonPay, uma importante provedora de infraestrutura de pagamentos e rampas de entrada para cripto, adquiriu a Iron em uma transação avaliada em mais de US$ 100 milhões. Essa aquisição estratégica fortalece a posição da MoonPay como líder em soluções de stablecoins de nível empresarial.
Solstice (Rimark)
O Solstice Protocol da Rimark redefine como tokens de depósito são emitidos, processados e reconciliados por meio de uma arquitetura híbrida que conecta sistemas bancários tradicionais e finanças descentralizadas.
Construído sobre uma base de criptografia resistente à computação quântica, o Solstice Protocol permite liquidação segura, em conformidade e em tempo real tanto em infraestruturas locais quanto em redes descentralizadas. No centro do protocolo está um design de dois componentes:
Solstice Core
Um sistema local e isolado fisicamente, implementado nos bancos para iniciação, processamento e assinatura criptográfica de transações. O Core aplica a soberania dos dados e garante a segurança operacional com criptografia pós-quântica.
As transações iniciadas no Solstice Core estão sujeitas a uma stack criptográfica de várias camadas:
- Assinaturas digitais baseadas em retículos modulares (ML-DSA) para autenticação digital.
- Mecanismo de encapsulamento de chaves baseado em retículos modulares (ML-KEM) para criptografia resistente à computação quântica.
- Transmissão segura para a Solstice Network por meio de ambientes de execução confiáveis (TEEs) ou diodos de dados.
Solstice Network
Uma camada de liquidação descentralizada construída com uma SPE. Ela gerencia a reconciliação global, a liquidez e as operações financeiras voltadas ao ambiente externo.
As primitivas criptográficas pós-quânticas integradas do Solstice Protocol garantem que todos os ativos, mensagens e interações financeiras permaneçam seguros diante dos avanços da computação quântica.
Powerledger
A Powerledger é um projeto pioneiro de Rede de Infraestrutura Física Descentralizada (DePIN) que permite a negociação peer-to-peer de energia e o rastreamento de ativos ambientais em tempo real.
Lançada inicialmente como uma SPE em julho de 2023, a Powerledger migrou para a mainnet da Solana no fim de 2024, levando suas aplicações voltadas à energia para o ecossistema mais amplo da rede pública.
A Powerledger oferece suporte a microtransações de alta frequência e baixo custo, essenciais para mercados de energia em tempo real. Por meio de um sistema transparente e eficiente, os usuários podem acompanhar o consumo de energia, negociar certificados de energia renovável e gerenciar créditos de carbono.
Sua plataforma é usada por empresas de serviços públicos, governos e grandes corporações do mundo todo para rastrear e negociar cada quilowatt-hora de energia, dando a pessoas e instituições mais controle e visibilidade sobre os fluxos energéticos.
A Powerledger escolheu a Solana por causa de sua arquitetura proof-of-stake energeticamente eficiente, alinhada à missão de construir uma infraestrutura digital sustentável. O baixo consumo de energia e o alto throughput da Solana fazem dela a base ideal para uma plataforma que busca modernizar os sistemas globais de energia sem contribuir para o problema que pretende resolver.
Alphaledger
A Alphaledger é uma startup de blockchain dos EUA pioneira na tokenização de ativos do mundo real, com forte foco em dívidas municipais. Como plataforma verticalmente integrada, com corretora e agente de transferência registrados, a Alphaledger permite a emissão e a gestão de valores mobiliários baseados em blockchain em conformidade. A empresa ganhou reconhecimento no setor ao emitir o primeiro título municipal dos EUA em uma blockchain usando sua própria infraestrutura permissionada. Até hoje, ela já viabilizou mais de US$ 800 milhões em tokenizações de ativos. A Alphaledger concluiu recentemente uma rodada Série A de US$ 9,5 milhões liderada pela EJF Capital, após uma rodada seed de US$ 6 milhões em 2021.
No início de 2025, a Alphaledger entrou para a Turma 2 da Solana Incubator a fim de explorar como a blockchain de alto desempenho da Solana pode viabilizar a tokenização segura e escalável de títulos municipais em um ambiente permissionado. Sua integração de fluxos de trabalho das finanças tradicionais com infraestrutura blockchain posiciona a Alphaledger como uma ponte entre os mercados financeiros estabelecidos e os ecossistemas on-chain emergentes.
Com as SPEs, a Alphaledger pretende descentralizar o acesso e a propriedade de dívidas municipais, mantendo a conformidade e o controle necessários para a emissão de ativos regulados.
K2 (Koii)
A Koii é uma camada de infraestrutura descentralizada pertencente à comunidade que transforma a capacidade computacional ociosa dos consumidores em uma rede robusta de hospedagem e desenvolvimento de aplicações. Voltada à crescente demanda por serviços descentralizados e resistentes à censura, a Koii viabiliza muitas aplicações, desde plataformas descentralizadas de streaming e mecanismos de busca baseados em IA até alternativas de redes sociais livres de controle centralizado. Ao aproveitar a capacidade subutilizada dos equipamentos de consumidores comuns, a Koii oferece uma nova abordagem para DePIN, promovendo eficiência e equidade na economia digital.
No centro da infraestrutura da Koii está a K2, sua camada de liquidação em blockchain, projetada como um hub de mensagens de alta velocidade para a rede. Construída sobre uma implementação personalizada e permissionada da Solana Virtual Machine (SVM), a K2 aproveita as principais inovações da Solana — incluindo Proof of History, finalização rápida e alto throughput — para sustentar uma malha global de dispositivos de computação distribuída. Com base na arquitetura comprovada da Solana, a K2 herda um conjunto de programas principais amplamente testados em produção e ferramentas open source padrão da Solana, como exploradores de blocos.
A próxima onda: SPEs para plataformas digitais
Marcas e plataformas globais de destaque já adotaram a Solana, reconhecendo sua velocidade, escalabilidade e infraestrutura de baixo custo:
- A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, recentemente expandiu seu fundo tokenizado de mercado monetário para a Solana.
- O PayPal lançou sua stablecoin em USD (PYUSD) na Solana, citando tempos de liquidação mais rápidos e taxas menores.
- A Visa publicou uma pesquisa destacando as vantagens técnicas da Solana para liquidação de stablecoins e pagamentos em tempo real.
- A Stripe apresentou suporte a stablecoins da Solana durante sua conferência de desenvolvedores de 2024.
- A Shopify integrou o Solana Pay, permitindo que lojistas aceitem USDC em transações contínuas e de baixo custo.
- A ASICS criou um programa de recompensas de fidelidade com o Solana Pay, aumentando o engajamento dos usuários por meio de incentivos baseados em blockchain.
Esses avanços refletem uma onda crescente de confiança institucional na infraestrutura da Solana. As SPEs podem ampliar esse impulso, oferecendo ainda mais controle, escalabilidade e personalização para as maiores plataformas digitais do mundo.
Aplicações construídas sobre SPEs podem oferecer suporte a:
- Gestão eficiente de tesouraria global e conversões cambiais
- Pagamentos de alta frequência (por exemplo, ingressos, assinaturas e preços baseados em uso)
- Licenciamento de DRM, controle de acesso a ativos e direitos de uso
- Marketplaces baseados em microtransações para bens digitais ou economias de jogos
Tudo isso com desempenho previsível inferior a um segundo. Veja abaixo alguns exemplos de como as SPEs podem viabilizar novos recursos:
Netflix ou Spotify
- Armazenar direitos de assinatura ou DRM como licenças tokenizadas e reduzir os custos pagos a provedores centralizados de armazenamento ou CDNs.
- Lançar programas de recompensas específicos para cada região, com regras de transferência integradas.
- Introduzir recursos de engajamento nativos da web3, sem a complexidade de carteiras.
Steam ou Epic Games
- Vender licenças de jogos como ativos programáveis.
- Permitir que desenvolvedores compartilhem receita por meio de royalties tokenizados.
- Transferir ativos de jogos para a mainnet da Solana por bridge quando desejado.
- Sair na frente da evolução dos jogos web3 sem prejudicar nem interferir nos modelos web2 existentes.
Amazon ou Shopify
- Usar SPEs para pagamentos de alto volume e baixo custo.
- Rastrear o estoque e a logística de bens digitais.
- Oferecer pontos de fidelidade ou recompensas específicos para cada lojista usando extensões de tokens.
Em cada caso, as empresas mantêm controle total sobre a própria infraestrutura enquanto se beneficiam do desempenho e das ferramentas de desenvolvimento da Solana.
L2s permissionadas baseadas na SVM
Além das SPEs independentes, também há um interesse crescente em soluções de Layer 2 permissionadas baseadas na SVM. Elas normalmente operam com um único sequenciador, mas mantêm uma forte conexão com a mainnet da Solana para acessar liquidez e colaborar com o ecossistema.
Nesse modelo, a mainnet da Solana funciona não apenas como uma camada de liquidação para segurança, mas também como uma extensão funcional do ambiente L2. Graças às baixas taxas da Solana, é viável transferir ativos por bridge e realizar swaps entre a L2 e a mainnet, permitindo funcionalidades mais avançadas que poderiam ser difíceis de implementar de forma isolada. Sem reversões históricas e com futuras melhorias no consenso que buscam finalização após uma única confirmação, a mainnet da Solana oferece uma base robusta para a liquidação segura de L2s.
Conclusão
Este artigo apresentou uma visão geral abrangente das SPEs, destacando sua flexibilidade e capacidade de configuração para appchains e implementações empresariais personalizadas. Analisamos casos de uso reais e mostramos SPEs que já operam em produção em diferentes setores. Por fim, exploramos como as SPEs podem servir de base para a próxima geração de infraestrutura de plataformas, viabilizando experiências digitais escaláveis, seguras e personalizáveis.
Se você representa uma grande empresa que trabalha com pagamentos, licenciamento ou direitos de clientes em tempo real, as SPEs da Solana foram feitas para você. Seja um serviço de streaming, uma plataforma de comércio, uma rede de jogos ou até mesmo uma fintech em busca de infraestrutura para stablecoins, as ferramentas já existem e o caminho está definido.
Quer ajuda para implementar uma SPE ou explorar a arquitetura? Fale diretamente conosco. Vamos construir o futuro das aplicações on-chain escaláveis e voltadas ao mundo real.
Agradecemos especialmente a Scott Manson, à equipe da Sphere, a Matt Sorg, OxIchigo e Brady Werkheiser pela revisão e pelas contribuições a este trabalho.
Recursos adicionais
- Avaliação da Solana para uso empresarial: um guia abrangente - Blog da Helius
- Solana Permissioned Environments levam a tecnologia da Solana à infraestrutura interna - Solana Foundation
- Um guia sobre Solana Permissioned Environments - Solana Foundation
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